sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A fúria da perspectiva de poder -Adriana Fernandes - FSP

 Adriana Fernandes

Brasília

A perspectiva de poder é uma força que movimenta uma fúria de chegada avassaladora. Nenhum período do calendário político é tão alegórico como esse.

Flávio Bolsonaro (PL) saiu no primeiro turno como favorito nas eleições, está na frente das pesquisas recentes e é tratado em Brasília como se já estivéssemos na transição de governo.

O clima de já ganhou fez o mercado dar um cheque em branco ao ajuste fiscal do candidato e fechar os olhos para as promessas que Flávio vem fazendo, na contramão das medidas econômicas duras acenadas por seu time econômico de campanha.

Homem de cabelo curto e grisalho fala para vários microfones em coletiva ao ar livre. Pessoas ao fundo observam atentamente, incluindo homem com camiseta branca e adesivo azul.
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. - Mauro Pimentel - 09.out.26/AFP

Em outra frente, o centrão, vencido pelo bolsonarismo nas urnas, se movimenta para correr atrás do prejuízo e permanecer vivo no próximo governo como grupo decisivo nas votações dos projetos de máximo interesse do candidato do PL.

Em troca, recebeu a garantia de que Flávio irá manter as emendas parlamentares e não mexerá no atual desenho do Orçamento. Essa é hoje uma das maiores preocupações do centrão com a PEC que o atual senador quer aprovar.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), também enfraquecido pelo resultado das urnas e pelos desdobramentos do escândalo do Master, está a mil por hora. Flávio está pedindo a Alcolumbre que coloque em votação a PEC do fim da reeleição antes da posse, no período pós-segundo turno. O candidato quer estender o mandato presidencial de quatro para cinco anos, valendo para ele.

Alcolumbre, por outro lado, quer se manter na presidência do Senado a partir de 2027, posto disputado por Rogério Marinho (PL) e Tereza Cristina (PP). Enquanto aliados de Alcolumbre dizem que o presidente do Senado tem chance de reeleição, Tereza quer os votos dele para ganhar o comando.

Na equipe de colaboradores, a guerra está lançada pelos cargos-chave, sobretudo o Ministério da Fazenda. A disputa envolve o peso de Eduardo Bolsonaro versus o time de ex-Guedes, representado pela figura de Daniella Marques, assessora de Flávio na campanha.

O salto alto deu as cartas em Brasília nos últimos dias.

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