Qual você prefere? Amarelão, covarde, medroso, pusilânime, frangote, maricas, desertor, foragido, poltrão, peidão, pipoqueiro, frouxo, trêmulo, borrão, arregão? Ou, numa palavra, cagão —digo, fujão? Se você for um dos meus fiéis leitores bolsonaristas ou um dos 59.826.041 eleitores que cravaram o número de Flávio Bolsonaro na urna neste domingo (25), a escolha é farta. Todas definem o caráter do homem que, não fosse por outros 64.256.232 brasileiros, poderia ser agora o presidente da República. Derrotado e sujeito a investigação e processo por uma quantidade de acusações —a escolha também é farta—, preferiu escafeder-se a enfrentar a Justiça. Onde está o machão que ele fingia ser?
Menos de 12 horas depois de produzir um vídeo em que bateu no peito e desmentiu a possibilidade de fugir do país —ao contrário, entregaria os passaportes e ficaria para liderar a oposição, retomar o Brasil e fazer e acontecer—, meteu-se na escuridão, tomou um avião na moita ou atravessou de cócoras a fronteira e foi se esconder sob a gravata vermelha de seu chefe, Donald Trump.
Como ficaram seus seguidores que assistiram ao vídeo e acreditaram nele? Como passaram a vê-lo depois desta? Se quiserem, aqui vão sugestões: falso, embusteiro, fingido, enganador, trapaceiro, mendaz, pérfido, perjuro, desleal, simulado, charlatão, cascateiro, impostor, xavequeiro, patureba, trambiqueiro. Ou, também, em uma palavra, mentiroso.
É uma atitude decepcionante para alguém que, assim como seus adeptos, fala grosso, faz arminha, ronca motocicletas e exibe braços musculosos sob as camisetas amarelas, mas é incapaz de enfrentar uma Justiça armada apenas com fatos, números e provas. A contrapô-los com seus próprios fatos, números e provas, escolheu vazar, escapar, ciscar, dar o pira, cair fora, dar no pé, picar a mula. Em resumo, fugir.
Ao abandonar seus eleitores —na verdade, traí-los—, Flávio Bolsonaro apenas repetiu o que levou toda a campanha fazendo: mentir para eles, iludi-los, ludibriá-los, fazê-los de otários.
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