terça-feira, 10 de março de 2026

Datafolha: Maioria dos brasileiros se informa sobre política por programas de TV e redes sociais - FSP

 A maioria dos brasileiros se informa sobre política e eleições por programas jornalísticos na televisão e por redes sociais como Facebook, Instagram e X (ex-Twitter), segundo pesquisa Datafolha.

Do total dos entrevistados, 58% dizem recorrer à TV para se informar sobre o tema, e 54% mencionam as redes sociais. Em seguida aparecem sites de notícias (26%), conversas com amigos e parentes (21%) e canais no YouTube (21%). Podcasts, programas jornalísticos no rádio e jornais impressos ou online empatam com 14% cada. O WhatsApp ou Telegram é citado por 10% dos entrevistados. Apenas 3% afirmam não recorrer a nenhum meio para se informar sobre política.

O Datafolha entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais da última terça (3) até quinta (5), em 137 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-03715/2026.

Na análise por voto declarado no segundo turno de 2022, o padrão sobre meios de informação se inverte entre eleitores do presidente Lula (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Urna eletrônica armazenada na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo - Rubens Cavallari - 22.ago.22/Folhapress

A televisão é o meio predominante entre lulistas, citada por 66% do grupo —8 pontos percentuais acima da média geral. As redes sociais aparecem em segundo lugar, com 47%. YouTube e WhatsApp ou Telegram são mencionados por 16% e 8%, respectivamente.

Eleições

  • Pesquisa

    Os resultados de uma pesquisa não são prognósticos, ou seja, não pretendem antecipar o que sairá das urnas. Eles formam um retrato da opinião dos entrevistados no momento em que os pesquisadores foram a campo.

Já entre os que votaram em Bolsonaro, as redes sociais lideram, com menções de 61% do grupo, enquanto a TV aparece em segundo, com 53%. O YouTube é citado por 28%, 12 pontos acima do que entre eleitores de Lula, e o WhatsApp ou Telegram é mencionado por 15%. Os dados sugerem maneiras de se informar distintas entre os dois campos, com o eleitorado bolsonarista mais concentrado em plataformas digitais, fora do alcance da mídia tradicional.

Padrão semelhante aparece entre os eleitores que declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente nas eleições de 2026. Nesse grupo, 63% mencionam as redes sociais como principal fonte de informação política, e 50% citam a TV. YouTube e WhatsApp ou Telegram também aparecem com 28% e 15%, respectivamente, índices próximos aos registrados entre os eleitores de seu pai no pleito anterior.

Ou seja, enquanto a base lulista permanece mais ancorada na televisão, o eleitorado ligado ao bolsonarismo segue mais disperso por plataformas digitais, ambiente em que o controle editorial é menor e a circulação de desinformação, historicamente, é maior.

O uso das redes sociais para fins políticos foi um dos pontos-chave do inquérito das milícias digitais, que deu origem à investigação sobre o plano golpista do ex-presidente Jair Bolsonaro —condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes.

No início do mês, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou novas normas que preveem mais obrigações para as plataformas de redes sociais nas eleições deste ano.

Agora, elas precisarão, por exemplo, apresentar mais relatórios sobre as medidas que estiverem tomando no contexto dos riscos eleitorais, chamados de planos de conformidade. O tribunal também proibiu o uso de conteúdo gerado ou manipulado por IA nas 72 horas anteriores até as 24 horas depois do dia de votação.

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