quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Brasil vê alta de mortes pela covid, mas problemas de registros dificultam prever tendência, OESP

 Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2021 | 10h00

Após mais de dois meses de quedas consistentes nos indicadores da pandemia da covid-19, o Brasil viu na última semana uma alta nos registros de casos e mortes. Em parte, a variação se deu por um problema nos registros, mas especialistas apontam que o cenário acende um alerta. O avanço das flexibilizações das medidas de isolamento social e o espalhamento da variante Delta, mais transmissível, são vistos como fatores de preocupação. 

A média móvel diária de mortes pelo novo coronavírus completou duas semanas acima de 500, patamar que chegou a ficar em 453 no início de setembro. Desde o dia 20 de setembro, o balanço de óbitos tem apresentado alta na comparação com as duas semanas anteriores. O País registrou no último dia 24, por exemplo, aumento de 21% no indicador. 

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“Infelizmente, por conta dos atrasos, a gente não tem exatamente uma certeza do que está acontecendo”, explica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Nesse contexto, ela destaca que, com a alta recente nos números, é importante acompanhar o que vai acontecer principalmente nesta semana e na próxima para entender o cenário. 

“É um momento de incerteza”, acrescenta Maciel, citando também o represamento ocorrido na segunda semana do mês por atualizações no e-SUS Notifica como determinante para o aumento na média de casos. “Os registros acabam não sendo confiáveis, não estão refletindo exatamente a realidade. É um momento de preocupação e que a gente precisa avaliar pelo menos os próximos 15 dias.”

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Atendimento a paciente com covid-19 em hospital de São Paulo. Foto: Daniel Teixeira/Estadão - 24/03/21

A epidemiologista reforça ainda que, com médias de 500, 600 óbitos, o País estaria “longe de dizer que tem uma pandemia controlada” mesmo se os números estivessem em queda e a vacinação com duas doses estivesse avançada. “Vimos que países que estavam com um porcentual maior de pessoas com duas doses estão enfrentando aumentos importantes de casos e de óbitos”, explica.

O problema nos registros começou a ser notado no meio de setembro, período em que gestores estaduais relataram problemas para realizar a notificação de diagnósticos confirmados de covid-19. A situação fez com que o balanço nacional apresentasse uma queda significativa de casos, o que foi considerado como um efeito do problema no sistema. 

A retomada das notificações regulares, por outro lado, levou a um aumento sensível nos registros, o que fez, por exemplo, que a média de novos casos passasse de 15,5 mil para 34,1 mil em dois dias. Nesta segunda-feira, o registro nacional estava em 18,5 mil. Em meio ao sobe-e-desce, especialistas têm apontado dificuldades para enxergar uma tendência clara da curva brasileira. 

Para o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, ainda é cedo para cravar que o aumento nos indicadores aponta uma nova alta. Ainda assim, ele reforça que os sinais de estabilização e até de aumento dos índices em alguns locais “acendem um sinal de alerta”. Os índices de casos e mortes, desse modo, devem ser acompanhados com cuidado. 

A queda observada por várias semanas está em risco. Vamos torcer para que a vacinação continue segurando a Delta
Pedro Hallal, epidemiologista

“A queda observada por várias semanas está em risco. Vamos torcer para que a vacinação continue segurando a Delta, mas o cabo de guerra começa a pender para o lado da variante”, acrescenta Hallal, reforçando que o represamento de dados por alguns Estados acarretou em distorções principalmente no acompanhamento de casos.

Para o diretor da Fiocruz SP e professor de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Rodrigo Stabeli, a alta na média móvel de mortes da semana passada pode ser associada à chamada “endemização” da doença. “As pessoas se acostumam com a gripe leve e, se acostumando com a gripe leve, elas não vão mais se testar”, explica Stabeli. 

Em meio a isso, ele destaca que, mesmo com a oscilação acarretada pelos registros de dados que estavam represados, que chegou a elevar a média móvel de casos em 100% no último dia 21, ainda pode haver uma subnotificação de diagnósticos positivos ainda maior neste momento da pandemia. Desse modo, há o espalhamento do vírus e, quando ele é detectado, normalmente é em pessoas cujo quadro é grave. 

“A pessoa busca um sistema de saúde já em um momento crítico, por isso que a nossa média móvel de mortalidade tem subido”, explica o pesquisador. “É importante neste momento que seja feita uma comunicação ativa, mostrando a importância da notificação de casos e incentivando que as pessoas busquem, mesmo com síndrome gripal leve, com falta de olfato ou com dor de barriga persistente, o atendimento médico."

Stabeli reforça que, enquanto não tem um sistema de notificações aprimorado, o País permanece com o risco de ser surpreendido e "ter um novo espalhamento dinâmico da doença de forma a saturar o sistema de saúde de novo”.

“Eu acho que a gente caminha às escuras”, aponta o pesquisador, explicando que a falta de notificação nos sistemas dos municípios também pode passar uma falsa percepção de queda nos indicadores. “Mesmo que os sintomas sejam leves, deve-se comunicar o fechamento do caso no aspecto clínico-epidemiológico. Essa prática tem caído”, complementa Stabeli.

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Registro de informações em unidade básica de saúde (UBS) de São Paulo. Foto: Governo de SP

Sistema apresentou problemas, dizem gestores

Secretário de Saúde do Maranhão e presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula reforça que há dois sistemas distintos no Ministério da Saúde: o e-SUS Notifica, utilizado para registrar o número de casos e outros problemas de síndrome gripal, e o Sivep-Gripe, que faz a contabilização de casos graves e óbitos.

O sistema que apresentou inconsistências por conta de mudanças foi o e-SUS Notifica, o que acabou gerando principalmente represamento de casos. “Depois da mudança na estrutura dessa ferramenta, do e-SUS Notifica, os Estados passaram a recuperar dados, tanto recentes quanto antigos”, explicou Lula. Por causa disso, ele acrescenta que seria “muito difícil” fazer uma análise em relação ao número de casos nas últimas semanas.

Para casos graves e óbitos, por outro lado, que são informados no Sivep-Gripe, Lula explica que há a possibilidade de fazer análises um pouco mais consistentes, já que, ainda que esses índices também estejam sujeitos a represamentos, tem-se uma "base mais estável". Nesse caso, o presidente do Conass destaca que o que pode ter afetado os indicadores em maior grau foi o Dia da Independência, já que feriados acarretam na diminuição do ritmo de confirmação de casos.

“É difícil comparar a situação de hoje, mas o que a gente pode considerar é que a situação da pandemia no final de setembro e início de outubro vai dar a consideração do que a gente pode ter da pandemia para frente”, explicou Lula. “As próximas semanas devem indicar se a gente vai ter ou não um recrudescimento da pandemia.”

Em São Paulo, o coordenador executivo do comitê científico que assessora o governo paulista, João Gabbardo, informou que não só os casos foram afetados neste mês pelo represamento de dados, como também os óbitos. Desse modo, ainda que o Estado passe por aumento na média móvel de vítimas há duas semanas, Gabbardo acredita que as últimas oscilações observadas nos indicadores são circunstanciais.  "Não é algo que em um primeiro momento a gente considera uma tendência", disse.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que vem implementando “melhorias no sistema e-SUS Notifica para melhor atender as ações de vigilância”. “Vale informar que o sistema está estável e não há relatos de novas ocorrências.” /COLABOROU PAULA FELIX

Unidade da Inpasa se torna a maior do Brasil em capacidade de produção de etanol, Nova Cana






Além da usina em Sinop (foto), grupo de origem paraguaia também possui uma unidade em Nova Mutum (MT) e planeja sua terceira planta em Dourados (MS)

Ontem, 27, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou que a unidade da Inpasa em Sinop (MT) opere sua planta industrial ampliada. Com isso, a usina que produz etanol feito de milho passa ser a maior em capacidade instalada do país.


O potencial diário da Inpasa saiu de 1,75 milhões de litros de etanol anidro e o mesmo volume de hidratado para 3 milhões de cada tipo de biocombustível.


Até então, a unidade que ocupava a primeira posição no ranking de capacidade de produção de etanol era a usina Sorriso, da FS Bioenergia. Também atuando com etanol de milho em Mato Grosso, ela consegue produzir até 2,5 milhões de litros de anidro e 2,6 milhões de hidratado por dia.

Em um comunicado que incluía também o início das operações em uma produtora de biometano de aterro sanitário estruturada pela empresa Zeg Biogás e Energia, a ANP afirmou que as novas autorizações “poderão auxiliar no avanço do país com relação a uma matriz energética mais limpa e renovável”.


De acordo com a Inpasa, o “grupo já é classificado como o maior da América Latina” e, agora, estaria se consolidando como o maior produtor de etanol do país. Em fevereiro, a companhia anunciou seus planos para uma usina de etanol de milho em Dourados (MS), onde estão previstos investimentos de R$ 500 milhões.


Lucas Vasconcelos – NovaCana

Bancos poderão bloquear recursos do Pix por 72 horas em caso de suspeita de fraude, OESP

 Sandra Manfrini, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2021 | 20h07

BRASÍLIA - O Banco Central publicou nesta terça-feira, 28, novas medidas que visam aprimorar os mecanismos de segurança do Pix, sistema de pagamentos. As inovações aprovadas em Resolução, publicada no BC Correio, são exclusivas do Pix. A partir do dia 16 de novembro, as instituições financeiras poderão bloquear preventivamente, em casos de suspeita de fraude, os recursos recebidos em conta de usuário pessoa física, por até 72 horas.

Segundo o BC, assim, a instituição poderá realizar "uma análise de fraude mais robusta, aumentando a probabilidade de recuperação dos recursos pelos usuários pagadores que foram vítimas de algum crime". Sempre que esse bloqueio ocorrer, a instituição deverá comunicar ao usuário recebedor da transferência pelo Pix.  

Outra medida prevista na resolução é a obrigatoriedade de notificação de infração. Hoje, essa notificação é facultativa. Além de passar a ser obrigatória, a medida amplia o uso para transações em que pagador e recebedor possuem conta na mesma instituição, por exemplo, bem como em transações rejeitadas por suspeita de fraude.

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Popularidade do Pix e aumento no número de golpes têm obrigado o BC a adotar medidas de segurança mais rígidas. Foto: Leo Souza/Estadão - 16/11/2020

"Esse mecanismo permite que as instituições registrem uma marcação na chave Pix, no CPF/CNPJ do usuário e no número da conta quando há fundada suspeita de fraude", explica o BC. As informações serão compartilhadas com as demais instituições sempre que houver uma consulta a uma chave Pix, dando mais subsídios aos mecanismos de prevenção à fraude das instituições.

Também está sendo criada uma nova funcionalidade que permitirá a consulta de informações vinculadas às chaves Pix para fins de segurança. "O objetivo é que essa consulta seja feita para alimentar os mecanismos de análise de fraude dos participantes, inclusive em processos que não estejam diretamente relacionados ao Pix. Assim, informações de notificação de fraudes vinculadas a usuários finais estarão disponíveis para todos os participantes do Pix, que poderão utilizar essas informações em seus processos como, por exemplo, abertura de contas."

Segundo o BC, essas medidas incentivam os participantes a aprimorarem cada vez mais seus mecanismos de segurança e de análise de fraudes. Todas essas novas medidas, exclusivas do Pix, entrarão em vigor no dia 16 de novembro.

No dia 23 de setembro, o BC já tinha anunciado outras medidas antifraude, o que incluía, além do Pix, outros meios de pagamento. A principal delas foi o estabelecimento de um limite de, no máximo R$ 1 mil, para operações realizadas entre 20 horas e 6 horas da manhã do dia seguinte. Essa medida deve ser implementada até 4 de outubro.

Esses limites poderão ser alterados a pedido do cliente, desde que formalizado nos canais de atendimento eletrônico. A instituição, no entanto, deverá estabelecer prazo mínimo de 24 horas e máximo de 48 horas para a efetivação da ampliação do limite das transações. Com isso, impede-se o aumento imediato em situação de risco do cliente.

Popularização

As medidas vêm na esteira do aumento do número de casos de sequestros-relâmpagos, furtos de celulares e golpes digitais por criminosos que visam acessar as contas bancárias das vítimas para roubar o dinheiro por meio de transferências do Pix. Além dos esforços do Banco Central, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e o Ministério da Justiça também planejam uma estratégia conjunta contra crimes cibernéticos. O objetivo é justamente ampliar a identificação e repressão dos responsáveis por esses tipos de crimes.

A busca por deixar o sistema mais seguro é também uma resposta à rápida adesão dos brasileiros ao Pix. Com menos de um ano de funcionamento, ele já disputa com o cartão de débito e o dinheiro em espécie como principal meio de pagamento, de acordo com pesquisa feita pela Zetta em parceria com o Datafolha.

Diante da popularização, o BC quer expandir os serviços ofertados pelo Pix, por meio das funções Pix Saque (que permitirá o saque em dinheiro em estabelecimentos comerciais) e o Pix Troco (que também permitirá o saque, mas associado a uma compra ou à prestação de um serviço). Eles estarão disponíveis a partir do dia 29 de novembro.

Veja quais são as novas medidas adotadas pelo Banco Central para dar mais segurança ao Pix:

  • Bloqueio cautelar por 72 horas:

Em caso de suspeita de fraude, o banco ou instituição que detém a conta do recebedor do pagamento poderá fazer um bloqueio preventivo dos recursos por até 72 horas. Usuário recebedor deve ser informado em caso de bloqueio;

  • Notificação de infração obrigatória:

A notificação de infração passa a ser obrigatória -- antes era facultativa. Esse mecanismo permite que as instituições registrem uma “marcação” na chave Pix, no CPF/CNPJ do usuário ou no número da conta quando há suspeita de fraude. Essas informações serão compartilhadas com as demais instituições;

  • Uso de dados para prevenção à fraude:

Será criada uma nova funcionalidade que permite a consulta de informações vinculadas às chaves Pix para fins de segurança. O objetivo é que a consulta seja feita para alimentar os mecanismos de análise de fraude;

  • Proteção dos dados:

Bancos e instituições deverão ter procedimentos de identificação e de tratamento em caso de excessivas consultas de chaves Pix que não resultem em pagamentos ou em caso de muitas consultas de chaves inválidas;

  • Responsabilização das instituições:

As instituições que oferecem o Pix têm o dever de se responsabilizar por fraudes decorrentes de falhas nos seus mecanismos de gerenciamento de riscos. As instituições devem obrigatoriamente utilizar dados das chaves Pix como um dos fatores a serem considerados para a autorização de transações.