Nos projetos de destruição da democracia por dentro, a luta contra o Judiciário é essencial. Em vez de fechar os tribunais, usando a força, com "um cabo e um soldado", o autocrata atual age para enfraquecer, aparelhar ou neutralizar a independência das cortes.
Exemplos não faltam de que a Suprema Corte é o alvo número 1: Hungria, Venezuela, Israel, Polônia, Turquia. A relação entre Executivo e Judiciário gera embates nos Estados Unidos, na Argentina, na Itália, na Colômbia, países que estão na rota do tsunami de extrema direita.
Em El Salvador, o presidente Nayib Bukele —modelo para as candidaturas de Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado— substituiu ministros para mudar a Constituição e se reeleger. Derrotado nas eleições de 2022, após passar todo o mandato atacando e desacreditando o Supremo, Jair Bolsonaro tentou um golpe que só não deu certo porque Exército e Aeronáutica pularam fora e, sobretudo, porque não teve o apoio dos EUA, sob Joe Biden.
Herdeiro do golpismo de Jair, o filho 01 tem hoje um ministro que lhe facilita a campanha presidencial e meio trabalho realizado diante de uma corte que resolveu se autodestruir, com conchavos, interesses não republicanos, traições, cinismo e corrupção.
Pelo menos cinco ministros se deixaram vorcarizar. Puxando a fila está Alexandre de Moraes, que combateu o presidente golpista, mas se rendeu ao empresário picareta. Suas explicações não convencem. Idem para André Mendonça, que "esqueceu" de avisar ao país que Flávio Bolsonaro é investigado por ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. Tragado pelo buraco Master, Dias Toffoli finge-se de morto.
Mensagens do celular de Vorcaro tratam de pagamentos (que seriam de R$ 500 mil mensais) destinados ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Outras revelam sua intimidade com Rodrigo Fux, filho do ministro do STF. Rodrigo, a exemplo de Flávio Bolsonaro, chama o banqueiro de "irmão".
Os amigos do rei formavam uma espécie de irmandade, que se dedicava a mamatas e surubas.
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