O promotor de Justiça Luiz Fernando Bugiga Rebellato, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), afirmou que presos detidos recentemente e réus sob acusação de furto e roubo de celulares contribuíram para a megaoperação contra a logística do crime deflagrada nesta quinta-feira (10).
A ação cumpre 84 mandados de busca e apreensão e outros sete de prisão temporária em São Paulo e no estado de Goiás. A Justiça também autorizou o sequestro e bloqueio de mais de R$ 5 milhões em bens e valores.
"Não é uma delação propriamente dita nem um acordo com o Ministério Público. Eles se dispuseram a contribuir e nos ajudaram a esclarecer essa dinâmica na região central, desde o momento da subtração do aparelho", disse o promotor.
Os colaboradores, segundo ele, "apontaram como é feita a subtração, para quem o aparelho é entregue e quais os principais agentes que podem desbloqueá-los". Também identificaram "os estabelecimentos comerciais que recebem e receptam esses aparelhos ilícitos".
Em troca, afirma, "eles postularam apenas medidas como progressão de regime no tempo adequado, que já é um direito deles, e a proximidade deles da residência, que também já é um direito consagrado".
Bugiga disse também que não poderia divulgar os nomes por "razões evidentes" —o sigilo dos autos e a proservação da segurança.
Até as 9h40, o balanço da operação apontava para dez pessoas detidas. Nove foram presas por força de mandados e uma, que era procurada, foi capturada durante uma abordagem.
Entre as apreensões, 453 celulares já haviam sido contabilizados. Em um dos locais, segundo a polícia, foram encontrados cerca de 5.000 aparelhos e peças. No Shopping Mundo Oriental, outros 5.000 celulares foram apreendidos. Os materiais ainda estão sendo contabilizados e podem aumentar.
Também foram recolhidos R$ 122,5 mil e US$ 268 em dinheiro, além de dois cartões bancários, três relógios e dois documentos. Em um dos casos, uma única conta-corrente teve cerca de R$ 8 milhões bloqueados.
Na área de eletrônicos, foram apreendidos quatro notebooks, nove tablets, cinco CPUs, um HD e um pen drive. Outros equipamentos ainda estavam em processo de contabilização.
O Gaeco identificou e monitorou pelo menos quatro núcleos de ilícitos dedicados à intercepção e logística de crimes com aparelhos celulares, com a meta de não apenas coibir o furto e o roubo, mas desarticular toda a estrutura do mercado paralelo.
Na ponta inicial, mais conhecida porque afeta diretamente a população, os investigadores mapearam grupos de interceptadores —motoqueiros com bags, gangues de quebra-vidros no trânsito e outros criminosos dedicados a se apropriar ilegalmente dos aparelhos nas ruas, em grupos dispersos.
No segundo núcleo, os agentes identificaram os responsáveis por desbloquear os aparelhos, acessar dados pessoais e transferir valores das contas bancárias das vítimas para contas de terceiros.
O Gaeco apurou ainda que, na etapa seguinte, os criminosos se articularam para devolver os celulares ao mercado. Era feita a alteração do IMEI, o número que funciona como identificação individual do aparelho, e a remoção de outros bloqueios técnicos. O esquema recorreria inclusive a sites hospedados no exterior.
Com essas mudanças, os aparelhos podiam ser revendidos sem vínculo aparente com o registro do crime.

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