O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou nesta quinta-feira (26) o registro da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP. Agora, as duas legendas funcionarão como um só partido nas eleições deste ano, facilitando a eleição de deputados e somando a maior parcela do fundo eleitoral.
Relatora do processo no TSE, a ministra Estela Aranha afirmou que a federação apresentou toda a documentação exigida. Os partidos anunciaram o acordo em abril de 2025, mas enfrentaram diversos entraves estaduais para definição de quem comandaria a aliança em cada estado. Dessa forma, o pedido de registro só foi protocolado na Justiça Eleitoral em dezembro último.
Esta é a quinta federação em vigor reconhecida pelo TSE. Além da União Progressista, há as federações Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), Renovação Solidária (PRD-Solidariedade), PSDB-Cidadania e PSol-Rede.
Esse modelo de aliança substituiu as antigas coligações, quando partidos podiam fazer uniões estaduais visando a facilitar a eleição de deputados. Agora, com a federação, as legendas precisam se unir nacionalmente e nas instâncias estaduais e municipais por um período mínimo de quatro anos.
Se a aliança for rompida antes disso, a lei impõe sanções às legendas. Elas ficariam proibidas de formarem uma nova federação e montarem coligações por duas eleições e não poderiam utilizar recursos do fundo partidário até o fim do prazo de quatro anos.
Juntos, União e PP somam 101 deputados e doze senadores atualmente, mas o número deve diminuir até o fim da janela partidária, em 3 de abril, justamente pelos conflitos não resolvidos pela aliança nos estados. Espera-se, porém, que o acesso a uma boa parcela do fundo partidário faça com que os partidos consigam eleger uma das maiores bancadas do Congresso.
Segundo a previsão da Fundação 1º de Maio, ligada ao partido Solidariedade, a federação deve concentrar R$ 953,6 milhões de fundo partidário, o que representa 19,2% da verba disponível para todas as siglas.
"Essa federação nasce após um longo período de conversas e discussões pautadas pelo espírito de sempre, que é oferecer aos brasileiros os melhores projetos e os mais qualificados quadros. Agora, formalmente autorizados pelo Tribunal Superior Eleitoral, é hora de começarmos a concretizar tudo aquilo que planejamos: fazer o Brasil se desenvolver e gerar dignidade aos brasileiros", afirmou o presidente do União Brasil, Antônio Rueda.
O presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), completou: "Temos muito orgulho do que construímos até aqui. Esta federação é fruto de muito diálogo, parceria e confiança. Eu e o presidente Rueda seguiremos em frente sempre colocando o Brasil em primeiro lugar".
União e PP fazem parte do chamado "centrão", grupo de partidos que tende a se aliar com o governo de ocasião. Ambas as siglas têm posicionamento mais alinhado à oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas possuem indicados na Esplanada. Alas dessas legendas, principalmente baseadas no Nordeste, devem apoiar o petista.
Apesar disso, União e PP são os partidos do centrão com mais chance de adesão formal à chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que concorrerá à Presidência da República. Espera-se que a discussão de uma aliança com o pré-candidato de oposição seja retomada após a janela partidária.

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