terça-feira, 4 de julho de 2023

Montadora chinesa BYD vai investir R$ 3 bilhões para fabricar carros elétricos na Bahia, fsp

 

SALVADOR

A montadora chinesa BYD (Build Your Dreams) anunciou oficialmente nesta terça-feira (4) a implantação de um complexo industrial para a produção de veículos elétricos em Camaçari (50 km de Salvador) com investimento de R$ 3 bilhões.

Em um ato festivo em frente ao Farol da Barra, em Salvador, com a participação do Olodum e Ilê Aiyê, a empresa chinesa celebrou a implantação daquela que será a primeira indústria de carros elétricos do Brasil. A expectativa é de geração de novos 5.000 empregos diretos, sendo 1.000 deles já na primeira fase de operação da fábrica, prevista para o quarto trimestre de 2024.

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CEO da BYD para as Américas, Stella Li, interagem com músicos do Olodum no anúncio de nova fábrica de veículos elétricos - Feijão Almeida/GOVBA

O complexo será composto por três fábricas. Uma será dedicada à produção de carros elétricos e híbridos, com capacidade estimada em 150 mil unidades ao ano na primeira fase, podendo chegar a 300 mil unidades.

A segunda fábrica vai produzir chassis para ônibus e caminhões elétricos. A terceira indústria será voltada ao processamento de lítio e ferro fosfato e atenderá ao mercado externo, utilizando-se da estrutura portuária da Bahia.

"Não estamos falando só de uma fábrica. Estamos falando de um novo modelo, de uma concepção de que vem como exigência de um novo mundo, com energias renováveis", afirmou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).

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A vice-presidente executiva da BYD e CEO da companhia para as Américas, Stella Li, definiu o investimento como um "marco para a história do Brasil".

"As novas fábricas no Brasil vão permitir a introdução e aceleração da eletromobilidade no país, um movimento chave para combater as mudanças climáticas", afirmou.

BYD apresenta compacto elétrico Dolphin no Clube Monte Líbano, em São Paulo. Carro deve ser produzido na Bahia. - Eduardo Sodré/Folhapress

O pacote de benefícios fiscais oferecido pelo governo da Bahia à montadora chinesa, semelhante ao que era concedido à Ford, inclui uma redução de 95% do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).

Nesta terça-feira, o governador Jerônimo Rodrigues anunciou ainda a isenção de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para os proprietários de carros elétricos com valor até R$ 300 mil produzidos na Bahia e que vão circular no estado.

A BYD reiterou a intenção de instalar o complexo industrial em Camaçari (BA). Há uma negociação em curso para que as fábricas ocupem local onde funcionava o antigo complexo industrial da Ford, que encerrou as atividades na Bahia em janeiro de 2021.

Rodrigues disse que acompanha as tratativas entre as duas empresas e fará todo o esforço por um desfecho positivo. Mas destacou que, mesmo que o acordo não seja concretizado, a indústria da BYD será implantada na Bahia: "Vamos encontrar uma saída".

Conselheiro da BYD no Brasil, Alexandre Baldy disse que não há entraves entre a montadora chinesa e a Ford e prometeu o anúncio de uma decisão final nos próximos dias.

O anúncio oficial da fábrica foi precedido de um encontro no Palácio do Planalto entre Stella Li e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana passada.

A possibilidade de a empresa chinesa se instalar na Bahia já vinha sendo especulada desde o início de 2021, quando a montadora americana encerrou as atividades no estado. No ano passado, o governo da Bahia confirmou a assinatura de um protocolo de intenções com a montadora.

O compacto elétrico Dolphin será ser o primeiro automóvel nacional da marca chinesa. O modelo chega ao mercado brasileiro importado da China e custa a partir de R$ 149,8 mil —o que o coloca entre os mais em conta do segmento no país.

A autonomia pode chegar perto de 400 quilômetros, mas as novas regras estabelecidas pelo Inmetro exigem uma redução de aproximadamente 30% nesse cálculo. Dessa forma, a marca chinesa afirma que o carro é capaz de rodar 291 km com uma carga completa de suas baterias.

A BYD chegou ao Brasil em 2015, quando inaugurou sua primeira fábrica de montagem de ônibus 100% elétricos em Campinas (SP). Em 2017, abriu uma segunda fábrica, também em Campinas, para a produção de módulos fotovoltaicos.

Para abastecer a frota de ônibus elétricos, a empresa iniciou, em 2020, a operação de sua terceira fábrica no Brasil, em Manaus, dedicada à produção de baterias de fosfato de ferro-lítio. Com isso, parte da infraestrutura de fornecimento de componentes já está instalada.

A BYD pretende aproveitar o parque de fornecedores estabelecido na região de Camaçari para acelerar a nacionalização dos futuros lançamentos.

encerramento das atividades produtivas da Ford no Brasil em 2021 deixou rastro de desemprego, queda na produção industrial e baque em efeito cascata na economia de Camaçari.

A cidade abrigou a primeira indústria de automóveis do Nordeste após uma longa batalha política e fiscal na década de 1990 e virou um polo de desenvolvimento nos anos seguintes.

Juca Kfouri É hora de falar de eutanásia, fsp

 Ao acompanhar de perto o sofrimento de pessoa querida que, em declaração formal registrada em cartório, pediu, plenamente lúcida, que não prolongassem sua vida, senti na pele, e na carne, como é necessária a legalização da eutanásia.

Em países como Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda, Luxemburgo e Portugal, a questão está bem resolvida e é mais que oportuno e necessário travar a discussão no Brasil.

Como ouvir, sem sentir dor, de alguém desenganado, já sem nenhuma possibilidade de remissão da doença, frases como "não me deixam morrer em paz", ou "não consigo morrer", ou, ainda, "até morrer é difícil"? Haverá algo mais desumano?

E olhe que a equipe médica envolvida no caso atendeu plenamente o chamado testamento vital registrado em cartório, mas, a partir de um certo momento, não pôde fazer mais do que os protocolos determinam.
Ou seja: estava proibida de aprofundar a sedação para evitar sofrimento psicológico, exatamente o que a atormentava, em confusão de imagens e palavras dilacerantes.

Víctor Escobar abraça seu advogado, Luis Giraldo Montenegro, horas antes realizar o procedimento
O colombiano Víctor Escobar abraça seu advogado, Luis Giraldo Montenegro, horas antes realizar o procedimento de eutanásia - Reprodução Twitter Luis Giraldo


Alguém dirá que se ainda não soubemos tratar do aborto, não será a eutanásia que entrará na pauta do país. Pode ser.

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Em nome da vida, proíbe-se a morte, embora, na verdade, apenas se prolongue a angústia do doente e dos que o acompanham.

Para quem acredita em Deus e, portanto, que só Ele determina o começo e o fim de tudo, talvez a fé amenize o desenlace para a vítima e os seus.

E para quem não acredita? E para quem considera que a qualidade da vida tem de prevalecer? Para quem vê e sente a dignidade se esvair diante da impossibilidade de comandar as necessidades mais simples? Que suplica pelo fecho e nem sequer mais tem o livre-arbítrio para resolver o que o desespera?

Não está aqui, por óbvio, nenhum doutor em direito, muito menos um filósofo. Apenas o irmão inconformado com o que testemunhou em semana inteira de angústia sem horizonte, inútil passagem, ao menos, nos derradeiros três dias.

Sem conforto algum, comunicação zero, só dor, dor e dor.

Os que permanecem passam a conviver com a ambiguidade do sentimento, porque como torcer para que vá alguém que queríamos tanto que ficasse?

Daí ser urgente dar o passo civilizatório no sentido de libertar médicos e pacientes pela vida que vale mesmo a pena ser vivida. E pela morte que deve ser morrida com suavidade, sem estraçalhar a rota dos anos percorridos.

Vida longa e morte rápida é o desejo que raramente se materializa. E se a medicina tem avançado para aumentar a expectativa de uma, pouco tem como fazer, aqui, para possibilitar a outra.

O Estado laico deve estar acima de quaisquer injunções e está obrigado a melhorar as condições de felicidade de sua gente.

Negar o direito de cada um determinar como pretende pôr cabo ao sofrimento destoa do século 21 e do Iluminismo.

Que pastores verdadeiramente humanistas não atrapalhem e parlamentares realmente comprometidos com seus eleitores marchem na direção, sem medo das patrulhas obscurantistas, de modernizar a legislação para que cada um possa escolher como fazer com a própria vida.

Impossível querer, de fato, bem ao próximo e conviver com o martírio, mais ainda se evitável.