quarta-feira, 11 de março de 2026

Flávio Bolsonaro surpreendeu- Elio Gaspari, FSP

 A notícia não podia ser pior para o PT. Numa simulação para o segundo turno, o Datafolha mostrou que Lula (46%) e Flávio Bolsonaro (43%) estão tecnicamente empatados. A avaliação negativa do governo chegou a 40% e 49% desaprovam o trabalho de Lula. Quando se vai para a rejeição, estão novamente empatados: Lula (46%) e Flávio (45%).

Lula já surfou com sucesso em outras pesquisas e faltam sete meses para a eleição. Flávio Bolsonaro até agora jogou parado, à sombra do pai preso.

Pode-se atribuir os números do Datafolha a uma polarização que envenena as eleições desde 2018. Os números do terceiro mandato de Lula indicam que há algo de injusto nesse empate com Flávio. A economia anda de lado, mas o Brasil saiu do mapa da fome, a renda dos trabalhadores melhorou e o desemprego caiu a níveis inéditos.

Dois homens em trajes formais falam em microfones. O homem à esquerda tem cabelo branco, barba branca e usa terno escuro com gravata vermelha, sorrindo. O homem à direita tem cabelo escuro, usa óculos, terno azul e gravata azul clara, gesticulando com a mão direita.
Na justaposição de imagens, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Pedro Ladeira e Danilo Verpa/Folhapress

Uma explicação pode estar no próprio Lula. Três dias depois da divulgação do Datafolha, Lula recebeu o presidente da África do Sul e repetiu sua encíclica diplomática. Ele faz campanha no Itamaraty e tomou gosto pela autolouvação (71% dos entrevistados pelo Datafolha condenaram o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói). Ulysses Guimarães ensinava que o Itamaraty só dá votos no Burundi.

O silêncio e o absenteísmo de Lulinha começam a pesar mais para Lulão do que o encarceramento de Jair Bolsonaro para o desempenho de seu filho. Pode-se achar que há uma desproporção nesse resultado, mas assim é a vida. O silêncio de Lulinha tornou-se um peso morto para o pai.

A ascensão surpreendente de Flávio Bolsonaro será mais um estímulo para que a Faria Lima faça sua escolha. Lula recebeu Daniel Vorcaro numa brecha de sua agenda. O banqueiro foi levado ao presidente pelo ex-ministro Guido Mantega, seu consigliere. O simples fato de Mantega estar no Planalto comboiando Vorcaro seria suficiente para que os assessores de Lula dissessem que os dois seriam recebidos se a audiência tramitasse pelos devidos canais. Só a onipotência explica esse encontro. Lula acautelou-se colocando testemunhas na conversa. Sabendo o que sabia do Banco Master, Lula teria feito melhor recusando-se a receber Vorcaro.

Onipotência, na política, é prima do salto alto, e são vários os conhecedores de Brasília que se revelam surpresos com a altura do salto petista. Lula tem sete meses para calçar as sandálias da humildade.

Só o tempo explicará a decisão de Lula de atirar o ministro Fernando Haddad na frigideira de uma disputa com o governador Tarcísio de Freitas. Enquanto o governo de Lula tem 40% de avaliação negativa, o de Tarcísio tem 45% de avaliação positiva.

Lula 3.0 cultiva uma agenda internacional que coleciona o êxito da neutralização do estrago feito pelos bolsonaristas na Casa Branca, que envenenaram a relação de Donald Trump com o Brasil. A volatilidade do presidente americano recomenda que esse sucesso seja sorvido com cautela.

Flávio Bolsonaro não poderá ir longe jogando parado. Sua primeira bola de ferro será a defesa de uma anistia para o pai, rejeitada por 54% numa pesquisa de setembro de 2025.


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