Em outubro de 2023, no Festival Praia Rio, um evento da prefeitura carioca no Arpoador e na Casa Laura Alvim —quatro dias de sol, bossa nova, surfe, futevôlei, gastronomia, oficina de pipas para crianças, palestras sobre sustentabilidade e outras atrações—, eu e Roberto Menescal fomos convidados a plantar pés de pau-brasil no parque Garota de Ipanema. Menescal é famoso como autor de "O Barquinho" e também como plantador de bromélias. Mas, para mim, era inédito. Já tendo plantado livros e filhas, era o que me faltava. Munido de pá, adubo e regador, depositei a muda em seu canteiro e me senti como se, de repente, fizesse parte da mata atlântica.
Tom Jobim já dizia nos anos 1980: "O Brasil é o único país com nome de árvore, e essa árvore não existe mais". Era uma denúncia grave, mas não muito exata. O pau-brasil ainda existia, só que rumo à extinção, reduzido a preciosos exemplares em unidades de conservação e parques nacionais. Levara 300 anos sendo derrubado, primeiro pelos europeus em busca de sua resina vermelha, ideal para colorir veludos, sedas e brocados, e, depois, por nós mesmos, que o devastamos para plantar cana-de-açúcar e café.
Custamos a desenvolver uma consciência da importância do pau-brasil e de suas irmãs nativas. E, agora, quando a mata brasileira parecia mais próxima da salvação, podemos estar de novo à mercê dos predadores, interessados somente no que ela lhes rende em troncos na horizontal.
Nesses três anos, torci por meu pé de pau-brasil, mas preferi deixá-lo em paz, crescendo à sua vontade. No último fim de semana, eu e Heloisa fomos finalmente visitá-lo no parque Garota de Ipanema. E lá estava ele robusto e frondoso, ainda infante, mas já até oferecendo sombra para uma feliz família de gatos. Fiquei sabendo que poderá chegar a 30 metros. Gerará cachos amarelos e uma pétala vermelha, e alimentará a terra.
Não sei o que espera pelo Rio e pelo Brasil nos próximos tempos, mas pretendo lutar por meu pau-brasil e seu entorno. Minha única arma é a palavra.

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