quarta-feira, 18 de março de 2026

Liquidante do Master precisa correr para impedir que dinheiro roubado vire pó, Adriana Fernandes, FSP

 

As tentativas em curso de desvios bilionários do patrimônio do Master para fundos e bens de luxo de Daniel Vorcaro não têm recebido a atenção e a velocidade necessárias para impedir que o dinheiro roubado no esquema piramidal de fraudes do banco desapareça ou vire pó.

Enquanto as investigações avançam para mostrar o envolvimento de políticos e autoridades na teia de Vorcaro, não se vê a mesma agilidade para a recuperação dos bens dos envolvidos que estavam em nomes de laranjas e já teriam sido identificados nos cruzamentos de informações dos fundos usados no esquema.

Diagrama mostra Daniel Vorcaro no centro, identificado como dono do Master, com linhas conectando-o a sete pessoas: Fabiano Zettel, Ana Claudia Queiroz de Paiva, Paulo Sérgio Neves de Souza, Belline Santana, Leonardo Augusto Furtado Palhares, Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, este último apelidado de 'Sicário'
'A Turma' de Daniel Vorcaro, segundo a Polícia Federal - Adriana Mattos e Tatiana Harada - 04.mar.2026/Folhapress

Há um jogo de empurra sobre as responsabilidades. Mas é evidente que o processo comandado pelo liquidante do conglomerado Master precisa ganhar maior robustez, agilidade e também transparência. A forma para isso acontecer cabe aos envolvidos, assim como entregar as soluções.

Um avanço importante foi a decisão 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que concedeu nesta semana liminar de urgência para evitar a alienação de bens relacionados ao Master e a Vorcaro.

O juiz Adler Batista Oliveira Nobre reconheceu a existência de indícios de desvios. Bingo! A decisão foi uma resposta aos pedidos da EFB Regimes Especiais, liquidante do Master, que identificou a existência de uma série de esquemas de desvio de recursos por meio de fundos de investimento e laranjas. É pouco.

Outras medidas desse tipo são urgentes. Vorcaro tinha uma miríade de investimentos camuflados nas profundezas das inúmeras camadas dos fundos, que passaram ao largo da fiscalização da CVM.
Mesmo com o banqueiro na cadeia, há suspeitas de que obras de arte e imóveis relacionados a ele estejam movimentando o mercado. Vorcaro e comparsas patrocinaram a maior fraude bancária da história do país. Quiçá do mundo.

É preciso correr para recuperar os bens no Brasil e no exterior para ajudar na resposta da principal pergunta que está sendo esquecida com tanta informação sobre o caso: onde foram parar os mais de R$ 60 bilhões desviados do Master?

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