terça-feira, 26 de maio de 2026

Receita Federal retém 22 toneladas de camisas de seleções e clubes no porto de Santos, FSP

 

São Paulo

Receita Federal reteve um contêiner com cerca de 22 toneladas de materiais esportivos no porto de Santos, no litoral de São Paulo. A apreensão ocorreu no último dia 20 e inclui aproximadamente 120 mil camisas de seleções e de clubes brasileiros.

Segundo o órgão, foram encontradas camisas de seleções da Copa do Mundo, como Brasil, ArgentinaPortugalAlemanhaEspanhaJapão e México. Também havia peças de clubes brasileiros, entre eles Santos, FlamengoBotafogo, Atlético Mineiro e Portuguesa.

A fiscalização identificou ainda duas toneladas de malas na parte da frente do contêiner. O restante da carga trazia camisas esportivas. Esse formato chamou atenção da Receita por se diferenciar de outras retenções recentes, em que produtos falsificados estavam misturados a diferentes tipos de mercadoria.

Amostras das camisas retidas em Santos (SP) - Divulgação Receita Federal

Além desse caso, a Receita informou ter retido outros 15 contêineres com cerca de 75 toneladas de produtos falsificados nos últimos meses. A estimativa é de que aproximadamente 428 mil camisas esportivas estejam entre os itens apreendidos.

Na semana passada, a Receita fechou dois shoppings na região do Brás, no centro de São Paulo, durante uma operação que apreendeu camisas falsas de times de futebol, além de calçados, perfumes e cigarros eletrônicos.

O órgão estimou que a ofensiva pode resultar em cerca de R$ 300 milhões em mercadorias apreendidas ao longo de duas semanas.

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Também na última semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu mais de 200 mil figurinhas falsificadas da Copa do Mundo de 2026 dentro de um ônibus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Na ação, agentes encontraram centenas de camisas da seleção brasileira com indícios de falsificação. Segundo a investigação, o material seria distribuído na capital fluminense e em cidades da região metropolitana.


Bolsa Família: de intocável, o programa entrou na tesoura, Luciano; quanto queremos gastar?, Pedro Fernado Nery - OESP

 Ajuda, Luciano. Cortaram o Bolsa Família. O programa perdeu R$ 30 bilhões em apenas dois anos. R$ 30 bilhões é o que o Bolsa Família gastava antes da pandemia. Tiraram um Bolsa Família velho do Bolsa Família novo, e ninguém está falando disso.

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Em março, a despesa acumulada com o Bolsa em 12 meses caiu abaixo de R$ 160 bilhões. Há dois anos, eram quase R$ 190 bilhões. O Bolsa Família tem passado por sucessivos cortes reais em seu orçamento.

Claro, o programa cresceu muito na esteira da pandemia, e o mercado de trabalho melhorou. Mas, na sua história, ele jamais sofreu cortes tão significativos. Enquanto sociedade, nunca discutimos: quanto queremos gastar com o programa? De intocável, o programa entrou na tesoura.

Luciano Huck fez algum questionamento sobre as portas de saída do Bolsa Família, em um evento do Esfera
Luciano Huck fez algum questionamento sobre as portas de saída do Bolsa Família, em um evento do Esfera Foto: Werther Santana/Estadão

Ajuda, Luciano. Em 2020, o Congresso botou R$ 600 como valor da ajuda para os mais pobres diante do distanciamento social. O presidente Lula prometeu voltar o valor nas eleições. E o valor é o mesmo até agora. Nunca foi reajustado.

Se mantivesse o valor de abril de 2020 neste abril de 2026, os R$ 600 seriam R$ 840. O benefício pago a famílias pobres perdeu 30% do seu valor. Benefícios do INSS, o FAT e até o BPC são protegidos da inflação. O governo deu reajuste a servidores. O Bolsa Família não recebeu, e ninguém fala disso.

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Qual deve ser o valor do Bolsa? É outra pergunta que não fizemos. Como o silencioso corte no seu orçamento, o piso do benefício também tem sido reduzido sem ninguém perceber.

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Luciano Huck fez algum questionamento sobre as portas de saída do Bolsa Família, em um evento do Esfera. Recebeu críticas. O ímpeto dos defensores do programa poderia ser redirecionado. O governo vem cortando o orçamento e o valor real do benefício, talvez porque concorde em algum grau com questionamentos como o feito por Luciano.

A discussão deveria se dar de forma mais aberta. Para a preocupação de Huck, insisto na ideia da renda universal infantil, solução adotada por vários países que evita desestimular o trabalho de beneficiários. A vulnerabilidade da família é atestada pela presença de crianças no domicílio, não por quanto ela ganha.

Se um adulto consegue emprego, a família continua recebendo do mesmo jeito. Uma regra simples e de fácil operacionalização, que faz sentido em um país em que a pobreza está desproporcionalmente concentrada em crianças.

IBGE divulgou neste mês um alerta para a renda dos mais pobres: “apesar do expressivo crescimento acumulado no período de 2019 a 2025, nota-se, no último ano, um arrefecimento da taxa de expansão do rendimento desse grupo”. Por que não falar sobre o Bolsa Família?



Além de Vorcaro, filho 01 teme mais escândalos no Rio, Alvaro costa e Silva - FSP

 Com as provas obtidas pela Operação Unha e Carne, a Polícia Federal não tem dúvida: Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro —atualmente preso por ter obstruído a Justiça e vazado informações para o Comando Vermelho—, exerceu papel central na estrutura de poder do estado, com mais influência do que o ex-governador Cláudio Castro, a quem pretendia suceder para dar continuidade ao esquema de corrupção.

De acordo com documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal, Bacellar interferiu diretamente na escolha de cargos do primeiro escalão durante o tempo —quase seis anos— em que Castro ocupou o Palácio Guanabara. O homem forte da Alerj nomeou os titulares das secretarias de Fazenda, Educação e Assistência Social e das polícias Militar e Civil.

Desde que o cargo lhe caiu no colo, após o afastamento de Wilson Witzel, seu antigo chefe, Castro se comportou como um boneco nas mãos de Flávio Bolsonaro —que também mandava e desmandava no governo— e aceitou dividir a cadeira e a caneta com Bacellar, aproveitando para ir de jatinho, em viagens custeadas pelo estado, para eventos como o Carnaval de Salvador e a corrida de Fórmula 1 em São Paulo.

Dois homens com barba aparecem lado a lado em fotos separadas. O homem à esquerda usa óculos, terno azul e camisa azul clara, sentado em cadeira preta com fundo interno. O homem à direita veste terno preto, camisa branca e broche, com fundo desfocado azul e branco.
Ricardo Magro (esq.), dono da Refit, e o ex-governador Cláudio Castro - Divulgação e Agência Brasil

Castro, contudo, não abdicou de manobrar a máquina. Jogou fora R$ 2,6 bilhões do Rioprevidência ao investir em fundos controlados por Daniel Vorcaro, o "irmãozão" de Flávio. A PF acusa o ex-governador de facilitar operações fraudulentas da refinaria Refit, de Ricardo Magro, maior sonegador de impostos do país. As investigações indicam que agentes públicos recebiam R$ 300 mil por mês para falsificar declarações fiscais.

Na tradicional galeria de governadores fluminenses presos, falta o retrato de Cláudio Castro, o qual, dizem, já está com a moldura pronta. Enfraquecida pelo caso Dark Horse, a campanha presidencial do filho 01 tenta evitar uma contaminação. Tarefa difícil. Bacellar era o candidato ao governo; Castro, ao Senado. Desde 2018, tudo o que acontece na política corrompida do Rio passa por Flávio Bolsonaro.