quinta-feira, 26 de março de 2026

TSE aprova federação entre União Brasil e PP, FSP

 Augusto Tenório

Brasília

TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou nesta quinta-feira (26) o registro da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP. Agora, as duas legendas funcionarão como um só partido nas eleições deste ano, facilitando a eleição de deputados e somando a maior parcela do fundo eleitoral.

Relatora do processo no TSE, a ministra Estela Aranha afirmou que a federação apresentou toda a documentação exigida. Os partidos anunciaram o acordo em abril de 2025, mas enfrentaram diversos entraves estaduais para definição de quem comandaria a aliança em cada estado. Dessa forma, o pedido de registro só foi protocolado na Justiça Eleitoral em dezembro último.

Esta é a quinta federação em vigor reconhecida pelo TSE. Além da União Progressista, há as federações Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), Renovação Solidária (PRD-Solidariedade), PSDB-Cidadania e PSol-Rede.

Dois homens estão se cumprimentando com um aperto de mão, sorrindo um para o outro. Eles estão vestidos formalmente, um em um terno escuro e o outro em um terno claro. O fundo é azul com texto visível que diz 'Programa'.
Reunião de instalação da Federação União Brasil/Progressistas, comandada pelos presidentes das duas siglas, Antônio Rueda (D), da União Brasil, e Ciro Nogueira (E), dos Progressistas - Pedro Ladeira - 19.ago.25/Folhapress

Esse modelo de aliança substituiu as antigas coligações, quando partidos podiam fazer uniões estaduais visando a facilitar a eleição de deputados. Agora, com a federação, as legendas precisam se unir nacionalmente e nas instâncias estaduais e municipais por um período mínimo de quatro anos.

Se a aliança for rompida antes disso, a lei impõe sanções às legendas. Elas ficariam proibidas de formarem uma nova federação e montarem coligações por duas eleições e não poderiam utilizar recursos do fundo partidário até o fim do prazo de quatro anos.

Juntos, União e PP somam 101 deputados e doze senadores atualmente, mas o número deve diminuir até o fim da janela partidária, em 3 de abril, justamente pelos conflitos não resolvidos pela aliança nos estados. Espera-se, porém, que o acesso a uma boa parcela do fundo partidário faça com que os partidos consigam eleger uma das maiores bancadas do Congresso.

Segundo a previsão da Fundação 1º de Maio, ligada ao partido Solidariedade, a federação deve concentrar R$ 953,6 milhões de fundo partidário, o que representa 19,2% da verba disponível para todas as siglas.

"Essa federação nasce após um longo período de conversas e discussões pautadas pelo espírito de sempre, que é oferecer aos brasileiros os melhores projetos e os mais qualificados quadros. Agora, formalmente autorizados pelo Tribunal Superior Eleitoral, é hora de começarmos a concretizar tudo aquilo que planejamos: fazer o Brasil se desenvolver e gerar dignidade aos brasileiros", afirmou o presidente do União Brasil, Antônio Rueda.

O presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), completou: "Temos muito orgulho do que construímos até aqui. Esta federação é fruto de muito diálogo, parceria e confiança. Eu e o presidente Rueda seguiremos em frente sempre colocando o Brasil em primeiro lugar".

União e PP fazem parte do chamado "centrão", grupo de partidos que tende a se aliar com o governo de ocasião. Ambas as siglas têm posicionamento mais alinhado à oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas possuem indicados na Esplanada. Alas dessas legendas, principalmente baseadas no Nordeste, devem apoiar o petista.

Apesar disso, União e PP são os partidos do centrão com mais chance de adesão formal à chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que concorrerá à Presidência da República. Espera-se que a discussão de uma aliança com o pré-candidato de oposição seja retomada após a janela partidária.

Nenhum comentário: