segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Na novilíngua da extrema direita, matar é 'neutralizar', Alvaro Costa e SIlva, FSP

As romarias ao presídio de El Salvador —custeadas com dinheiro público, a última contagem estava em R$ 400 mil— são a principal diversão de deputados, senadores e governadores da extrema direita. Com encarcerados no segundo plano, o registro fotográfico é indispensável à lacração nas redes. Alguns deles aparecem de braços cruzados e camisetas justas no melhor estilo "mamãe, sou forte".

Outra distração é copiar terminologias e cometer análises geopolíticas. Desde a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, a mais letal da história, não existem mais traficantes nem milicianos no Brasil. Todos são chamados de "narcoterroristas", denominação adotada por Donald Trump e Nayib Bukele, o presidente salvadorenho que governa em regime de exceção.

Nayib Bukele e Trump em encontro na Casa Branca, em 2025 - Brendan Smialowski - 14.abr.25/AFP

Tema que mais preocupa a sociedade, o combate a facções criminosas não é mais considerado uma atribuição dos governos estaduais ou do Planalto, mas equiparado a uma guerra sem quartel —daí surgindo a proposta servil de uma intervenção trumpista no país.

Na novilíngua, matar é "neutralizar". O verbo está no projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro —e questionado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF— que prevê bônus de 10% a 150% do salário para policiais civis envolvidos em confrontos com mortes. A gratificação faroeste, que remete aos cartazes de "procurado vivo ou morto", já vigorou entre 1995 e 1998, durante o governo Marcello Alencar. A média de mortes em ações policiais dobrou, e a criminalidade não deixou de crescer.

Num jogo de cena, Cláudio Castro alegou falta de verbas e vetou a proposta —veto derrubado no plenário. No entanto, anunciou a compra de fuzis, metralhadoras, drones, robôs táticos e até um helicóptero Black Hawk, com preço estimado em R$ 72 milhões.

O governador —que só agora apresentou um plano para recuperar áreas dominadas, aliás um plano bastante tímido— parece não se conformar de o Rio perder para São Paulo no campeonato de número de mortes causadas pela polícia. 

Nenhum comentário: