quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O governo despejaria mais de R$ 250 bi em queijos fiscais se acreditasse na política econômica?- Celso Ming - OESP

 Queijo de graça, só o de ratoeira. Esse antigo ditado popular tem lá sua aplicação para os pacotes sucessivos de bondades eleitoreiras, supostamente de graça, distribuídos pelo presidente Lula ao longo deste ano.

Se o governo acreditasse que a política econômica fosse a maravilha que vem propagando, não teria de despejar de R$ 250 bilhões a R$ 270 bilhões em queijos fiscais para tentar convencer o eleitor a depositar seu voto no candidato Lula.

Queijo de graça, só o de ratoeira; assim como os pacotes eleitoreiros de Lula, que impõem custos para a economia, que caem na conta do contribuinte
Queijo de graça, só o de ratoeira; assim como os pacotes eleitoreiros de Lula, que impõem custos para a economia, que caem na conta do contribuinte Foto: Marcos Müller/Estadão

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Vale mencionar alguns. É a isenção do Imposto de Renda para contribuintes que ganham até R$ 5 mil mensais; são os subsídios aos combustíveis, destinados a amenizar os traumas da disparada dos preços do petróleo, que se seguiram ao fechamento do Estreito de Ormuz; o novo modelo de crédito imobiliário; o programa Reforma Casa Brasil; o da Luz do Povo, que isenta de tarifas o fornecimento de energia elétrica para população carente; o saque complementar do Fundo de Garantia; o programa Gás do Povo; o Move Brasil, para motoristas de aplicativo e linhas de crédito para compra de caminhões e ônibus; o reajuste de 15% do Bolsa Família; são os programas Desenrola para renegociação da dívida das famílias na rede bancária; e há outros programas para a indústria e exportadores.

Não entram nessa relação os R$ 61 bilhões do chamado Orçamento Secreto e das Emendas do Relator decididos ao longo de 2026, passados aos políticos que os redistribuem sem nenhuma transparência em suas bases eleitorais.

Trata-se de injeção monumental de recursos públicos ou de renúncias tributárias, que não saem de graça para a sociedade. Impõe custos severos para a economia, que caem na conta do contribuinte de várias maneiras.

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Esses pacotes trabalham contra a política monetária do Banco Central, que fica obrigado a redobrar o tamanho dos juros e, nessas condições, aumenta a dívida pública e repassa a alta dos custos do crédito para empresas e pessoas físicas.

O rombo fiscal, por sua vez, acaba por produzir avanço artificial da atividade econômica, uma das razões pelas quais o avanço do PIB não passa do chamado efeito voo de galinha.

Produzem outras distorções. Além de tirar competitividade ao etanol e ao biodiesel, os subsídios à gasolina e ao óleo diesel bloqueiam o impulso do consumidor de trocar combustível fóssil por combustível limpo.

O Desenrola, por sua vez, acabou por enredar ainda mais o orçamento das famílias em suas dívidas que, em seguida, engrossam o caudal das inadimplências.

O distributivismo proporcionado pelo reajuste exagerado do Bolsa Família é um dos fatores que explicam a redução da procura por emprego e, nesse sentido, ajudam a escassear artificialmente o mercado de mão de obra.

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Enfim, esses pacotes não ficarão baratos para a sociedade. Quem sobreviver verá.

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