terça-feira, 4 de julho de 2023

Novo modelo teórico abre caminho para supercapacitores mais eficientes, Agência Fapesp

 Pesquisa para Inovação* – Fontes de energia limpa como o Sol e o vento são renováveis, gratuitas e inesgotáveis, porém, intermitentes. Por isso, é importante contar com bons sistemas para armazenar a energia gerada, possibilitando usá-la quando necessário. E os supercapacitores podem ser peças-chave nesses sistemas, pois sua potência – a velocidade na qual armazenam (carga) e entregam (descarga) energia – supera amplamente a das baterias.

Buscando otimizar a eficiência dos supercapacitores, uma equipe de pesquisadores vinculados ao Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) apoiado por FAPESP e Shell, desenvolveu um modelo matemático que deve auxiliar a minimizar perdas indesejáveis que ocorrem dentro desses dispositivos e que são comumente desconsideradas na literatura científica. A pesquisa foi reportada em artigo publicado no periódico Electrochimica Acta.

O novo modelo é capaz de fornecer uma análise realista dos dados experimentais de um supercapacitor em que perdas internas de energia são consideradas. Mais precisamente, com esse modelo é possível quantificar de forma precisa as características eletroquímicas dos supercapacitores relacionadas à sua capacitância, que é a quantidade de carga que o dispositivo pode armazenar, e resistência, que é a oposição que oferece ao fluxo de corrente elétrica. Para isso, ele considera a presença de diferentes defeitos estruturais, como poros, fissuras e rachaduras, nos materiais que formam os eletrodos do supercapacitor.

De acordo com os autores do trabalho, o modelo poderá ajudar a projetar o material mais adequado para cada aplicação de um supercapacitor, bem como a definir as condições de síntese do material para controlar a formação de defeitos estruturais, como, por exemplo, o tamanho dos poros.

O modelo teórico foi validado pelos autores com dados experimentais. Para isso, os pesquisadores produziram eletrodos de cinco materiais diferentes e fizeram experimentos usando quatro técnicas usualmente empregadas na caracterização eletroquímica de supercapacitores: voltametria cíclica, cronoamperometria, cronopotenciometria e espectroscopia de impedância eletroquímica. A excelente concordância entre os achados experimentais e as simulações confirmou a validade do modelo.

O trabalho é fruto de uma colaboração entre grupos de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e contou com financiamento da FAPESP.

O artigo Proposal of a novel methodology for the electrochemical characterization of well-behaved redox-active materials used in supercapacitors pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0013468623006369.

* Com informações do CINE, um Centro de Pesquisa em Engenharia apoiado pela FAPESP.

Palavras-chave: Energia, capacitores, CINE, CPE, bateria, Unicamp

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Lula inaugura obra do trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, Canal Rural

 Nesta segunda-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta segunda-feira (3), o início da primeira etapa das obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), o primeiro projeto do Plano Anual de Contratações (PAC).

Essa porção da linha ferroviária tem como objetivo unir a cidade de Caetité, localizada no sudoeste do estado da Bahia, à cidade de Ilhéus, situada no sul do mesmo estado.

O trecho da ferrovia terá uma extensão de 537 quilômetros e passará por 19 municípios.

A responsabilidade pela execução das obras foi confiada à empresa Bahia Mineração (Bamin), que obteve a concessão da construção através de um leilão.

Embora o prazo para a conclusão dessa etapa seja até 2027, o presidente Lula solicitou aos empresários celeridade na entrega do empreendimento.

“Eu gostaria de fazer um apelo aos empresários: é necessário que vocês entreguem a ferrovia antes de 31 de dezembro de 2026. Se for preciso, trabalhem além do horário normal e até mesmo aos fins de semana para que possamos inaugurá-la o mais rápido possível. Caso contrário, corremos o risco de permitir que outra ‘coisa negativa’ retorne ao nosso país, e a ferrovia em questão fique paralisada novamente”, afirmou.

Além disso, Lula destacou que o país deixou de investir na formação de engenheiros especializados em ferrovias e na indústria ferroviária em si.

“O Brasil não produz mais trilhos. Na verdade, nem dormentes são fabricados aqui. Eu me recordo que criamos a maior fábrica de dormentes do mundo quando começamos a construir a Transnordestina, mas agora ela está inativa. Há 40 anos, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) produzia trilhos, mas hoje não produz mais”.

“É vergonhoso para um país do tamanho do Brasil, que deseja possuir uma extensa malha ferroviária para facilitar o transporte de sua riqueza, ter que importar trilhos de outros países. Temos uma quantidade significativa de minério de ferro e siderúrgicas em nosso território. Isso é um desafio para nós, pois o Brasil está importando trilhos quando poderia produzi-los internamente”.

Ferrovia de Integração Oeste-Leste

No total, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) será composta por três trechos, que somarão uma extensão total de 1,5 mil quilômetros.

A proposta é que a ferrovia conecte o futuro Porto de Ilhéus à cidade de Figueirópolis, no Tocantins, onde haverá a interligação com a Ferrovia Norte-Sul.

A infraestrutura em questão será utilizada para o escoamento de grandes quantidades de minério proveniente da região Sul da Bahia e de grãos oriundos da região oeste do país.

Em parceria com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o governo federal está em busca da concessão para os outros dois trechos da Fiol: a Fiol II, que ligará Caetité a Barreiras, cujas obras já estão em andamento, e a Fiol III, que vai de Barreiras a Figueirópolis, aguardando ainda a obtenção da licença de instalação.

Juliano Spyer - Por que não usar o termo 'neopentecostal' No debate público, a categoria quer dizer 'igreja , FSP

 Pouca gente, exceto sociólogos e antropólogos especializados em religião, conhece o significado de "neopentecostal". Apesar disso, o termo tem aparecido em notícias sobre política e também em debates dentro do campo religioso. Ao usar essa categoria, jornalistas sugerem ter vocabulário sofisticado enquanto confundem e desinformam a sociedade.

Desde a eleição de 2018, "neopentecostal" tem sido usado como sinônimo de "igrejas bolsonaristas". Bolsonaro recebeu apoio de líderes desse grupo, mas, curiosamente, segundo Magali Cunha, pesquisadora do Iser, não havia neopentecostais no primeiro escalão: dois ministros eram pentecostais, Marcelo Álvaro Antônio e Damares Alves, e os demais evangélicos pertenciam a igrejas históricas como a Batista e a Presbiteriana.

Vale lembrar que "neopentecostal" não é uma categoria criada pelos próprios evangélicos. Ela foi proposta pelo sociólogo Ricardo Mariano, da USP, para descrever características presentes em algumas igrejas surgidas no Brasil a partir dos anos 1970. Essas igrejas enfatizam temas como prosperidade e doutrinas de guerra espiritual e ofertam curas e exorcismos, ao mesmo tempo em que rejeitam práticas ascéticas e se afastam do estereótipo do crente "típico" que anda com a Bíblia debaixo do braço.

Mas "neopentecostal" adquiriu uma conotação negativa e pejorativa ao ser usado fora da academia. No campo evangélico, ele se tornou uma categoria acusatória. Segundo o antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ, é raro um fiel se declarar neopentecostal, mesmo que sua igreja se enquadre nesse grupo. "Normalmente essa é uma categoria de descrição do outro, o que já demonstra a desconfiança que paira sobre ele". A igreja "neo" funcionaria como um "fast-food da religião" que comercializa e vulgariza dons espirituais.

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Em círculos progressistas, uma igreja neopentecostal é frequentemente associada a pastores midiáticos, barulhentos e manipuladores e a igrejas com nomes criativos criadas nos últimos 40 anos, que atacam religiões de matriz afro, exploram quem é pobre e usam a religião com fins políticos para impor à sociedade valores conservadores e atacar o estado laico.

O termo neopentecostal é útil na academia, mas não no jornalismo. Ele exclui, por exemplo, as Assembleias de Deus, que somam 12 milhões de fiéis e também atuam amplamente no campo político. Em vez de adotá-lo, é melhor saber distinguir entre igrejas históricas e pentecostais.

E cobrar os cientistas sociais para que apresentem conceitos para a sociedade navegar por esse território novo, importante no âmbito do consumo, da produção cultural e da política.