quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Ruy Castro - Trump vs. trans, FSP

 O déspota americano Donald Trump proibiu as atletas trans de competirem nas categorias femininas dentro dos EUA. As entidades de direitos civis já protestaram e os órgãos internacionais do esporte também. Se cada país tiver regras próprias não será possível haver eventos como a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos —que, não por acaso, terão suas próximas versões sediadas nos EUA. Trump não quer saber da possibilidade de elas serem transferidas ou de os EUA serem banidos das competições. Confia em seu bullying à base de murros e ofensas.

Mas, nesta, ele pode se dar mal. A perseguição aos trans ameaça atingir uma instituição cara ao povo americano: a vida íntima de alguns de seus amados heróis dos quadrinhos e do cinema. Durante décadas, eles exerceram uma sexualidade ambígua, que as pessoas desconheciam. Com a estupidez de Trump, no entanto, ela pode sair do armário, e já não será sem tempo.

Quem diria, por exemplo, que Minnie Mouse, a rata de Walt Disney, é Mickey Mouse em travesti? É só observar: Minnie é Mickey de vestido de bolinhas, fita no cabelo e cílios postiços. As luvas de ambos têm quatro dedos e eles nunca aparecem juntos no mesmo quadrinho. E se o pato Donald não for um pato, mas um marreco, e, aliás, uma... marreca? Os patos têm uma membrana vermelha no bico, que Donald não tem. E só as marrecas têm aquele rabicho ondulante de Donald. Como se explica?

Fácil. Nos anos 1940, Walt era detestado pelos empregados de seu estúdio. Mau patrão, recusava-se a dar o crédito aos verdadeiros criadores de seus personagens para que todos pensassem que era ele quem os desenhava. O Mickey travesti pode ter sido uma vingança de seu desenhista, Ub Iwerks; o Donald-marreca, de Carl Barks.

E a Chita do Tarzan? O personagem era fêmea, mas o macaco-ator era macho. O bravo Rin-Tin-Tin era uma cadela e a doce Lassie, um cachorro. O que dirá o transfóbico Trump ao saber que Mickey, Minnie, Donald, Chita, Rin-Tin-Tin e Lassie pertencem ao grupo LGBTQIA+?

MÍDIA O YouTube agora é a nova TV, The News

 

O YouTube agora é a nova TV

(Imagem: Freepic | Reprodução)

Pela primeira vez na história, o YouTube está sendo mais assistido na TV do que nos celulares em algum país do mundo — no caso, nos EUA.

Os espectadores americanos estão gastando de mais de 1 bilhão de horas somadas por dia assistindo algo do YT na televisão.

Nos últimos anos, o YouTube também ultrapassou o Netflix e todos os outros serviços de streaming. Um dos principais motivos foi a sequência de ajustes no aplicativo para TV — que parecem simples, mas fazem diferença:

  • Comentários e descrições agora aparecem na tela sem interromper o vídeo.

  • Criadores podem adicionar "temporadas" para facilitar a navegação por séries de vídeos.

  • O recurso Watch With permite que criadores comentem eventos ao vivo.

Enquanto o modelo tradicional se baseia em grades fixas e pouca interação, o YouTube coloca podcasts, transmissões ao vivo e até mesmo os Shorts no mesmo patamar de séries, esportes e talk shows.

As versões Premium (sem anúncios) e a Music (concorrente do Spotify) já ultrapassam 100 milhões de assinantes.

📺️ Ontem, o clássico Corinthians e Santos foi assistido por mais de 3M de pessoas ao vivo na Cazé TV. Na semana passada, a waffle TV inaugurou seu estúdio na Faria Lima com o programa diário Estamos em Outra e está virando febre entre a Gen Z.


A DIMENSÃO HUMANISTA DOS PROFISSIONAIS DA ENGENHARIA, por Alvaro Rodrigues do Santos

 A Técnica e a Tecnologia não podem ser frias e estanques diante da vida humana. Há

muitos riscos no exercício dessa dissociação, e que já trouxeram desgraças imensas à

Humanidade.

Choca-me e consterna-me perceber colegas de profissão incapazes de se encantar diante

de uma música, de uma pintura, de um livro, de um poema, alguns até achando que esse

sentimento do deslumbramento diante do belo seja mais próprio a intelectuais, gays ou

malucos. Sem essa dimensão humana da Vida a quem dedicarão suas habilidades, por

que crivos de julgamento submeterão suas decisões técnicas?

Vejo a Técnica e a Tecnologia, enfim o Conhecimento Técnico-científico, como

instrumentos do processo civilizatório maior da espécie humana, assim nunca podendo

ser utilizados com objetivos alheios a essa maravilhosa dimensão. O próprio

equacionamento físico e matemático das soluções tecnológicas adotadas responderá

sempre às visões que o profissional tenha sobre o mundo e a sociedade dos Homens. E

essas soluções deverão servir, não limitada e falseadamente a interesses locais de lucro ou

qualquer outra mesquinhez, mas sempre a uma entidade impessoal e maior, a

Humanidade.

Em resumo, o que nos falta hoje é justamente o que por aí andam pregando como

desnecessário (ou adjetivações mais agressivas e estúpidas), qual seja a reimpregnação de

valores humanistas ao nosso ensino de ciências exatas. Um engenheiro, um físico, um

geólogo, um arquiteto, um agrônomo, um médico, etc., devem sair da Universidade

sabendo exatamente que sua ação profissional interferirá inexoravelmente com a vida de

seus semelhantes. Deverá saber, mesmo nos pequenos espaços profissionais que lhe

sobrem, que a ele se apresentarão opções de escolha sobre essa ou aquela abordagem

profissional que seja melhor ou pior frente aos referenciais de uma sociedade que tenha

como pilares os valores da dignidade espiritual e material de todos seus cidadãos. Ou

escolhas que se definirão pelo exercício da compaixão humana, atributo maior do

Homem civilizado.

Não é apenas sua competência na profissionalização técnica dos alunos que caracteriza

uma verdadeira Universidade, mas também sua capacidade complementar de os prover

de uma formação crítica e de uma visão humanista sobre o horizonte maior de suas

profissões.

Ou seja, caros amigos, as coisas devem se colocar justamente no caminho inverso dos

apelos pragmáticos e tecnicistas que hoje são comumente lançados sobre o mundo da

Educação. Na verdade, poderíamos dizer que hoje no Brasil o campo educacional das

ciências exatas pede socorro ao seu campo complementar das ciências humanas, é

preciso que os valores humanistas e iluministas voltem a fazer parte e dar sentido

humano, social e civilizatório às carreiras profissionais tidas como isoladamente do

mundo das exatas. A separação entre esses dois mundos somente interessa àqueles que

veem a sociedade humana a partir de seus próprios umbigos e, egoistamente, a partir de

seus interesses pessoais, sem qualquer preocupação de ordem humana e social. Se, ao

contrário, alimentamos uma visão social de integração e felicidade entre os seres

humanos, não poderemos nunca admitir a dicotomia e a independência entre o mundo

das ciências exatas e o mundo das ciências humanas.


Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia

Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do

Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual

Básico para Elaboração e Uso da Carta Geotécnica”, “Cidades e Geologia”

Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente