Diego Freire, ex-assessor parlamentar dosenador Major Olímpio, deu seus primeiros passos nesta quarta-feira (7) como parte de seu tratamento após ter sido contaminado pela Covid-19.
Ele foi internado na mesma semana que o parlamentar, nos primeiros dias de março, e chegou a ficar com 75% de seu pulmão comprometido. Ele ficou cerca de três semanas intubado.
Nesta quarta-feira (7), Diego caminhou com ajuda de uma fisioterapeuta em um hospital em Brasília.
Diego Freire e o senador Major Olímpio, que morreu de Covid-19 - Arquivo pessoal
Na terça-feira (6), ele publicou uma mensagem nas redes sociais em homenagem ao senador, que morreu de Covid-19 em 19 de março.
"Perdi um bom amigo e o mundo um grande homem. Descanse em paz; sua memória será eterna, meu amigo. Que sua farta gargalhada seja inspiradora nos dias tristes aqui na Terra. Sinto que foi um grande privilégio tê-lo conhecido e ter convivido com você, e me confortam todas as lembranças que guardo de você. Para sempre lembrarei e sentirei saudades suas. Até sempre e descanse em paz amigo", escreveu.
Diego Freire dá primeiros passos durante internação por Covid-19 - Arquivo pessoal
Não basta ser terrivelmente evangélico. O chefe da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, quis provar a Jair Bolsonaro que tem uma procuração de Deus ao dizer que "os cristãos estão dispostos a morrer por sua fé". Na sessão do STF que julga a liberação de igrejas e cultos em meio à pandemia, transformou a Corte num altar religioso e de sacrifício da Constituição.
Quem não achou tudo isso uma barbaridade não enxerga o buraco obscurantista em que o Brasil se meteu. Candidatíssimo a uma vaga no Supremo, Mendonça vem atuando como advogado particular do bolsonarismo desde que era titular no Ministério da Justiça e capanga da honra do presidente. Desta vez, deixou claro que estado laico uma pinoia, só faltou jurar sobre a Bíblia.
Imagine um sujeito desse no STF, responsável pelo destino de pautas de interesse coletivo e não apenas daqueles que rezam sob sua cartilha. O teatro de Mendonça em defesa da liberdade religiosa não disfarça que religião para ele e para os interesses para os quais advoga é a cristã. "Mistura do mal com atraso" é uma boa descrição.
Uma tarte inteira perdida com uma discussão nonsense, que teve a participação de outros defensores dessa aberração, com citação ao diabo e mentiras sobre a eficácia das medidas de isolamento. Aglomerar pessoas em espaços fechados é zombar da morte no momento em que os hospitais estão lotados, não temos vacina e que já enterramos mais de 340 mil brasileiros.
Se pastores e agentes públicos que manipulam a fé alheia com interesses políticos e econômicos fossem de fato tementes, deveriam imaginar que Deus está vendo tudo isso. Mas a desfaçatez com que mandam seus fiéis para o corredor da morte é prova de que nem eles acreditam no que pregam. Nem no próprio Deus.
Enquanto perde-se tempo com cortina de fumaça, nem reza braba para que a CPI da Pandemia saia do papel. Bolsonaro agradece.
Subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo / Crédito: Gil Ferreira / Agência CNJ
A subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo afirmou que o Brasil seria o 47º país com mais mortes por Covid-19 ao relativizar os números da pandemia no país. “Gente, o Covid-19 está no mundo inteiro. Quando se lê as manchetes, parece que o Brasil é o único país do mundo que tem Covid. Parece que só no Brasil tem Covid, estou apavorada”, afirmou a subprocuradora durante sessão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
De acordo com ela, ao analisar os números relativos de mortes, e não totais, o Brasil seria o 47º país em mortes pela pandemia. “É que em números relativos e números absolutos a diferença é muito grande. Nós estamos em 47º lugar”, acrescentou Lindôra. Segundo a subprocuradora, o Brasil é um país enorme, com 220 milhões de habitantes, e “estão politizando o Covid”.
“Eu queria que, além de tudo, a gente ficasse com pesar e chorasse pelos mortos, mas não colocássemos o Brasil como o pior país do mundo. Pensem que estamos em 47º lugar. Somos um país enorme, com 220 milhões de habitantes que estão politizando o Covid”, afirmou a subprocuradora.
As afirmações da subprocuradora foram feitas durante a sessão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta quarta-feira (7/4). A discussão sobre Covid-19 surgiu no colegiado após os ministros prestarem condolências ao ex-ministro Paulo Medina, vítima do vírus no dia 3/4. Lindora Araújo é considerada uma das principais opções de substituição, no futuro, do atual procurador-geral da República, Augusto Aras.
Solução Divina
Os comentários da subprocuradora foram acompanhados por um discurso do presidente do tribunal, ministro Humberto Martins, que afirmou que “a pandemia será vencida, mas com a misericórdia divina”. O magistrado é visto como um dos cotados a ser indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Martins acrescentou que toda a população mundial está sofrendo com o mesmo vírus e, diante deste cenário, “só cabe uma coisa a fazer: dar as mãos, orar e pedir a Deus”.
“Não podemos deixar de pedir misericórdia a Deus e que com Sua palavra acabe a pandemia”, afirmou o ministro. Para ele, a população vive um momento difícil, mas “Deus está no comando de todas as coisas”.
“Temos que ter fé, amor, esperança e marchamos unidos, de mão dadas, com fé e oração. Vamos vencer essa pandemia, passar por esse momento de lágrimas e ansiedade, porque Deus é um Deus de poder e a Sua palavra tem muita força”, concluiu o ministro.
ALEXANDRE LEORATTI – Repórter em Brasília. Faz parte da equipe de Tributário, com foco na cobertura do Carf, PGFN e Receita Federal. Antes de atuar em Brasília, foi repórter do JOTA em São Paulo. Email: alexandre.leoratti@jota.info