domingo, 25 de outubro de 2026

Só à noite vai se saber o nome do eleito, Elio Gaspari, FSP

 Debate civilizado como o da Globo tem algo de monótono. Tanto é assim que o momento mais eletrizante foi o último bloco, quando eles passaram a se insultar. Isso não foi consequência de uma preferência pelo baixo nível, mas resultado de um segundo debate sem ideias novas.

Esse segundo debate pode definir votos de quem não ia votar, ou virar votos em branco ou nulos, mas virar de Bolsonaro para Lula (ou vice-versa), a chance é mínima.

Uma eleição esquisita, parecida com o rei Luís 17 da França, o que não houve.

Dois homens de terno escuro posam em estúdio com fundo azul. O homem à esquerda faz sinal de paz com ambas as mãos, o da direita mostra polegares para cima.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT) em debate presidencial na Globo - Agustin Marcarian - 23.out.26/Reuters

Lula tratou a verdade com mais carinho do que Flávio Bolsonaro, fez muito bem em dispensar o terno de enterro do debate da Band e pareceu mais jovem. Quando sua assessoria diz que ele é teimoso, conta uma verdade. Pelo menos dez vezes ele listou realizações do seu governo, todas inúteis, salvo aquelas em que expunha a atitude anticientífica e debochada de Jair Bolsonaro durante a pandemia (700 mil mortos).

Terminado o ciclo de pesquisas e debates, o resultado da eleição é imprevisível, e o eleitor sabe o que não quer, como sabia em 1989. Então, não queria Lula. Noves fora o desastre da pandemia, Flávio Bolsonaro subscreve as políticas do governo de seu pai.

Passada quase uma década desde 2018, os ponteiros estão no mesmo lugar, como se o tempo estivesse congelado. A direita refinou-se, mas é a mesma, a começar pelo sobrenome. Basta dizer que Flávio Bolsonaro aceita a escala 5x2, enquanto naquele ano o candidato a vice da chapa do capitão atacava o 13º salário. Afora esse detalhe, a eleição de 2026 é como se não tivesse existido. Em relação a 2022, um candidato é o mesmo e o outro é o filho do derrotado que tentou dar um golpe e acabou preso.

Previsão eleitoral

Neste sábado saiu mais uma pesquisa do Datafolha. Deu 51x49.

Continua de pé a previsão do banqueiro André Esteves: "A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem."

O derrotado

O grande derrotado da campanha eleitoral foi o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com suas decisões monocráticas escalafobéticas.

Fica ressalvado o papel do corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva, que evitou maiores desastres.

Duas bolas de ferro

Contados os votos, Lula e Flávio se deram conta de que, para um, a blindagem de Lulinha e, para outro, o estilo debochado usado no debate da Band foram más ideias, produzidas pela onipotência.

A vida na Wikipédia

Saiu nos Estados Unidos "The Last Best Place on the Internet: A Human History of Wikipedia" (O Último Melhor Lugar da Internet: Uma História Humana da Wikipédia), do jornalista Richard Cooke. Conta a história do sucesso da enciclopédia eletrônica Wikipédia, uma ideia improvável que entrou na internet em 2001 e se transformou num dos maiores acervos de informações do planeta.

Uma enciclopédia grátis, que viria a ser editada em 300 idiomas, alimentada por voluntários. Sem patrocinadores, parecia ser coisa de algum doido, intoxicado pelas leituras da escritora libertária russo-americana Ayn Rand (1905-1982).

A Wikipédia tornou-se a maior enciclopédia produzida pelo gênero humano, com 7,2 milhões de artigos e 278 mil editores. Lê-los levaria 20 anos, sem uma hora de sono. Seu site recebe 508 milhões de visitas por dia. É o triunfo do caos produzido por uma coletividade.

As enciclopédias apareceram no século 18, mas em 1945 o cientista americano Vannevar Bush, um visionário da sociedade digital, imaginou uma cápsula do tamanho de uma caixa de fósforos, vendida ao preço de um jornal, com o conteúdo da Encyclopaedia Britannica. Em 1990, a Britannica vendeu 100 mil edições nos Estados Unidos. Seis anos depois, vendeu 6 mil. Ela mantém sua relevância na rede, de graça, como a Wiki.

A Wikipédia não foi a primeira enciclopédia eletrônica, também não teve um pai perfeitamente identificável, nem produziu bilionários. Ela saiu do caos, de graça. Cooke ensina que um fenômeno como a Wikipédia nasceu da fertilidade do terreno da cultura dos Estados Unidos.

Eremildo, o idiota

Eremildo é um idiota, acredita em todas as promessas dos candidatos e nas suas declarações de bens.

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