sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Lula muda tom ao falar de idade e diz estar melhor aos 79 do que aos 50 anos, FSP

 Catarina Scortecci

CURITIBA e ITAGUAÍ (RJ)

O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (21) que seus exames de saúde indicaram que ele está bem e que a batida na cabeça não o tirou da política, como o "aloprado" imaginou, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Se alguém pensava, como o aloprado, que fez um plano para me matar, que eu ia parar de fazer política por causa da cabeça, eu quero dizer: se prepare que o Lulinha está melhor ao 79 do que quando ele tinha 50. E vou trabalhar para este país crescer", disse ele, em discurso no Rio de Janeiro.

Para a plateia, Lula afirmou que estava alegre, entre outros motivos, por causa do resultado dos exames realizados nesta quinta-feira (20).

O presidente Lula durante cerimônia de assinatura do contrato de concessão de terminal em Itaguaí (RJ) - Eduardo Anizelli/Folhapress

"Em setembro, eu estava cortando a minha unha sentado e caí e bati a cabeça. E foi uma batida muito forte. Eu sinceramente pensei que tinha chegado a minha hora", iniciou Lula. "Passou dois meses. Quando pensei que estava bom, voltei ao médico para fazer uma tomografia, e aí tinha piorado. Fui para São Paulo, fiz uma cirurgia para tirar o excesso de líquido, e muita gente pensou que eu ia morrer", continuou.

"Como sou amigo de Deus, falei: ‘Deus, ó, ainda não é minha hora, eu quero viver mais uns 40 anos. Deixa eu aqui, eu vou lhe ajudar, eu não sou do mal, eu sou do bem, só gosto de fazer coisa boa, sou seu representante aqui, vai por mim’. E eu estou aqui. Ontem fui fazer um check-up, cinco horas e meia dentro de um hospital. Fiz tudo que um ser humano tem que fazer", disse.

Segundo o presidente, os exames terminaram por volta das 23h30 e os médicos disseram que ele estava "com saúde de 30 e com vontade política de 20".

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"A partir de agora, quem quiser disputar comigo, tem que ir para rua. Tem que me enfrentar na rua, na porta de fábrica, na porta do estaleiro, na porta da Petrobras, na porta do Banco do Brasil, na rua conversando com o povo. Porque é para isso que eu fui eleito, para melhorar a vida do povo brasileiro", discursou Lula.

Na semana passada, durante uma entrevista, o presidente havia ponderado sobre sua idade e saúde em uma possível candidatura à reeleição em 2026. Ele afirmou que não podia mentir para si, "nem para ninguém" ao tratar do tema.

"2025 é meu ano. Agora, se eu vou ser candidato ou não… Eu tenho 79 anos, não posso mentir para ninguém nem para mim. Se eu tiver 100% de saúde, como estou hoje…", disse o petista.

Na ocasião, ele comentou os recentes problemas de saúde e afirmou que, se "tiver legal", pode ser candidato, mas que essa não é uma prioridade neste momento.

Lula participou nesta sexta de cerimônia no Porto de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro, sede de um futuro terminal de minério de ferro concedido pelo governo em dezembro, no maior leilão de concessão portuária da história.

O projeto tem previsão de investimento de R$ 3,580 bilhões. Foi concedido à Cedro Participações S.A, por R$ 1 milhão de bônus de outorga. O contrato de concessão tem 35 anos.

As obras do terminal serão iniciadas em 2027 e o início de operação está previsto para 2029.

Lula celebrou também o crescimento dos contratos do FMM (Fundo de Marinha Mercante), criado para incentivar a indústria naval brasileira mas que vem sendo usado também para financiar terminais portuários.

Em 2024, o volume contratado pelo fundo chegou a R$ 5,5 bilhões.

É o segundo evento do presidente no estado do Rio esta semana. Na segunda (17) ele esteve em Angra dos Reis para anunciar contratos de compra de navios pela Petrobras.

Com o pior índice de aprovação de todas as suas gestões, segundo pesquisa Datafolha, Lula intensificou a agenda de viagens pelo país —na semana passada, esteve também em Macapá e no Pará.

STAT OF THE DAY 1,7 trilhão

 

Esse é o número que as vendas de alimentos no Brasil atingiram em 2024Esse valor representa 10,8% do PIB do país.

Desse total, 72% correspondem ao mercado interno (R$ 918 bilhões), enquanto as exportações somaram R$ 357 bilhões.

A indústria de alimentos gerou cerca de 72 mil novos postos de trabalho e registrou um crescimento de 9,9% em comparação com 2023.

inflação de alimentos e bebidas alcançou 7,7%, impulsionada pelos industrializados, com destaque para a alta de 189% no preço do cacau.

Governo suspende subsídios ao agro do Plano Safra 24/25, The News


(Imagem: Joédson Alves | Agência Brasil)

O governo federal pegou de surpresa um dos maiores setores da economia brasileira no final do dia de ontem ao anunciar a suspensão dos subsídios em linhas de crédito para produtores rurais. A medida já vale a partir de hoje e não tem prazo definido.

Explicando… 🚜

Para incentivar o agro, visto como setor relevante para o país — tanto pela dimensão quanto por seu caráter essencial —, o governo cria linhas de crédito, financiamentos a taxas bem mais baixas que as taxas de juros comuns.

Enquanto uma empresa comum pega dinheiro emprestado no banco a uma taxa de juros próxima à Selic, para o agro, o Tesouro Nacional “cobre” boa parte desses juros, fazendo a empresa do agro pagar uma taxa bem menor — determinada pelo governo a cada safra.

A grande questão do momento 🌾

Com o aumento das taxas de juros praticadas pelo mercado, o governo começou a ter um forte aumento dos “custos de equalização de taxa de juros” nesses financiamentos — ou seja, dessa parcela da taxa que ele precisa subsidiar, “cobrir”.

  • Agora, a decisão deve impactar a boa parte de produtos que dependem de crédito subsidiado para custear operações, investimentos e expansão da produção agrícola.

Na prática, esses agricultores vão passar a pegar crédito a taxas mais altas para manter suas operações.

No fim do dia, vai ficar mais caro produzir, o que deve impactar na alta de preços de produtos que vêm do campo — principalmente alimentos.

Para se ter uma ideia, em 2024, foram R$ 400 bilhões destinados ao Plano Safra, o que representou um aumento de 10% em relação aos recursos programados no ano-safra anterior.