sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O gás subestimado - EIXOS

 

Cerca de 80 vezes mais potente que o CO2 na retenção de calor na atmosfera — num horizonte de 20 anos —, o metano (CH4) é subestimado nas estratégias para conter as mudanças climáticas, de acordo com diagnóstico das Nações Unidas.
 
No final de junho, o então secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou uma mobilização na tentativa de colocar o gás de efeito estufa (GEE) no centro da ação climática com horizonte até 2030, já que as previsões indicam aumento ao invés de redução nas emissões.
 
A análise é que o principal obstáculo a ser superado não é tecnológico, mas político.
 
Um exemplo vem justamente da indústria de óleo e gás: cerca de 75% das emissões de metano provenientes do setor podem ser evitadas com tecnologias existentes, frequentemente a um custo baixo ou até mesmo negativo.
 
No entanto, só em 2025, cerca de 167 bilhões de metros cúbicos de gás foram lançados na atmosfera – o equivalente ao consumo anual da África. 
 
O Sistema de Alerta e Resposta ao Metano do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) emitiu mais de 5 mil alertas em 33 países, mas a taxa de resposta global é de apenas 12%.

COP31: Europa quer tratado de não proliferação de fósseis 

Emissões de metano à parte, o Parlamento Europeu também fechou nesta quinta sua posição para a COP31, centrada em três prioridades: transição para longe dos fósseis, financiamento e adaptação.
 
A resolução aprovada por aclamação dos eurodeputados aponta 2025 como um dos anos mais quentes já registrados e a Europa como o continente que aquece mais rapidamente.
 
Eles argumentam que “UE não pode se dar ao luxo de desacelerar suas ações climáticas” e enxergam que o bloco está “no caminho certo para uma redução de 54% nas emissões até 2030”, caso os Estados-Membros cumpram os planos existentes. 
 
Por outro lado, a própria resolução traz dados do sistema Eurostat que mostram alta de 1% nas emissões entre 2024 e 2025. 
 
É diante deste cenário que os parlamentares da UE pretendem defender em novembro negociações para um tratado de não proliferação de combustíveis fósseis e para planos com prazos definidos para a eliminação gradual dos subsídios e da produção de combustíveis fósseis.
 
A posição oficial também indica um apelo para que o próprio bloco dê o exemplo, com um roteiro para eliminação gradual de petróleo, gás e carvão de toda a sua economia. França, Países Baixos e Alemanha já entregaram seus mapas do caminho.

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