domingo, 25 de outubro de 2026

Ruy Castro - Meu pé de pau-brasil - FSP

 Em outubro de 2023, no Festival Praia Rio, um evento da prefeitura carioca no Arpoador e na Casa Laura Alvim —quatro dias de sol, bossa nova, surfe, futevôlei, gastronomia, oficina de pipas para crianças, palestras sobre sustentabilidade e outras atrações—, eu e Roberto Menescal fomos convidados a plantar pés de pau-brasil no parque Garota de Ipanema. Menescal é famoso como autor de "O Barquinho" e também como plantador de bromélias. Mas, para mim, era inédito. Já tendo plantado livros e filhas, era o que me faltava. Munido de pá, adubo e regador, depositei a muda em seu canteiro e me senti como se, de repente, fizesse parte da mata atlântica.

Tom Jobim já dizia nos anos 1980: "O Brasil é o único país com nome de árvore, e essa árvore não existe mais". Era uma denúncia grave, mas não muito exata. O pau-brasil ainda existia, só que rumo à extinção, reduzido a preciosos exemplares em unidades de conservação e parques nacionais. Levara 300 anos sendo derrubado, primeiro pelos europeus em busca de sua resina vermelha, ideal para colorir veludos, sedas e brocados, e, depois, por nós mesmos, que o devastamos para plantar cana-de-açúcar e café.

Custamos a desenvolver uma consciência da importância do pau-brasil e de suas irmãs nativas. E, agora, quando a mata brasileira parecia mais próxima da salvação, podemos estar de novo à mercê dos predadores, interessados somente no que ela lhes rende em troncos na horizontal.

Nesses três anos, torci por meu pé de pau-brasil, mas preferi deixá-lo em paz, crescendo à sua vontade. No último fim de semana, eu e Heloisa fomos finalmente visitá-lo no parque Garota de Ipanema. E lá estava ele robusto e frondoso, ainda infante, mas já até oferecendo sombra para uma feliz família de gatos. Fiquei sabendo que poderá chegar a 30 metros. Gerará cachos amarelos e uma pétala vermelha, e alimentará a terra.

Não sei o que espera pelo Rio e pelo Brasil nos próximos tempos, mas pretendo lutar por meu pau-brasil e seu entorno. Minha única arma é a palavra.

Homem de camiseta preta e shorts claros aparece agachado segurando uma muda de árvore com placa informativa ao lado. Em outra foto, ele está em pé ao lado da árvore já plantada, em área com vegetação e rochas ao fundo.
Ruy Castro plantando um pé de pau-brasil em 2023 (esq.); a árvore hoje - Heloisa Seixas

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