Se você é homem, adulto e obrigado a se vestir formalmente, com certeza já dispensou alguns minutos a observar os formatos dos colarinhos. Existe o clássico colarinho francês, com pontas médias e mais fechadas; o italiano, mais curto e com pontas abertas; o americano, de pontas longas, abotoadas à camisa; o tipo padre, com a gola pequena e em pé, exigindo quilos de goma; e o asinha ou tico-tico, com as pontinhas dobradas para fora. Todos são colarinhos brancos. Não significa que seus usuários sejam criminosos. Só alguns.
Mas, embora se fale muito nos "crimes de colarinho branco", é raro ver pessoas com colarinhos dessa cor associados aos ditos crimes. Os criminosos mais presentes na mídia usam camiseta, sem colarinho. São os mais pobres da categoria, ladrões de carteira ou de celular. Como sua ação costuma ser muito rápida, tanto no trânsito quanto numa rua escura, não precisam se preocupar com a apresentação. Sabem que suas vítimas não terão tempo para analisar seus colarinhos, donde uma camiseta comum, mesmo regata, sem mangas, será socialmente aceitável.
Os bandidos mais graduados, que portam armas pesadas, preferem o colarinho mole e casual das camisas polo, estas quase sempre amarelas ou de riscas. Têm a vantagem de expor seus bíceps sarados, produto de horas de malhação em academias ou nas instalações militares a que até havia pouco pertenciam. Não significa que os criminosos de colarinho branco não tenham esses bíceps sarados —é que costumam escondê-los debaixo do paletó, embora isso não impeça que sejam detectados pela largura dos ombros. Recomenda-se atenção na presença de um deles.
E chegamos aos elegantes criminosos nos casos hoje em voga: dos escândalos do Banco Master, das fraudes no INSS, dos desvios de emendas parlamentares, do vazamento de dados no STF, dos mandantes do 8 de Janeiro. Esses, sim, são todos de colarinho branco. Vide Daniel Vorcaro, o Careca do INSS e outros.
Não se pode confiar na alvura de seus colarinhos. São lavados junto com o dinheiro.
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