sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Lucro da Multiplan dispara mais de 70% no 3º tri, alcançando R$ 383 milhões, FSP

 A Multiplan teve lucro líquido de R$ 383 milhões no terceiro trimestre, um salto de 73,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (29).

A operadora de shopping centers e empreendimentos imobiliários apurou resultado operacional medido pelo Ebitda de R$ 598 milhões, valor 37,3% acima do obtido na base anual.

A empresa teve receita líquida de R$ 846 milhões, 37% acima do faturamento de um ano antes.

Corredor largo de shopping com piso brilhante e iluminação embutida no teto. Pessoas caminham em direções opostas, algumas carregando bolsas. Escada rolante visível à direita e vitrines de lojas à esquerda.
Área interna do Morumbi Shopping, na zona sul de São Paulo - Jardiel Carvalho - 16.abr.25/Folhapress

No relatório de resultados, a empresa destaca o avanço de vendas de lojistas em julho, impactadas pelos jogos da Copa do Mundo, e a continuidade da alta no mês seguinte.

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"O desempenho se fortaleceu em agosto, quando as recentes revitalizações dos shoppings continuaram contribuindo para que o crescimento das vendas voltasse a superar o mercado varejista brasileiro", diz a Multiplan.

A expectativa do grupo é manter a trajetória positiva de vendas no quarto trimestre. Ao final do terceiro trimestre, a Multiplan detinha e administrava 20 shopping centers no país.

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Analistas, em média, esperavam que a empresa reportasse lucro líquido de R$ 262 milhões e Ebitda de R$ 500 milhões, segundo dados da LSEG.


RAIO-X | MULTIPLAN

Lucro líquido: R$ 383 milhões (3º tri de 2026)
Receita líquida: R$ 846 milhões (3º tri de 2026)
Fundação: 1957
Principais concorrentes: Iguatemi e Allos

Jockey de SP mantém corridas e terá parque após acordo que encerra disputa com prefeitura- FSP

 O Jockey Club e a Prefeitura de São Paulo assinaram termo de cooperação na quinta-feira (29) que encerra anos de disputa tributária e de permanência da instituição no hipódromo da Cidade Jardim, na zona oeste da capital. As corridas de cavalos serão mantidas.

O acordo prevê a cessão de área interna da pista de turfe para a implantação de parque municipal, com cerca de 85.000 m² —como comparação, o Jardim da Luz tem 76.885 m² —e acesso por passagem subterrânea. A inauguração é estimada para 1º de outubro de 2028.

Dois cavalos com mantas numeradas e jóqueis estão próximos às baias em área circular com grade verde. Árvores e edifícios aparecem ao fundo.
Área reservada para participantes das corridas de cavalo do Jockey Club de São Paulo; turfe será mantido no hipódromo após novo acordo - Eduardo Knapp - 6.jul.2024/Folhapress

A etapa atual abrange ainda a quitação de débitos do clube inscritos na dívida ativa após a adesão a edital de descontos de até 90% em multas e juros, voltado a devedores que pagarem à vista e desistirem de ações de contestação.

Desse modo, o montante caiu de R$ 912,5 milhões para R$ 228 milhões, de acordo com a prefeitura. O pagamento foi viabilizado por meio de parceria do clube com o BTG Pactual, que também envolve a quitação de dívidas trabalhistas e cíveis.

O custo de implantação do parque será arcado pelo Jockey, estimado em ao menos R$ 85 milhões. Segundo a prefeitura, a área constará como cedida ao município.

O projeto inclui quadras esportivas, lago, bosque sensorial, circuito de caminhada, parques infantis, espaço pet e estrutura para eventos ao ar livre, entre outras opções de lazer.

Três imagens mostram momento de assinatura de acordo. Na primeira, duas pessoas sentadas à mesa, uma assinando documento. Na segunda, homem em pé exibe documento assinado, mulher sentada ao lado. Na terceira, homem em pé em ambiente interno com painéis ao fundo, com texto 'Pra População'.
Prefeito Ricardo Nunes postou vídeos da assinatura do termo de cooperação nas redes sociais - Ricardo Nunes no Instagram

Em vídeo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) celebrou o acordo, que chamou de um grande avanço para um equipamento que considerava como parado e um grande problema para a cidade. "Põe ele ativo, gerando emprego e renda", disse.

O acordo retoma parte de projeto de parque apresentado em 2017 pelo Jockey. O projeto é ligado aos mesmos escritórios de arquitetura e urbanismo, o Levisky Arquitetos Estratégia Urbana e o Königsberger Vannucchi.

A assinatura ocorre após anos de discordâncias e até embates entre o Jockey, a prefeitura e a Câmara Municipal, especialmente desde 2023.

O prefeito defendia a transformação integral em parque e o entendimento de que a área se tornaria de domínio municipal em caso de encerramento do turfe —diante de lei municipal de 2024 que proibia corridas de cavalos com apostas, posteriormente declarada inconstitucional pela Justiça.

Telão em ambiente interno mostra seis fotos do Jockey Club, com áreas verdes, lago e caminhos. Imagens exibem paisagens do local em diferentes ângulos e horários.
Diretoria apresentou imagens de projeto de implantação de parque no interior da pista do hipódromo durante CPI na Câmara Municipal - Reprodução/Rede Câmara SP

No evento de assinatura, a secretária municipal de urbanismo e licenciamento, Bete França, afirmou que o novo parque passou a ser considerado no planejamento da cidade. Desse modo, discute-se, por exemplo, a construção de uma passarela para ciclistas sobre o rio Pinheiros.

Jockey planeja mudanças para atrair mais sócios

O objetivo da diretoria que assumiu o clube em fevereiro é transformá-lo em um grande centro de lazer e entretenimento, com eventos de diferentes portes, comércio e atividades variadas. A inspiração advém de exemplos dos Estados Unidos, da Austrália, do Japão e de outros países.

Recentemente, o Jockey recebeu um torneio internacional de tênis, por exemplo. A estimativa é de que o espaço comporte até 14 mil frequentadores após a implantação das mudanças.

O projeto prevê o pagamento ao BTG com recursos obtidos por meio do lançamento de novos títulos de associação. Hoje, são cerca de 580 sócios, ante 8 mil nos anos 1990, de acordo com o Jockey.

Para tanto, estão previstas melhorias, a fim de valorizar os títulos. Entre mudanças planejadas, estão boulevard gastronômico, alameda comercial e novas "experiências de convivência".

Presidente do Jockey, Vicente Renato Paolillo, defendeu na Câmara Municipal que a ideia é de um "novo clube". A declaração ocorreu no dia 13, durante sessão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga suspeitas de diretorias anteriores de uso irregular de incentivos públicos para o restauro de patrimônio tombado.

Tela de apresentação exibe projeto para o Jockey Club em São Paulo com imagem aérea do local e dados sobre recuperação, novo polo e investimento de 85 milhões de reais.
Projeto prevê parque com quadras, parques infantis, lagos e outros espaços de lazer e atividades físicas - Reprodução/Rede Câmara SP

O hipódromo está na Cidade Jardim desde 1941. Com o agravamento da crise do clube, o déficit operacional foi de R$ 14,2 milhões em 2025, segundo informado pela diretoria na CPI.

A instituição está em processo de reforma do estatuto social. A diretoria receberá propostas de emendas por associados até 27 de novembro.

A Alemanha declara guerra à Rússia e Kafka vai nadar - Mauro Calliari - FSP

 Em seu diário, Franz Kafka registra banalidades, ideias para contos, o barulho de vizinhos, mulheres, a dureza do pai, uma bronca do chefe. A entrada de 2 de agosto de 1914, porém, virou clássica: "A Alemanha declarou guerra à Rússia –à tarde, natação."

Homem lê capas de jornais que noticiam a vitória de Lula nas eleições, no Rio de Janeiro
Homem lê capas de jornais que noticiam a vitória de Lula nas eleições, no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 26.out.26/AFP

É uma maravilha de concisão e de jogo de escalas. Às portas do que viria a ser a Primeira Guerra Mundial, ele decide fazer o que pode. Nadar, no caso.

Por aqui, não foi a guerra, mas a virulência das eleições que parece ter conspirado contra o protagonismo de nossos atos cotidianos. Diante da emergência das eleições, tudo ficou irrelevante.

Reuniões, por exemplo. Fui ao edifício Martinelli, no centro, para uma reunião de conselho. Todos pareciam distraídos, talvez pensando na divulgação da enésima pesquisa eleitoral. Na saída, a multidão no calçadão também parecia distraída.

Outro dia, fui dar uma aula sobre um assunto que já se anunciava árido, mas que se tornou insuportável para os alunos. Quem quer falar sobre sistemas de transportes metropolitanos diante da iminência das eleições?

O celular virou um instrumento de guerra. "Explode!" A minha bolha não conversa com a outra bolha. Distopias pós-eleitorais espoucavam nos posts. Na marginal, a água do rio Pinheiros parecia mais malcheirosa que o normal. Queria poder falar do rio Pinheiros e discutir o projeto para os Campos Elíseos ou o calçadão do centro de São Paulo, mas todos os temas foram soterrados pela mobilização imperiosa da militância digital. "Atenção, urgente."

Na academia, um homem ligou o chuveiro e deixou a torneira aberta enquanto conversava, e eu fiquei tentado a identificar seu voto pela água que ele desperdiçou. Será que crenças políticas podem ser identificadas pela água que as pessoas desperdiçam? Pensei em chamar a sua atenção, mas me calei com medo de reações violentas e, como Kafka, entrei na piscina para dar minhas poucas braçadas.

Encontrei amigos num começo de noite. Ao contrário dos nossos happy hours normais, em que assuntos sérios se tornam leves, naquele dia falamos pesadamente sobre as eleições. Uma discussão se insinuou. "É pela democracia." Alguém fechou a cara. Decidimos, em nome dos anos de amizade, cortar o assunto e ir embora.

Urnas fechadas, votos contados, sinto um alívio gigantesco, vejo gente celebrando pelas ruas, intuo outros resignados em suas casas. Espero pelo prazer da normalidade e do convívio possível entre ex-adversários, mas surgem as notícias desconcertantes da fuga rocambolesca para os Estados Unidos, dos desdobramentos e das especulações fantasiosas.

Era ingenuidade imaginar que houvesse um fim com uma vitória incontestável e o início de um novo ciclo; não há fim, talvez nunca haja.

Se o comentário de Kafka emula a alienação insalubre ou um escape desculpável, não sei, mas provavelmente essas eleições demonstraram que tudo está, de fato, conectado, quando os pressupostos da urbanidade são ameaçados.

As consequências da escolha de um presidente são mesmo gigantes. A floresta, a água que bebemos, o rio que garante as irrigações das plantações no cerrado, a preservação de uma aldeia indígena no Tocantins, a democracia, as ações de empresas que vendem os produtos que compramos e combate à desigualdade são consequências naturais e quase óbvias do resultado.

O que não é óbvio é que há outras conexões mais sutis. Será que, se normalizássemos o xingamento, a tiração de sarro com minorias, a mentira contumaz, as más companhias, não estaríamos abrindo uma porta para o fim da urbanidade, que, aliás, já anda tão ameaçada? A raiva parece uma má conselheira para um país que, para o bem ou para o mal, ainda cultiva a diversidade e a alegria.

A Paulista no domingo foi linda. Hoje, de volta, acompanho a multidão num dia útil, olho para o sinal verde, espero que o motoqueiro retardatário passe e sigo em frente. O Brasil é gigante, parece maior depois das eleições. Agora é ter coragem para atravessar o cotidiano, à sombra de outras e mais outras notícias.