sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Jockey de SP mantém corridas e terá parque após acordo que encerra disputa com prefeitura- FSP

 O Jockey Club e a Prefeitura de São Paulo assinaram termo de cooperação na quinta-feira (29) que encerra anos de disputa tributária e de permanência da instituição no hipódromo da Cidade Jardim, na zona oeste da capital. As corridas de cavalos serão mantidas.

O acordo prevê a cessão de área interna da pista de turfe para a implantação de parque municipal, com cerca de 85.000 m² —como comparação, o Jardim da Luz tem 76.885 m² —e acesso por passagem subterrânea. A inauguração é estimada para 1º de outubro de 2028.

Dois cavalos com mantas numeradas e jóqueis estão próximos às baias em área circular com grade verde. Árvores e edifícios aparecem ao fundo.
Área reservada para participantes das corridas de cavalo do Jockey Club de São Paulo; turfe será mantido no hipódromo após novo acordo - Eduardo Knapp - 6.jul.2024/Folhapress

A etapa atual abrange ainda a quitação de débitos do clube inscritos na dívida ativa após a adesão a edital de descontos de até 90% em multas e juros, voltado a devedores que pagarem à vista e desistirem de ações de contestação.

Desse modo, o montante caiu de R$ 912,5 milhões para R$ 228 milhões, de acordo com a prefeitura. O pagamento foi viabilizado por meio de parceria do clube com o BTG Pactual, que também envolve a quitação de dívidas trabalhistas e cíveis.

O custo de implantação do parque será arcado pelo Jockey, estimado em ao menos R$ 85 milhões. Segundo a prefeitura, a área constará como cedida ao município.

O projeto inclui quadras esportivas, lago, bosque sensorial, circuito de caminhada, parques infantis, espaço pet e estrutura para eventos ao ar livre, entre outras opções de lazer.

Três imagens mostram momento de assinatura de acordo. Na primeira, duas pessoas sentadas à mesa, uma assinando documento. Na segunda, homem em pé exibe documento assinado, mulher sentada ao lado. Na terceira, homem em pé em ambiente interno com painéis ao fundo, com texto 'Pra População'.
Prefeito Ricardo Nunes postou vídeos da assinatura do termo de cooperação nas redes sociais - Ricardo Nunes no Instagram

Em vídeo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) celebrou o acordo, que chamou de um grande avanço para um equipamento que considerava como parado e um grande problema para a cidade. "Põe ele ativo, gerando emprego e renda", disse.

O acordo retoma parte de projeto de parque apresentado em 2017 pelo Jockey. O projeto é ligado aos mesmos escritórios de arquitetura e urbanismo, o Levisky Arquitetos Estratégia Urbana e o Königsberger Vannucchi.

A assinatura ocorre após anos de discordâncias e até embates entre o Jockey, a prefeitura e a Câmara Municipal, especialmente desde 2023.

O prefeito defendia a transformação integral em parque e o entendimento de que a área se tornaria de domínio municipal em caso de encerramento do turfe —diante de lei municipal de 2024 que proibia corridas de cavalos com apostas, posteriormente declarada inconstitucional pela Justiça.

Telão em ambiente interno mostra seis fotos do Jockey Club, com áreas verdes, lago e caminhos. Imagens exibem paisagens do local em diferentes ângulos e horários.
Diretoria apresentou imagens de projeto de implantação de parque no interior da pista do hipódromo durante CPI na Câmara Municipal - Reprodução/Rede Câmara SP

No evento de assinatura, a secretária municipal de urbanismo e licenciamento, Bete França, afirmou que o novo parque passou a ser considerado no planejamento da cidade. Desse modo, discute-se, por exemplo, a construção de uma passarela para ciclistas sobre o rio Pinheiros.

Jockey planeja mudanças para atrair mais sócios

O objetivo da diretoria que assumiu o clube em fevereiro é transformá-lo em um grande centro de lazer e entretenimento, com eventos de diferentes portes, comércio e atividades variadas. A inspiração advém de exemplos dos Estados Unidos, da Austrália, do Japão e de outros países.

Recentemente, o Jockey recebeu um torneio internacional de tênis, por exemplo. A estimativa é de que o espaço comporte até 14 mil frequentadores após a implantação das mudanças.

O projeto prevê o pagamento ao BTG com recursos obtidos por meio do lançamento de novos títulos de associação. Hoje, são cerca de 580 sócios, ante 8 mil nos anos 1990, de acordo com o Jockey.

Para tanto, estão previstas melhorias, a fim de valorizar os títulos. Entre mudanças planejadas, estão boulevard gastronômico, alameda comercial e novas "experiências de convivência".

Presidente do Jockey, Vicente Renato Paolillo, defendeu na Câmara Municipal que a ideia é de um "novo clube". A declaração ocorreu no dia 13, durante sessão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga suspeitas de diretorias anteriores de uso irregular de incentivos públicos para o restauro de patrimônio tombado.

Tela de apresentação exibe projeto para o Jockey Club em São Paulo com imagem aérea do local e dados sobre recuperação, novo polo e investimento de 85 milhões de reais.
Projeto prevê parque com quadras, parques infantis, lagos e outros espaços de lazer e atividades físicas - Reprodução/Rede Câmara SP

O hipódromo está na Cidade Jardim desde 1941. Com o agravamento da crise do clube, o déficit operacional foi de R$ 14,2 milhões em 2025, segundo informado pela diretoria na CPI.

A instituição está em processo de reforma do estatuto social. A diretoria receberá propostas de emendas por associados até 27 de novembro.

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