quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Coordenador da campanha de Lula admite erro e avisa: ‘Amanhã sai pesquisa, não esperem coisa boa’ - OESP

 BRASÍLIA – Gilberto Carvalho, aliado histórico e um dos principais coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, admitiu erros da campanha no primeiro turno, apresentou os novos planos para a segunda volta e tratou de dissuadir o pânico de apoiadores diante do que ele julga que será um resultado nas primeiras pesquisas de intenção de voto.

“Amanhã saem as primeiras pesquisas. Não esperem coisa boa. É provável que a diferença seja maior que o resultado do primeiro turno. Não se aterrorizem, vamos construir a vitória a partir de agora”, disse, em evento com petistas em Brasília na tarde desta quarta-feira, 7.

Gilberto Carvalho foi chefe de gabinete nos dois primeiros governos de Lula.
Gilberto Carvalho foi chefe de gabinete nos dois primeiros governos de Lula. Foto: André Dusek/Estadão

PUBLICIDADE

O Datafolha divulgará a primeira pesquisa eleitoral do segundo turno nesta quinta-feira, 8. No dia seguinte, será a vez da AtlasIntel.

Carvalho, que foi chefe do gabinete de Lula nos dois primeiros mandatos, em 2002 e em 2006, falou por cerca de 13 minutos a apoiadores e tratou de trazer uma mensagem aos petistas sobre a mudança de rota no segundo turno.

“Vocês viram que até o Lulinha tá mudando no segundo turno. Largou a gravata, largou o chapéu, está fazendo selfie. Deu trabalho para convencer, mas foi convencido, e assim será o segundo turno”, brincou, logo na abertura do pronunciamento.

Ele fez referência a um vídeo publicado por Lula nas redes sociais nesta quarta-feira, em que, em formato de selfie, convocou apoiadores a participarem intensamente dessas três semanas que compreendem o período do segundo turno. O presidente foi persuadido por diversos petistas a adotar um modelo de comunicação mais direto e acabou aquiescendo apenas nesta semana, ainda que fosse resistente a adotar essa mudança.

imagem newsletter
newsletter
Política
As principais notícias e colunas sobre o cenário político nacional, de segunda a sexta.
Ao se cadastrar nas newsletters, você concorda com os Termos de Uso e Política de Privacidade.

Publicidade

Logo depois da descontração, Carvalho mencionou os erros da campanha. “Erramos quando achávamos, e o próprio presidente também achava, que bastava fazer a comparação entre nossos feitos e os maus feitos deles. Passamos grande parte da campanha para fazer o povo se informar daquilo que tínhamos realizado e falamos pouco de futuro. Isso foi mau”, analisou.

Ele afirmou que essa decisão passou a impressão de que a campanha não reconhecia “o sofrimento do povo”. “O povo não está feliz”, reconheceu. O ex-ministro admitiu que o governo errou ao não fazer “a educação financeira do povo”.

“Isso provocou um processo gravíssimo de endividamento, com juros elevadíssimos”, disse. “Quando você chega ao final do mês e teu salário não dá para pagar a conta, não dá como ser um otimista.”

Publicidade

Foi essa a deixa que, na visão dele, abriu espaço para que a campanha de Flávio fizesse ataques a Lula que o ajudaram a manter a vantagem de 2,2 milhões de votos contra Lula no primeiro turno.

“Aí vai um aventureiro, vai para o mercado, mostra a picanha, mostra que a caixinha do suco não tem mais um litro, tem 900 g. Mostra os preços e fala que vai mudar. É fácil ceder a essa tentação e acreditar nessa ilusão”, analisou.

Durante a campanha, Flávio gravou um vídeo no supermercado em que diz que o preço dos produtos está mais caro do que no governo de Jair Bolsonaro (PL). “Arroz Tio João, 5 kg, R$ 27,95. Chuva que é de uva”, afirmou Flávio nesse vídeo. Enquanto ele fala isso, um texto aparece afirmando que esse mesmo pacote custaria R$ 16,95 em 2019, no governo do pai de Flávio.

Publicidade

PUBLICIDADE

“Por isso é que nós, aos poucos, fomos nos dando conta de que precisávamos mudar a linha de campanha. E o presidente Lula finalmente também se convenceu disso, e já no final do primeiro turno ensaiávamos uma mudança”, disse Carvalho.

Em seguida, o ex-ministro disse aos presentes quais seriam as estratégias da campanha de agora em diante. “O anúncio e a denúncia vão compor a linha política do segundo turno”, afirmou. A ideia é demonstrar a ameaça que Flávio representa aos trabalhadores.

Essa tática servirá sobretudo para falar com indecisos. Carvalho rejeita a possibilidade de dialogar com bolsonaristas “cristalizados” e de “falar com os convertidos”. “‘Você que votou no Flávio, no (Augusto) Cury, nesses caras, olha o que vai acontecer se você persistir nesse equívoco’”, é o que ele sugeriu que petistas falem para esse segmento.

Publicidade

Neste ano, 33 milhões de eleitores não foram votar. “Não vale a pena perder tempo com bolsonarista renhido, cristalizado. Não dá para ficar entre os convertidos, temos que buscar o indeciso, o eleitor pêndulo. Aquele que votou no Cury, mesmo no Renan (Santos), (Ronaldo) Caiado”, disse. Ele também pediu mais diálogo com as igrejas evangélicas e com a Igreja Católica.

Nesse evento em Brasília também falaram ministros do governo – entre eles Márcia Lopes (Mulheres), Fernanda Machiavelli (Desenvolvimento Agrário), Wolney Queiroz (Previdência) e Esther Dweck (Gestão e Inovação).

Nesses pronunciamentos, houve um pedido para que petistas tenham uma conversa compreensiva e escutem os problemas que as pessoas lhes apresentarem. “É conversar olho no olho, com empatia e ir para a rua”, sugeriu Machiavelli. Ela também pediu reforço para que petistas fortaleçam a presença nas redes sociais.

“A gente tem que todo dia curtir, comentar e compartilhar conteúdos do nosso campo. Só assim a gente reverte o algoritmo”, disse. “Nosso trabalho é rua, mas também o digital. Cada pessoa aqui é um ativista digital. Tirando o presidente Lula, o brasileiro fica mais de três horas no celular, no mínimo.”

Dweck pediu mais “humildade” dos petistas. “A gente tem que ter humildade, conversar com calma com as pessoas, entender por que eles fizeram esses votos, por que eles não votaram na gente”, afirmou.

O tema das redes ganhou força após a entrada de Ana Elisa (MG), deputada mais votada pelo PT nessas eleições, na campanha. Ela pediu para que o presidente fosse mais ativo em vídeos nas redes sociais. “Estamos fazendo uma construção de comunicação com o presidente Lula, todo mundo tem se mostrado de mente aberta. Acredito que nessa semana tem sido provado para a esquerda que a rede social elege”, disse a deputada eleita.

Publicidade

O nome dela foi saudado repetidas vezes por petistas no auditório. O assunto das redes ainda rendeu música entre os apoiadores. “Nas ruas, nas redes/Quem disse que sumiu/Aqui está presente a juventude do Brasil”, cantaram os militantes presentes.

Nenhum comentário: