Mal as urnas se fecharam, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes mostrou suas garras. Determinou que o candidato derrotado nas eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro, entregasse seus passaportes à Polícia Federal. Ao que tudo indica, o senador fugiu clandestinamente para os EUA, com passagem pela Argentina. Foi mais uma medida de cunho autoritário do magistrado, que deve acertar suas contas com o novo Senado no começo do próximo ano. Entretanto, melhor seria se Flávio tivesse abandonado o País por vontade própria. Para refletir o que seu movimento faz com o Brasil neste momento. Sufoca opções mais viáveis e permite a continuidade, mais uma vez, do Partido dos Trabalhadores no poder.
Nos Estados Unidos, Flávio e o irmão Eduardo Bolsonaro, autoexilado por lá, deveriam constatar que a radicalidade do bolsonarismo tem impedido que consigam vencer eleições majoritárias. Que não adianta atrair todo o antipetismo se não conseguem também ter ao seu lado setores moderados da sociedade. Os tais isentões, que tanto deploram.

Para você
Flávio deveria pensar em por que sua imagem de “bolsonarista moderado” não deu certo. De que raios resolveu, durante o primeiro debate na Rede Bandeirantes, quando finalmente boa parte dos brasileiros iria conhecê-lo sem os filtros do marketing de campanha, comportar-se de maneira agressiva e moleque com um senhor de 80 anos (se Flávio fosse leitor de Guimarães Rosa, saberia que idade santifica, por mais que o sujeito tenha aprontado). De que sua biografia pregressa, com história de pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, acusações de “rachadinhas”, de ligações com milicianos, o deixariam bastante vulnerável.
Com as mãos no queixo, ao admirar uma praia na Flórida, ou alguma larga avenida em Austin, no Texas, Flávio poderia pensar por qual razão, no debate da Globo, chamou o contendor de “9 dedos”, para o espanto de muitos indecisos. Por que razão e a conselho de quem resolveu jogar fora a farsa de que se tratava de alguém prudente.
O irmão Eduardo, por sua vez, precisava entender por que, cada vez que abre a boca, recebe aplausos de seus admiradores ruidosos, mas faz perder votos valiosos de uma minoria que garantiria a vitória. Para que falar sandice como “faxina no Itamaraty”? Por que atacou, de maneira direta ou alusiva, gente do seu próprio grupo? Que, no fundo, ele, pelo repúdio que carrega, é ótimo para a continuidade do PT neste momento.
Se puderem ligar para o patriarca Jair e para o outro irmão, Carlos, agora eleito senador, todos podem meditar um pouco no sentido de que a desconfiança com os que não são da própria família pode ter causado a ruína eleitoral deles. Que seria mais racional confiar em alguém mais centrado, com menos rejeição, e ter um aliado no poder. Dessa maneira, poderiam negociar a atenuação da pena do pai (sabem muito bem que o STF é uma casa política e aberta aos acordos). Preferiram a prepotência, a arrogância. Vale colocar a ex-primeira-dama Michelle na conversa para evitar dissabores.
Nas terras do amigo Donald Trump, Flávio deveria pensar, em particular, no segundo turno dessas eleições. Enquanto escolhia o ministério, o adversário pisava fundo no acelerador dos gastos, das promessas impossíveis, no populismo irresponsável. Que a militância petista foi com tudo nas ruas para virar votos. Por que, afinal, os bolsonaristas deixaram perder o clima de indignação geral, que garantiu a vitória parcial no primeiro turno e uma bancada fortíssima no Congresso?
Todas essas especulações são vãs. Os Bolsonaros, assim como seu antípoda perfeito, o ministro Alexandre de Moraes, não são de recuar. Agirão para desestabilizar, não para construir alternativas. Certamente tentarão articular uma oposição destrutiva com o único objetivo de tentarem mais uma volta ao poder. Eles próprios, mais ninguém, porque não se trata de patriotas, mas de uma família que só pensa em si. Para perderem mais uma vez.





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