terça-feira, 4 de julho de 2023

Saiba como foi feito o vídeo com Elis Regina e Maria Rita para comercial da Volkswagen, Folha PE

 À esquerda, cena de comercial com Maria Rita e a mãe Elis Regina, em criação com uso de tecnologia de inteligência artificial; à direita, Fernanda Montenegro, em outra campanha publicitária dirigida pelo mesmo profissional

dueto inédito entre Elis Regina e Maria Rita em vídeo criado por meio de tecnologia de inteligência artificial, para um comercial em celebração aos 70 anos da marca Volkswagen — foi dirigido por Dulcídio Caldeira, nome por trás de outra campanha publicitária que também viralizou recentemente nas redes sociais. É dele a assinatura do filme que juntou a atriz Fernanda Montenegro e a pequena notável bebê Alice para uma campanha de fim de ano do Itaú Unibanco.

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Curitibano que iniciou a carreira de redator publicitário há mais de duas décadas, Dulcídio Caldeira coleciona prêmios importantes no setor e já foi laureado em Cannes — pela criação do comercial "Balões" (relembre abaixo), para a MTV Brasil, em 2011.

Com a agência Boiler, que ele fundou em 2016, Dulcídio criou campanhas emotivas (e de sucesso) com a pequena bebê Alice, criança de 3 anos que virou fenômeno na internet ao aparecer em vídeos falando palavras difíceis. Num comerciais para a mesma instituição bancária, ela divide a cena com Fernanda Montenegro (veja abaixo).

Como foi feito o vídeo com Elis Regina e Maria Rita?
A inteligência artificial proporcionou um dueto entre Elis Regina, morta há 41 anos, e a filha dela, Maria Rita, numa campanha da Volkswagen, lançada na madrugada desta terça-feira (4). Produzido para comemorar os 70 anos da empresa no Brasil, o vídeo viralizou nas redes sociais e é um dos assuntos mais comentados na internet.
 

A produção é iniciada com Maria Rita conduzindo um veículo do modelo ID.Buzz – versão moderna e 100% elétrica da Kombi – enquanto canta o clássico de Belchior "Como nossos pais", que fez sucesso na voz de Elis na década de 1970. A peça continua então com imagens de carros da empresa que marcaram gerações, como Fusca e Brasília. Até que surge uma Kombi antiga, conduzida por Elis Regina, que encosta ao lado do carro de Maria Rita para compor o dueto.

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A Volkswagen informa que utilizou a tecnologia batizada como "deepfake" para trazer Elis Regina para a campanha. A técnica, que faz uso de inteligência artificial, permite criar adulterações realistas com o rosto de pessoas.

Para que Elis aparecesse num vídeo lançado em 2023, uma atriz foi usada para se passar pela cantora dirigindo o veículo. O rosto da cantora foi inserido em seguida por cima da face da dublê, por meio de uma tecnologia de reconhecimento facial.

Segundo a Volkswagen, o processo de edição contou com a ajuda de uma tecnologia de redes neurais artificiais, que fez uma mistura entre o rosto da dublê e da imagem recriada de Elis Regina. A voz da música inserida no vídeo é original da cantora.

“É uma vergonha o Brasil importar trilhos”, diz Lula, RF

   

Bamin

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “é uma vergonha o Brasil importar trilhos com a quantidade de minério de ferro e siderúrgica que existe no país”, em seu discurso durante o ato simbólico de início das obras de conclusão da Fiol 1 (Ilhéus-Caetité, na Bahia), que aconteceu ontem (dia 3, segunda), em Ilhéus. O evento, organizado pela mineradora Bamin, concessionária do trecho, contou também com a presença do ministro-chefe da Casal Civil, Rui Costa, do ministro dos Transportes, Renan Filho, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, entre outras autoridades.

“Há 40 anos, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) fabricava trilhos, hoje não fabrica mais. Criamos a maior fábrica de dormentes do mundo quando começamos a construir a Transnordestina e hoje ela está parada. Quando começamos a fazer esse trecho da Fiol, em 2010, o país não tinha mais engenheiro ferroviário. Isso tudo é um desafio para nós”, disse Lula, fazendo uma espécie de mea culpa:

“Não estou chamando a atenção de vocês, mas sim do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, presidente desse país. É uma vergonha o Brasil importar trilhos, enquanto poderia estar sendo produzido aqui para gerar mais emprego e oportunidade de crescimento e cidadania para o nosso povo”, ressaltou. Lula afirmou ainda que a obra da Fiol entrará no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que, segundo ele, deverá ser lançado agora no mês de julho. “É de interesse da soberania nacional fazer essa (Fiol 1) e outras ferrovias, para termos um país competitivo como qualquer outro do mundo”.

Lula fez ainda um apelo para que o trecho 1 da Fiol seja finalizado em 2026, dentro do período do seu mandato. A Bamin tem afirmado que o prazo de conclusão da ferrovia ficou para 2027. “Parem de dizer que vão entregar em 2027. Façam hora extra, trabalhem final de semana, para que a gente possa inaugurá-la logo”.

O trecho 1 da Fiol foi concessionado à Bamin em abril de 2021. Foram dois anos de estudos e diligências do ativo para que então a empresa desse início às obras de finalização da ferrovia. Em abril deste ano foi assinado com o consórcio TCR-10 (Tiisa e a chinesa Crec-10) o contrato para as obras do lote 1F, de 127 km, passando pelos municípios de Ilhéus, Uruçuca, Ubaitaba, Gongogi, Itagibá, Aurelino Leal e Aiquara. O contrato está avaliado em R$ 1,1 bilhão. O trecho 1 tem no total 537 km e foi entregue para concessão pela Valec com 70% das obras concluídas.

A edição Maio/Junho traz uma reportagem completa sobre as obras na Fiol.

Durante o evento, a Bamin assinou cartas de intenção com o Banco do Nordeste e com o BNDES para avaliação de financiamento para o projeto integrado da mineradora, que inclui, além da ferrovia, a construção de um porto em Ilhéus e o escalonamento da produção na mina Pedra de Ferro, em Caetité. A obtenção de financiamento para o projeto, que tem custo total estimado em R$ 20 bilhões, é um dos desafios da empresa para os próximos anos.

Fiol até Mara Rosa

Os ministros Rui Costa e Renan Filho afirmaram em seus discursos que a Fiol 3 deverá ligar Barreiras (BA) a Mara Rosa (GO), onde fará integração com a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e com a Ferrovia Norte-Sul. No projeto original esse trecho da ferrovia sairia de Barreiras em direção a Figueirópolis (TO), onde se conectaria com a Norte-Sul. Em entrevista para a Revista Ferroviária, em abril deste ano, o secretário de Transporte Ferroviário do ministério dos Transportes, Leonardo Ribeiro, disse que a escolha do trajeto da Fiol 3 poderia ficar por conta do futuro concessionário, assim como sua construção. A ideia da pasta é concessionar num bloco único Fico e Fiol (trechos 2 e 3). A Fiol 2, de 485 km, está em obras pela estatal Infra SA.

Usuários de Ozempic dizem que pararam de pensar em comida 'o tempo todo', FSP

 THE NEW YORK TIMES

Até começar a usar o remédio para perda de peso Wegovy, os dias de Staci Klemmer giravam em torno da comida. Ao acordar, ela planejava o que ia comer. Assim que terminava de almoçar, já estava pensando no jantar. Depois de sair de seu trabalho –como professora do Ensino Médio em Bucks County, Pensilvânia–, ela frequentemente passava pelo Taco Bell ou McDonald’s para calar o que descreveu como uma voz que tagarelava em sua cabeça 24 hr por dia. Mesmo quando estava saciada, ela sentia vontade de comer.

Quase imediatamente depois da primeira dose do medicamento, em fevereiro, Klemmer sentiu os efeitos colaterais: refluxo gástrico, prisão de ventre, enjoo, fadiga. Mas os pensamentos incessantes sobre comida, batizados de "food noise" (barulho de comida, em português) se calou. Ela diz que foi como se um interruptor tivesse sido acionado em sua cabeça.

"Não fico mais pensando em tacos o tempo todo. Não sinto mais desejo de comer. Nem um pouquinho. É a coisa mais estranha."

Ilustração barulho de comida
A semaglutida pode influenciar em questões do cérebro como o pensamento excessivo em comida - Kaitlin Brito/NYT

Andrew Kraftson, professor clínico na Michigan Medicine, afirma que em seus 13 anos de experiência profissional como especialista em medicina da obesidade, seus pacientes frequentes diziam que não conseguiam parar de pensar em comida. Quando ele começou a prescrever Wegovy e Ozempic, medicamento antidiabético que contém o mesmo composto, e os pacientes começaram a usar o termo "food noise", dizendo que havia desaparecido, ele entendeu exatamente o que queriam dizer.

O termo vem ganhando popularidade com a intensificação do interesse em torno do Ozempic e outros antidiabéticos injetáveis como Mounjaro, que opera de maneira semelhante. Vídeos ligados ao explicando o que significa já foram vistos 1,8 bilhão de vezes no TikTok. E algumas das pessoas que conseguiram esses medicamentos –a despeito da falta persistente de estoque e dos altos preços— compartilharam seus relatos nas redes sociais.

QUANDO O BARULHO VAI PERDENDO VOLUME

Wendy Gantt, 56, conta que ouviu o termo "food noise" pela primeira vez no TikTok, que foi também onde ouviu sobre o Mounjaro pela primeira vez. Ela encontrou uma plataforma de saúde online e em poucas horas recebeu sua prescrição.

Gantt se recorda do primeiro dia em que começou a usar o remédio, no verão passado. "Foi uma sensação de estar livre daquele ciclo constante de pensamentos: ‘O que vou comer? Nunca estou satisfeita; nunca há o bastante.’ Foi como se alguém tivesse apagado tudo isso."

Para algumas pessoas, a escassez desses medicamentos está servindo de teste para entender como pode ser a vida com e sem os pensamentos frequentes em comida. Nas últimas semanas, Kelsey Ryan, 35, corretora de seguros de Canandaigua, Nova York, não tem conseguido comprar o Ozempic que lhe foi receitado, e o "food noise" está voltando a incomodá-la.

Não é apenas a tentação diária do sorvete cremoso. Para Ryan, o barulho também significa uma série de outros pensamentos relacionados à comida: maquinações internas sobre se ela deve ou não comer na presença de outras pessoas, especulações se as pessoas vão julgá-la por comer frango frito ou se, no caso de ela pedir uma salada, isso passará a impressão de que ela está se esforçando demais. Para ela, o Ozempic, mais que tudo, é uma maneira de silenciar o barulho da comida.

"É uma ferramenta", ela diz. "Não é um remédio mágico que oferece uma saída fácil às pessoas."

O QUE CAUSA O 'FOOD NOISE'?

Não existe definição clínica, mas os especialistas e pacientes entrevistados para este artigo concordaram que o termo resume a ruminação constante sobre comida. Alguns pesquisadores associam o conceito à chamada "fome hedonística", uma preocupação intensa em comer para a finalidade de obter prazer, e destacaram que ele pode também ser um componente do transtorno da compulsão alimentar periódica, que é comum mas muitas vezes é interpretado erroneamente.

Especialistas na medicina da obesidade têm tentado entender melhor a razão pela qual uma pessoa pode passar tempo ruminando sobre comida, afirma Robert Gabbay, diretor científico e médico da American Diabetes Association.

"Parece que isso é algo inato a algumas pessoas", diz ele. A ruminação obsessiva sobre comida é provavelmente resultante de fatores genéticos, além de exposição ambiental e hábitos aprendidos, pontua Janice Jin Hwang, diretora da divisão de endocrinologia e metabolismo da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte.

Por que algumas pessoas conseguem afastar o impulso de comer, enquanto outras ficam atoladas em pensamentos relacionados à comida? Essa é "a pergunta de um milhão de dólares", afirma Hwang.

COMO OS MEDICAMENTOS SUPRIMEM OS PENSAMENTOS?

O ingrediente ativo do Ozempic e Wegovy é a semaglutida, um composto que afeta as áreas do cérebro que regulam o apetite, diz Gabbay. A substância também leva o estômago a se esvaziar mais lentamente, de modo que quem toma o remédio se sente saciado mais rapidamente e por mais tempo. A própria saciedade pode suavizar o barulho da comida, indica ela..

Outra explicação teórica sobre o que leva o Ozempic a calar o "food noise": a semaglutida ativa receptores do hormônio GLP-1. Estudos feitos com animais mostram que esses receptores são encontrados em células de regiões do cérebro que são especialmente importantes para a motivação e recompensa, apontando para uma maneira potencial em que a semaglutida pode influenciar os desejos. É possível, embora não tenha sido comprovado, que o mesmo ocorra com os humanos, pontua Hwang.

Isso explicaria por que as pessoas que tomam o medicamento dizem que a comida deixa de lhes dar prazer –e às vezes o álcool também.

Pesquisadores continuam a investigar o funcionamento da semaglutida, como ela pode influenciar aspectos do funcionamento cerebral como este tipo de pensamento excessivo, e seu potencial de utilização para outras finalidades, como o tratamento da adição.

Staci Klemmer afirma que se preocupa com os potenciais efeitos colaterais de longo prazo de um medicamento que ela talvez use pelo resto da vida. Mas considera que o que ela recebe em troca –o fim do barulho da comida— vale a pena.

"Vale a pena encarar todos os efeitos colaterais ruins que eu possa vir a ter, para desfrutar o que sinto agora: não me importar com a comida."

Tradução de Clara Allain