segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Hélio Schwartsman - A mágica de Kassab, FSP

 

São Paulo

PSD de Gilberto Kassab vai mesmo lançar candidato presidencial? Kassab é um operador político competente. Ele praticamente monopolizou o campo dos potenciais postulantes de direita e centro-direita. Estão sob as asas de sua agremiação Ratinho JúniorEduardo Leite e Ronaldo Caiado. Só Romeu Zema corre por fora pelo Novo.

O interessante é que qualquer um deles tem mais chance de derrotar Lula num eventual segundo turno do que Flávio Bolsonaro, o candidato da direita radical. O problema é justamente chegar ao segundo turno, já que há no eleitorado de 15% a 20% de bolsonaristas raiz que votam cegamente em qualquer coisa que o ex-presidente e atual presidiário indicar. Se o sobrenome proposto começar com B e terminar com O, o apelo fica irresistível. A moral da história, se é que essa história tem moral, é que é difícil para um postulante do campo conservador superar Flávio no primeiro turno. Mas difícil não é sinônimo de impossível. E o PSD não reclamaria se aparecesse uma chance de levar a Presidência com candidato próprio.

Homem de meia-idade com cabelo escuro penteado para trás, vestindo camisa polo preta, sentado em cadeira com estofado listrado em tons terrosos. Ao fundo, parede bege com dois quadros coloridos, um com padrão quadriculado multicolorido e outro em preto e branco.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, durante entrevista em sua casa na zona oeste de São Paulo - Igor Gielow - 28.jan.26/Folhapress

Existem, contudo, limites ontológicos para a atuação dessa legenda. Ao fundar a sigla em 2011, Kassab foi profético ao dizer que ela não seria de esquerda, de direita nem de centro. O PSD é uma espécie de PaSsárgaDa partidária, onde todos podem ser felizes, independentemente da ideologia que abracem. É uma agremiação em que, respeitados os feudos, lulistas e bolsonaristas convivem em relativa harmonia. A agremiação tem ministros no Planalto e Kassab é ele próprio secretário do governador Tarcísio de Freitas, um bolsonarista nada enrustido.

O PSD é também um partido de cooptação. Ele vem crescendo nas urnas, mas em boa medida por atrair para suas fileiras, às vésperas de pleitos, políticos já estabelecidos, mas que estão insatisfeitos com suas legendas. Passárgada tem o seu apelo.

Minha impressão é que a legenda até poderá entrar na corrida presidencial, mas desde que isso não ameace seu DNA desideológico que é, no fim das contas, o segredo de seu sucesso.

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