Por que alguns economistas, incluindo eu, acreditam que uma economia funciona? Meu colega do Instituto Cato, o inglês Ryan Bourne, acredita nisso. Meu amigo da Universidade de Aix-Marselha, o francês Pierre Garello, também. Somos pessoas sérias, dispostas a ouvir a razão e os fatos.
Dedicamo-nos a encontrar e anunciar a verdade. Não acreditamos com base no que nossos oponentes chamam de "fundamentalismo", ou seja —para insultar alguns cristãos praticantes—, por motivos irracionais, sem base na razão e em fatos científicos.
O restante dos economistas —sim, até os economistas— não acredita que a oferta e a demanda funcionem como se poderia esperar, mesmo se você nunca estudou economia. Eles acreditam, pelo contrário, que muitas "imperfeições" fazem a economia funcionar extremamente mal —tanto que economistas experientes da USP precisam intervir para compensar o modo burro como os mercados de oferta e demanda funcionam.
Eles dizem que existem monopólios permanentes, grandes efeitos externos, fortes tendências ao desemprego em massa. A lista é interminável. Certa vez, compilei uma lista e, sem dificuldade, consegui pensar em nada menos que 108 "imperfeições" imaginadas no quadro-negro por economistas e antieconomistas.
O problema é que os economistas da USP, do MIT ou da LSE, e certamente não os antieconomistas, não se deram ao trabalho de apresentar a menor evidência de que essas imperfeições sejam importantes. Eles resmungam indignados que é óbvio que elas são grandes. Como fundamentalistas, não?
Bem, por que eu, depois de 84 anos neste planeta (em 11 de setembro, obrigada), a maior parte deles dedicada a refletir sobre as evidências de como as economias funcionam, discordo dos numerosos descrentes?
Por um lado, como residente de uma economia, vivo diariamente dentro de um enorme experimento que comprova que ela funciona praticamente conforme a lei da oferta e da demanda. Você também vive dentro dela. São Paulo é uma cidade enorme. Fico exausta ao dirigir por ela. Mesmo assim, todos os dias, quando você vai tomar um café da manhã, lá está ela.
Quando você quer comprar uma camisa nova, lá está ela. Se você tivesse a infelicidade de morar num país que nega veementemente as forças de mercado a ponto de torná-las ilegais, como a Coreia do Norte ou a antiga União Soviética, isso não aconteceria. Os soviéticos faziam piadas sem fim sobre isso.
Além disso, como historiadora econômica, sei, e posso mostrar inúmeras evidências, que pessoas libertas se tornam incrivelmente criativas e, consequentemente, enriquecem a si e a todos os demais de forma extraordinária. Isso aconteceu de 1776 até os dias atuais, como já mencionei diversas vezes, em uma proporção de 25 mil por cento, pela primeira vez na história. Em aproximadamente um século, se os economistas e políticos não intervierem, todos serão duas vezes mais ricos que um suíço médio hoje. Refiro-me à África. Refiro-me ao mundo todo.
Além disso, como economista com inclinação matemática e filosófica, tenho uma visão da economia como uma enorme ordem espontânea, como a língua portuguesa, a história da arte ou até mesmo o padrão da sua própria vida.
É encantador. Deixe-a funcionar.
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