Cerca de 80 vezes mais potente que o CO2 na retenção de calor na atmosfera — num horizonte de 20 anos —, o metano (CH4) é subestimado nas estratégias para conter as mudanças climáticas, de acordo com diagnóstico das Nações Unidas. No final de junho, o então secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou uma mobilização na tentativa de colocar o gás de efeito estufa (GEE) no centro da ação climática com horizonte até 2030, já que as previsões indicam aumento ao invés de redução nas emissões. A análise é que o principal obstáculo a ser superado não é tecnológico, mas político. Um exemplo vem justamente da indústria de óleo e gás: cerca de 75% das emissões de metano provenientes do setor podem ser evitadas com tecnologias existentes, frequentemente a um custo baixo ou até mesmo negativo. No entanto, só em 2025, cerca de 167 bilhões de metros cúbicos de gás foram lançados na atmosfera – o equivalente ao consumo anual da África. O Sistema de Alerta e Resposta ao Metano do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) emitiu mais de 5 mil alertas em 33 países, mas a taxa de resposta global é de apenas 12%. |
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