Foi destaque em todos os jornais desta semana. A Paramount e a Warner, dois dos maiores estúdios de comunicação do mundo, concluíram um acordo em que a primeira comprou a segunda por US$ 110 bilhões e as duas se fundiram numa nova empresa mamute, chamada Skydance. O negócio incorporou também outras subgigantes da comunicação, como os canais de notícias CNN e CBS. Na prática, formou-se um truste —a fusão de duas ou mais empresas do mesmo porte e setor para eliminar uma delas, ampliar a cadeia produtiva, dificultar a livre concorrência, controlar os preços e impor seus produtos e serviços.
Os primeiros prejudicados serão os consumidores, que perderão parte da variedade de filmes, séries e programas. A empresa que se deixou absorver pode contar com uma demissão em massa de seus quadros e, no caso dela, isso equivale a milhares de empregos. Mas o maior problema é a concentração de poder político no setor da informação. O magnata da Skydance será David Ellison, filho de Larry Ellison, próximo de Donald Trump. Teme-se que Trump nem precise lhes pedir que mintam a seu favor nos noticiários.
O incrível é que algo parecido aconteceu há cerca de 100 anos, envolvendo os mesmos personagens. Em 1921, os napoleônicos Adolph Zukor, Jesse Lasky e Cecil B. DeMille fundiram seus estúdios num grande guarda-chuva, a Paramount Pictures, com a intenção de se tornarem os imperadores de Hollywood. A ideia era asfixiar os produtores independentes —um deles, a Warner—, levar à falência os distribuidores que não se submetessem aos seus preços e arrebatar as redes de exibição. Produção, distribuição e exibição são os três pilares da indústria.
E poderiam fazer isso, porque seus concorrentes, Samuel Goldwyn, Carl Laemmle, os irmãos Warner e outros, ainda estavam começando. Só não conseguiram porque os demais envolvidos na cadeia do cinema se uniram e se valeram de uma lei federal antitruste que os protegeu.
Mas, em 1921, não havia um Trump para obrigar as leis federais a se acoelharem diante dele.

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