O que fez e ainda faz Cláudio Castro no Palácio Guanabara? A julgar pelo relatório da Polícia Federal sobre a conduta e influência criminosas de Rodrigo Bacellar, o ex-presidente da Assembleia Legislativa que transformou o Rio de Janeiro num posto avançado do Comando Vermelho, Castro exercia uma função subalterna no esquema político-miliciano de captura das instituições. Governador de fancaria, era o serviçal da família Bolsonaro e a marionete nas mãos de Bacellar.
Indiciado pela Polícia Federal por repassar informações e oferecer proteção a integrantes do CV e tentar obstruir a Justiça, Bacellar, antes de ser preso, em dezembro (hoje está solto, com tornozeleira), era o candidato favorito de Bolsonaro ao governo do Rio de Janeiro. Para selar o acordo, ele recebeu a medalha de imbrochável. Nem precisaria do apoio de Castro para ter a máquina estadual na campanha, pois já a tinha no bolso.
Com Bacellar, a Alerj passou a exigir nomeações que por lei são prerrogativas do governador, sobretudo em comandos de batalhões da PM e em delegacias. Entre os órgãos citados em uma planilha apreendida pela PF estão Detran, Fundação Leão XIII, Faetec, hospitais. O grupo controlava a operação Segurança Presente, parceria com o setor privado.
A planilha lista cargos sob influência da "tropa do Bacellar", cerca de 27 deputados que votaram pela soltura do líder. Um dos aliados é Douglas Ruas, o secretário de Cidades e pré-candidato do PL ao governo, nome escolhido por Flávio Bolsonaro só depois de o preferido cair em desgraça. Ruas fez indicações ao DER, Detran e Fundação Leão XIII (esta última é investigada por irregularidades).
O caso Marielle, que enfim teve um desfecho no julgamento do Supremo, com a condenação de um deputado federal, um conselheiro do Tribunal de Contas e um delegado de polícia, revela apenas uma das pontas da penetração do crime organizado no Rio.
O Estado paralelo —impulsionado por quem finge combater o que na realidade representa— mira as próximas eleições para continuar avançando.

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