sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

A epidemia da solidão e a criação de um Ministério para combatê-la, Por Juliana Sonsin -

 Última atualização em 4 de julho de 2024

O jovem americano Christopher McCandless não concordava com as exigências da sociedade. Ao se ver diferente dos outros, tanto em pensamento quanto em estilo de vida, decidiu abandonar tudo o que tinha e confrontar a si mesmo numa jornada solitária e cheia de experiências. 

O livro “Na Natureza Selvagem“, escrito por  Jon Krakauer e adaptado para as telonas sob direção de Sean Penn, conta a história real desse jovem em sua viagem pelas terras estadunidenses, cujo destino era o gélido e inóspito Alaska.

“Há dois anos ele caminha pelo mundo sem telefone, piscina, carros, nem cigarros. A liberdade máxima. Um extremista. Um viajante esteta cujo lar é a estrada. E agora, depois de dois anos errando, vem a última e maior aventura. A batalha culminante para matar o falso ser interior e concluir com vitória, a revolução espiritual. Sem continuar a ser envenenado pela civilização, ele foge e caminha solitário pelo mundo para se perder em meio à natureza.”

É da natureza do ser humano viver em sociedade e ser integrado a um grupo. Isso remonta desde os primeiros passos que o homem deu na Terra: aqueles que viviam em grupo, tinham mais chances de obter caça, se esquentar nos períodos de inverno e reproduzir. A revista “Perspectives on Psychological Science publicou um estudo que levanta a hipótese da solidão ter tido um valor adaptativo para seres humanos e animais e que, assim como a fome, sede e dor, ela também pode ter a característica de alerta de reconexão com outros indivíduos a fim de aumentar nossas chances de sobrevivência e reprodução.

Mas o problema é que alguns indivíduos, por terem pensamentos e comportamentos diferentes daqueles que o grupo imprime, podem se sentir rejeitados, julgados e diferentes. Esse sentimento pode gerar uma exclusão voluntária dessas pessoas consideradas “diferentes” ou “mal compreendidas”, pelo medo da rejeição que a sociedade, munida de padrões e comportamentos previamente esperados, exige delas.

Na obra “Mal-estar na Civilização”Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, comenta justamente a exigência social que hostiliza e impõem normas ao indivíduo e, esse, sacrifica o seu eu a fim de construir uma vida social. Essas são uma das possíveis causas da solidão.

O que é solidão?

Vamos começar diferenciando dois conceitos importantes: estar sozinho não é a mesma coisa que sentir solidão. Às vezes ficar sozinho é se reconectar. Pessoas sozinhas ficam na companhia dos próprios sentimentos e pensamentos é saudável no sentido de conhecer a si mesmo e se fortalecer em meio à sociedade frenética por padrões e que nos bombardeia de informações e exigências o tempo todo. Tomar esse fôlego é importante para o autoconhecimento e para encarar o nosso eu interior.

A solidão, entretanto, é a desconexão, a ausência de pertencimento para com o mundo e com os outros. Pessoas solitárias não conseguem sentir identificação com o meio e com quem está ao seu redor, causando isolamento. 

Muitas vezes o isolamento abre espaço para transtornos psicológicos graves, como a depressão e a ansiedade. Foi partindo desse fato que a Inglaterra decidiu criar um Ministério da Solidão

O Ministério da Solidão

“A epidemia oculta” – é como o Reino Unido se referiu à solidão. Os números corroboram com o termo, já que mais de 9 milhões de pessoas dizem viver permanentemente ou frequentemente sozinhas, de uma população de 65,6 milhões, segundo a Cruz Vermelha Britânica.

Ela afeta pessoas de todas as idades e em diversas fases da vidas. A solidão na velhice é muito comum, pois com a aposentadoria e possível afastamento da família, os idosos acabam se desconectando do mundo que conheciam. Acontecimentos como a morte do parceiro ou a separação podem fazer com que esses indivíduos escolham viver na solidão. O problema também é associado a demência, mortalidade prematura e pressão sanguínea alta.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, descreveu a epidemia da solidão “a triste realidade da vida moderna”, que afeta milhões de pessoas. Além das consequências físicas, a solidão causa depressão e ansiedade em muitos casos.

Tristeza e solidão não são bons aliados. Os transtornos mentais são muito comuns nas pessoas que se sentem sós e essa condição pode ser um gatilho para as crises de síndrome do pânico, ansiedade e depressão. O Reino Unido percebeu as altas taxas de doenças mentais nas pessoas que vivem na solidão  e tomou a atitude de criar um ministério dedicado a erradicar esse mal silencioso.

Como combater a solidão?

medo da solidão é um dos pensamentos que mais assolam a mente das pessoas. O HuffPost UK listou algumas iniciativas que os governos podem aplicar para ajudar a população em como lidar com a solidão.

 Acessibilidade

A organização Sense relatou que pessoas com alguma deficiência têm mais dificuldade em fazer amizades e construir laços pois os locais públicos e privados, transportes e estrutura em geral não são pensados neles, então não têm a mesma facilidade em acessar esses lugares e, consequentemente, pessoas. 53% dos ingleses com alguma deficiência sofrem com a solidão. 

 Comunidade

Em 2017, uma pesquisa descobriu que mais de 90% das mães que passam pelo pós-parto, se sentem solitárias. 80% delas quer mais amigos, porém, 30% nunca começaram uma conversa com outra mãe que pudesse desencadear uma nova amizade. Mais de 10% de mães, ainda, disseram sofrer com a depressão pós-parto.

Terapia

Como superar a solidão? Uma das maiores aliadas dessa luta é a terapia. Solidão e psicologia, quando juntas, dão resultados positivos pois os especialistas investigam as causas da solidão e auxiliam no processo de cura das doenças mentais que podem ser causadas por ela.

Está lembrado de Chistopher Mccandless, o homem que inspirou o livro “Na Natureza Selvagem” que falamos no início do texto? Pois o personagem passou 2 anos caminhando sozinho, sem criar laços ou conviver com quem ama. A jornada, que começou com uma grande revolta perante à sociedade, terminou com uma reflexão totalmente contrária. Ele deixou uma carta com os dizeres: “A felicidade só é verdadeira quando compartilhada”. Talvez ele tenha chegado à conclusão de que ficar sozinho é diferente de sentir solidão, e sua ideia sobre o tema tenha finalmente se transformado.

Noticiário revela assustadora falta de conexão das nossas elites com a realidade, Elena Landau, OESP

 Difícil escolher um único assunto para esta coluna. O noticiário dos últimos dias revela uma assustadora falta de conexão das nossas elites com a realidade.

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café aumentou 40% no ano, e a sugestão é usar coador de pano para reutilizar o pó. Vamos tomar chafé para ajudar o País. Pode ser também “bebida sabor café”. Como o pobre anda esbanjando, a orientação é buscar opções mais baratas. A laranja está cara, troque por suco de cenoura. Façam bolonhesa com patinho, esqueçam o filé mignon. Picanha e cerveja nem pensar, seria falta de patriotismo. Viva nossas Marias Antonietas!

A culpa da inflação é da ganância dos supermercados. Tem de boicotar. O programa “Come Zero” vem aí.

Enquanto se recolhiam escombros na Igreja de São Francisco, a Casa Civil dançava em palanque ao som do novo hit de Margareth Menezes, nossa ministra da Cultura. Foi contagiada pelo vídeo da saltitante primeira-dama. Mas, é carnaval. Releve, pegue seu boné e caia na folia.

Trabalhadores foram convocados para salvar a economia: poderão tomar empréstimo consignado tendo como lastro o FGTS
Trabalhadores foram convocados para salvar a economia: poderão tomar empréstimo consignado tendo como lastro o FGTS Foto: Caixa/Divulgação

Governo e oposição deram as mãos na importante missão de afrouxar a Lei da Ficha Limpa. Esforço conjunto para piorar a cada ano o Brasil no ranking da percepção de corrupção. Bonito de se ver essa união.

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O crime organizado tomou conta do País. Combater a criminalidade não é prioridade. Deve ser porque o crime oferece serviço público para as comunidades: moradia, luz, “gatonet” etc. A pesquisa que coloca violência e corrupção como as maiores preocupações dos brasileiros deve ser fake news. AGU nela!

Os estudos prévios do Ferrogrão podem custar R$ 272 milhões. Claro que a Valec está ajudando. Essa ferrovia corta a Amazônia. E, ainda por cima, o Ibama resolveu implicar com a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Sem esses projetos, não tem COP-30.

Outra aliança legal é a de empresários com Executivo e Legislativo renovando subsídios fundamentais: Perse, desonerações da folha, jabutis bilionários na energia elétrica, Zona Franca. Pagar imposto, de jeito nenhum. É coisa de pobre.

Trabalhadores foram convocados para salvar a economia. Poderão tomar empréstimo consignado tendo como lastro o FGTS. Sacar direto do fundo, nem pensar. Vão pagar juros em cima do próprio dinheiro. Bem pensado.

A elite do funcionalismo ganha carros elétricos de presente. Está certo, afinal, alguém tem de ajudar a combater as mudanças climáticas. O prejuízo dos Correios é temporário, culpa da taxação das blusinhas, e a Ceitec vai tornar o País independente na produção de chips. Déficit não é rombo. Confia!

Comércio de etanol: Brasil exportou US$ 181,8 milhões aos EUA em 2024 e importou US$ 50,5 milhões, FSP

 O governo dos Estados Unidos anunciou novas diretrizes para a imposição de tarifas recíprocas a países que cobram impostos sobre produtos americanos.

A decisão deverá afetar diretamente o comércio de etanol entre Brasil e EUA, já que o Brasil mantém uma taxa de 18% sobre a importação do biocombustível norte-americano, enquanto os EUA, nos últimos anos, variaram entre isenção total ou uma tarifa de 2,5% para o etanol brasileiro.

Os números são do Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria Exterior.

Em 2024, o Brasil exportou 313.341 metros cúbicos de etanol para os Estados Unidos, totalizando US$ 181,8 milhões em vendas.

No mesmo período, o país importou 110.689 metros cúbicos do combustível produzido nos EUA, em um volume financeiro de US$ 50,5 milhões. O saldo da balança comercial do etanol é amplamente favorável ao Brasil.

O presidente Donald Trump assinou um memorando nesta quinta-feira (13) determinando que os EUA adotem tarifas de importação equivalentes às cobradas por outros países.

No documento, o governo cita diretamente o etanol brasileiro como um exemplo de desequilíbrio comercial, apontando que a taxação de 18% aplicada pelo Brasil prejudica os produtores norte-americanos. O novo posicionamento dos EUA pode impactar a competitividade do etanol brasileiro no mercado americano.

Além do etanol, Trump sinalizou que países do BRICS — bloco que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — poderão enfrentar tarifas mínimas de 100% caso avancem na ideia de reduzir a dependência do dólar em transações comerciais. A medida é uma resposta à tentativa dos países emergentes de buscar alternativas à moeda norte-americana.

O governo brasileiro ainda não anunciou como reagirá à nova diretriz tarifária dos EUA, mas tem buscado evitar atritos.

Repercussão

O vice-presidente da República e ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, comentou o memorando assinado por Trump.

"O memorando não é especificamente em relação ao Brasil, é mais genérico. E é natural que o governo americano queira avaliar o seu comércio exterior. O Brasil não é problema comercial para os Estados Unidos. A nossa balança comercial é equilibrada", declarou Alckmin.

"O caminho do comércio exterior é ganha-ganha. Reciprocidade não é alíquota igual, reciprocidade é onde você é mais competitivo você vende mais, onde você é menos competitivo você compra, produtos que você não tem, você adquire. Essa é a regra, e é nesse princípio que vamos trabalhar", prosseguiu.

O ministro reiterou que a intenção do governo brasileiro é manter o diálogo com as autoridades americanas, "conversando e ouvindo a iniciativa privada".