A maioria das eleições, na maioria dos países, não deveria importar muito, nem mesmo para os brasileiros preocupados e patriotas.
Não importa muito, por exemplo, que Giorgia Meloni, da classe trabalhadora, seja a primeira mulher eleita primeira-ministra da Itália, vinda de conhecidos partidos neofascistas. Embora seja firmemente conservadora em questões sociais e migratórias, é interessante notar que desde que assumiu (2022) tem governado muito bem, até mesmo na opinião dos italianos antifascistas. É uma conservadora do tipo "Deus, pátria, família". "Se eu fosse britânica, seria uma ‘tory’ [seguidor do Partido Conservador]", disse. Ela admira o falecido teórico político conservador Roger Scrutton. Ao contrário de alguns políticos que alegam conhecimento teórico, ela parece que realmente o leu.
Tudo bem. Ou não. Escolha sua visão. De qualquer modo, isso não importa muito para os brasileiros.
Mas as eleições nos EUA, em 3 de novembro, para toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado, importam para o mundo todo.
Gostaria que não fosse assim. Fico feliz que a economia do meu país seja rica, e recomendo que outros adotem as atitudes que a fizeram assim. A consequência econômica é que, se os EUA pegam um resfriado, o mundo pega pneumonia. Pena, mas não.
Entretanto, lamento muito que hoje os EUA sejam governados de uma maneira tão descuidada, corrupta e até mesmo maluca. Donald Trump, neste segundo mandato, desprezou as pessoas de bom senso que o cercavam no primeiro. Isso é um fato. Mesmo que você seja conservador, não deveria aprovar. Baseado unicamente na lealdade ao seu impulso da semana, Trump nomeou pessoas que quase todos consideram incompetentes em suas funções.
Meloni sabe administrar um governo conservador. Trump não. Ele administrou mal suas empresas. Agora, seu governo.
Em uma perspectiva de longo prazo, gostaria que o governo dos EUA —e o do Brasil— fosse muito menor, para que não importasse muito como fosse administrado. Governar, sendo necessariamente o exercício da coerção de cima para baixo, em vez da escolha individual de baixo para cima, é intrinsecamente perigoso. Necessário, mas perigoso.
Apenas a falsa alegação de governantes e da maioria dos teóricos de que a escolha de baixo para cima, feita por você e por mim, tem muitas imperfeições terríveis mantém o governo sempre crescendo.
Thomas Paine, revolucionário inglês do liberalismo primário em sua origem, escreveu, em 1776, que "a sociedade, em qualquer estado, é uma bênção, mas o governo, mesmo em seu melhor estado, é apenas um mal necessário; em seu pior estado, um mal intolerável". A teórica política liberal moderna Judith Shklar, de Harvard, defendeu um "liberalismo do medo" —medo do governo. Exatamente.
Os congressistas republicanos deixaram Trump fazer isso. Mas parece que muitos, mesmo na pequena maioria de eleitores que escolheu Trump, perceberam que governar não é um reality show e ficarão em casa em 3 de novembro ou punirão ativamente os republicanos.
Os democratas são estatistas, assim como a maioria dos republicanos, e não aprovo isso. Mas o estatismo maluco é pior que o estatismo comum.
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