Precificação de carbono, paridade com o diesel, corredores de abastecimento e integração de resíduos ajudam a formar um pacote de políticas para viabilizar o uso de biometano em frotas pesadas, aponta um estudo recém lançado pelo Instituto MBCBrasil.
Elaborada com participação de pesquisadores da USP, Universidade Federal de Itajubá, Instituto Agronômico de Campinas e Instituto Mauá, a análise parte da experiência de mercados onde o biocombustível já se consolidou como uma das soluções de descarbonização do transporte terrestre.
"Levantamos evidências de dezenas de fontes internacionais e nacionais com o objetivo de demonstrar como o biometano pode impulsionar a transição energética no transporte terrestre em escala global. O retrato é consistente: o combustível é uma solução madura, viável e com benefícios sistêmicos para diversos países”, conta a professora Gláucia Souza (USP), líder da IEA Bioenergy Task 39 e uma das autoras do estudo.
Produzido em cerca de 40 países, o biometano é utilizado no transporte em quase 30 mercados. Mas não se firmou como solução sozinho.
O mapeamento (.pdf) traz uma série de mecanismos que, combinados, permitiram que o gás renovável pudesse conquistar um papel relevante na matriz.
E elenca aquelas mais promissoras para o contexto brasileiro.
“Dentro desse cenário mundial, o Brasil se destaca pela escala, mas a grande oportunidade do país não é apenas produzir o combustível, e sim liderar o fornecimento de tecnologia, equipamentos, engenharia e soluções integradas desenvolvidas aqui para outros mercados que buscam se descarbonizar", diz Souza.
Uma delas é a precificação de carbono. O documento defende que a negociação de créditos baseada na intensidade de carbono seja combinada a de créditos emissões de metano evitadas, a partir de matérias-primas como esterco e resíduos.
O RenovaBio é citado como um exemplo de “estrutura inovadora de créditos de descarbonização orientada pelo mercado”, ao passo que o Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono (LCFS, em inglês) da Califórnia é avaliado como uma forma eficaz de remunerar o biometano pela intensidade de carbono.
“Para o biometano produzido a partir de dejetos de gado leiteiro, os créditos do LCFS proporcionaram incentivos equivalentes a aproximadamente US$ 45/MMBtu, ao passo que o biometano proveniente de gás de aterro sanitário recebe cerca de US$ 4,00 a US$ 4,25/MMBtu (dependendo da contabilização da mitigação de emissões de metano)”, exemplifica.
- Vale dizer que o LCFS serviu de inspiração para a formulação do RenovaBio no Brasil.
- ABiogás quer alavancar R$ 216 bi em biogás e biometano até 2035
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