"Moral Economics", de Alvin Roth, é um livro delicioso que ilustra com perfeição esse tipo de dilema. Roth, Nobel de Economia de 2012, mostra que grande parte das controvérsias de nosso tempo é resultado do fato de que pessoas estão dispostas a praticar ações ou transações que são vistas como repugnantes (imorais) por uma parcela de seus conterrâneos. É o caso do aborto ou do uso de drogas para recreação.
Há uma categoria ainda mais intrigante de atividades que a maioria aceita bem, mas que se tornam controversas se envolverem trocas monetárias. É aí que entram prostituição, barriga de aluguel e comercialização de órgãos. Roth vai a fundo nesses e em outros problemas. Descreve implicações que nem imaginávamos existir. Como diferentes países têm diferentes tolerâncias e regulamentações, surgem alguns experimentos naturais que nos permitem ver essas questões com ao menos um fiapo de objetividade.
Legalizar a prostituição, por exemplo, protege as mulheres. Se os americanos não permitissem pagar por plasma, o mundo teria um sério problema de falta de hemoderivados.
Há brigas que valem a pena ser compradas, mas às vezes é melhor contemporizar. A repugnância à comercialização de órgãos é tão grande que parece bobagem insistir na criação de um mercado de rins, como o que existe no Irã. Roth conta sua experiência de ter ajudado a desenvolver um sistema de doações de rins pareadas (parentes sem histocompatibilidade encontram um par na mesma situação, mas com o qual tenham compatibilidade cruzada), que ajudou a reduzir ainda que muito modestamente a fila de transplantes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário