sábado, 25 de setembro de 2021

Prefeitura de SP propõe reforma para reduzir déficit de R$ 171 bi da Previdência, OESP

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2021 | 05h00

Menos de três anos após aumentar o índice de contribuição previdenciária dos servidores públicos, a Prefeitura de São Paulo propôs à Câmara uma nova reforma ainda mais arrojada. A principal mudança será o fim da isenção para aposentadorias acima de um salário mínimo. A meta do prefeito Ricardo Nunes (MDB) é reduzir o déficit estimado em R$ 171 bilhões para R$ 60 bilhões num prazo de 75 anos. 

Para que isso aconteça, no entanto, será preciso mudar a Lei Orgânica para permitir, entre outras alterações, a cobrança de alíquota de 14% em valores pagos a todos os aposentados que ganham acima do teto e a adoção das idades mínimas previstas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS): 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, com exceção dos professores da rede. E reunir o apoio de ao menos 37 dos 55 vereadores. A estimativa da Prefeitura é de que 63.730 servidores inativos sejam afetados pela medida caso seja aprovada.

PUBLICIDADE
ctv-shu-previdencia
Servidores protestam contra reforma da Previdência de 2018; novo projeto deve sofrer resistência na Câmara. Foto: Werther Santana/Estadão

A exemplo do argumento usado pelo governo federal ao aprovar novas condições para o pagamento de aposentadorias em todo o País em 2019, a gestão de Nunes alega dificuldades para subsidiar o Instituto da Previdência Municipal de São Paulo (Iprem). A previsão para este ano é de que seja necessário o suporte de R$ 6 bilhões do Tesouro para assegurar o pagamento aos inativos e pensionistas – quase o dobro do total de investimentos previstos em melhorias para a cidade.

Em estudo que sustenta o projeto, a Prefeitura cita uma série de outros números para tentar convencer os parlamentares da urgência e necessidade da reforma. Entre eles, o aumento do número de inativos em relação ao de servidores em atividade. Em 2010, por exemplo, havia 137 mil pessoas na ativa e 78 mil aposentados e pensionistas. Já em 2020, o número dos que estavam no serviço caiu para 121 mil e o de beneficiários cresceu para 113 mil, elevando em 45% os dependentes. 

Segundo a Prefeitura, projeções preveem que essa tendência se mantenha e que, já no ano que vem, o número de aposentados e pensionistas supere o contingente de trabalhadores em atividade. Sem a nova reforma, o subsídio do Tesouro pode chegar a R$ 8,43 bilhões em 2030, bloqueando investimentos e prejudicando o custeio da máquina.

Entre as alterações propostas, a mais polêmica é a que amplia a contribuição previdenciária entre os inativos. Hoje, apenas contribuem com o sistema os que recebem acima do teto do INSS, ou seja: R$ 6,4 mil. Se o projeto passar, a alíquota de 14% será cobrada sobre os valores que superem o salário mínimo de todos os aposentados e pensionistas.

A Secretaria Municipal da Fazenda afirma que apenas essa medida alcançaria R$ 13,2 bilhões em arrecadação extra no mesmo prazo de 75 anos. Já quando se soma o resultado possível com a mudança da idade mínima, o total chegaria a R$ 51 bilhões – metade de toda a economia prevista com o projeto.

Pressão. A proposta deve ter resistência na Câmara Municipal (mais informações na página ao lado). Na última década, os prefeitos Fernando Haddad (PT) e João Doria (PSDB) chegaram a desistir de projetos que tinham o objetivo de reduzir o déficit e os subsídios anuais ao sistema. 

Bruno Covas (PSDB), por sua vez, insistiu e aprovou, sob protestos, uma primeira reforma considerada insuficiente, mas importante para iniciar o processo: em dezembro de 2018, o tucano obteve aval para aumentar a alíquota de contribuição do servidor, de 11% para 14%. 

No mesmo texto também foi criada uma entidade fechada de previdência complementar, a Sampaprev. A partir dela, quem desejar receber acima do teto de R$ 6,4 mil deve aderir ao regime extra, acrescentando nova alíquota de contribuição.

A atual proposta, segundo Nunes, tem capacidade para reduzir em R$ 111 bilhões o déficit estimado para os próximos anos. O prefeito argumenta que o projeto é resultado ainda de uma imposição derivada da reforma federal de 2019, que tornou obrigatório o equacionamento dos regimes próprios de Previdência, mediante plano com medidas aprovadas em lei.

De acordo com o emedebista, apesar de propor o fim da isenção dos inativos, seu projeto não eleva mais uma vez a alíquota de contribuição (que pode ser de até 19%), ainda que tenha autorização constitucional para fazê-lo. Nunes também ressalta que sem a aprovação da reforma, as contas da Prefeitura seguem em “risco”.

Fundo. Para o doutor em economia e colunista do Estadão Pedro Nery, o projeto é quase uma adaptação à reforma federal, que já permitiu o fim da isenção dos inativos no caso dos servidores federais. Após muita discussão, o Congresso deixou de fora Estados e Municípios e estabeleceu o prazo de 31 de dezembro de 2021 para mudanças em seus regimes próprios.

Nery destacou, no entanto, que se outro ponto proposto passar – a segregação de massas –, a Prefeitura passará a ter uma espécie de fundo para pagamento de benefícios no futuro que corre o risco de ser usado em caso de emergência. 

Nesse modelo, dois sistemas funcionam ao mesmo tempo. No primeiro, os servidores ativos têm seus benefícios recolhidos em uma espécie de poupança individual, que só passa a ser sacada na aposentadoria, mas pode ser capitalizada pelo Município. No outro, os atuais aposentados têm seus benefícios pagos com recursos públicos direcionado ao coletivo, no chamado regime de repartição, como o praticado pelo INSS.

“A segregação de massas é feita para separar grupos de servidores. Na prática, ela gera um fundo municipal que vira tentação para o governo. Imagina ter um fundo à disposição num momento de necessidade? Ele traz insegurança para o servidor que participa desse regime, Tem que ser bem pensando e discutido.”

Para oposição, projeto é ‘declaração de guerra’

A reação diante de uma nova proposta de reforma da Previdência não foi boa nem entre os vereadores da base do prefeito Ricardo Nunes. Assim como os representantes da oposição ao governo na Câmara, eles temem o impacto que o tema possa provocar em suas bases eleitorais, muitas das quais formadas por servidores públicos da educação, saúde ou segurança pública.

Para a vereadora Luana Alves (PSOL), a proposta de Nunes é uma “declaração de guerra aos servidores”. A parlamentar disse ser “impensável” tributar aposentados que recebam pouco mais que o salário mínimo, hoje em R$ 1,1 mil, no momento atual de pandemia e crise econômica. “Muitos deles são arrimo de família, sustentam uma casa com essa renda. Isso atinge mais pobres”, afirmou Luana, que também contesta a inclusão de servidores da rede indireta, que costumam ter salários menores, na proposta.

Dono da terceira maior bancada da Câmara, com seis vereadores, o PSOL deve se juntar ao PT, que tem oito representantes, para combater o projeto.

O presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), declarou que vai se reunir com os líderes para definir se criará uma comissão especial ou não.

“É claro que não dá para penalizar os níveis do funcionalismo que já recebem menos. Vai haver resistência e vamos ver se o prefeito tem mesmo base para aprovar seu projeto. Será um teste”, afirmou Antonio Donato (PT).

Reforma nas capitais

Fortaleza

Houve aumento da alíquota previdenciária de 11% para 14% (inclusive para inativos) para os servidores, e de 22% para 28% para a prefeitura.

Porto Alegre

Foram feitas alterações na idade mínima de aposentadoria – os servidores poderão se aposentar se tiverem 62 anos (mulher) e 65 anos (homem).

Recife

Reforma aumentou de 12,82% para 14% a alíquota previdenciária, além de impor idade mínima de 61 anos (mulher) e de 64 anos (homem) para aposentadoria.

Salvador

A contribuição previdenciária dos servidores ativos passou de 11% para 14%. Os inativos passaram a ser taxados também, em casos específicos.

Vitória

A idade mínima para aposentadoria dos novos servidores é de 62 anos para mulheres e de 65 anos para homens, equiparando às reformas federal e estadual

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Ruy Castro Nojo do Brasil de Bolsonaro, FSP

 

Há tempos, desde que a vacinação contra a Covid dividiu o mundo —de um lado, governantes dispostos a proteger sua população; do outro, Jair Bolsonaro decidido a matar o maior número possível de pessoas—, comecei a me perguntar como seria quando Bolsonaro tivesse de fazer uma viagem internacional. Como os serviços diplomáticos relatam a seus superiores o que acontece nos países em que estão baseados, não era segredo para nenhum chefe de Estado que Bolsonaro não apenas se recusava a se vacinar como fazia tudo para o vírus grassar no Brasil.

Fiquei a imaginar potentados como a alemã Angela Merkel, o chinês Xi Jinping e o próprio russo Vladimir Putin, para não falar do papa Francisco, sendo obrigados a receber Bolsonaro. O protocolo da OMS já tornara obrigatório o uso de máscara e o roçar de cotovelos no lugar do aperto de mãos, e, diante da notória recusa de Bolsonaro a respeitar essas orientações, não seria surpresa se aqueles líderes sentissem nojo dele.

O ser humano tem uma tendência irreprimível a demonstrar repulsa ou medo na presença de alguém suspeito de uma doença contagiosa, e não há etiqueta diplomática que atenue isso. A prova de que o nojo a Bolsonaro é um fato está em que o único governante digno de nota com quem ele conseguiu falar em sua ida à Assembleia-Geral da ONU foi o britânico Boris Johnson, hoje um líder quase de segunda divisão.

E, para azar de Johnson, o homem cuja mão ele apertou trazia um infectado em sua comitiva.
Ao saber disso, todos os diplomatas e funcionários que estiveram a um metro de qualquer brasileiro no evento da ONU foram se submeter a exame. O Brasil passou a provocar asco planetário.

Para eles, esse Brasil somos nós. Não sabem que, aqui, estamos tentando fazer a nossa parte, nos vacinando em massa —e que também nos enojamos com esse Brasil que arrota pizza e arrogância e mostra seu sórdido dedo para o mundo.


Comissão conclui votação da reforma administrativa Fonte: Agência Câmara de Notícias

 Em uma reunião que durou mais de 13 horas, incluindo alguns minutos de tensão, a Comissão Especial da Reforma Administrativa aprovou, por 28 votos contra 18, o 

Arthur Oliveira Maia observou que seu relatório garantiu a estabilidade e os direitos adquiridos dos servidores atuais. "Todas expectativas de direitos foram preservadas. Esta PEC não atinge nenhum servidor da ativa", comemorou.

Entre as principais inovações mencionadas pelo relator estão a avaliação de desempenho de servidores e as regras para convênios com empresas privadas.

Apesar da obstrução dos deputados da oposição, o relator reconheceu que seu parecer aproveitou as contribuições de vários parlamentares contrários à proposta. "Este texto não é do Poder Executivo, mas uma produção do Legislativo. Apesar das posições colocadas aqui de maneira tão virulenta, é uma construção coletiva", disse o relator.

Convênios
A sétima e última versão do substitutivo de Maia retirou algumas concessões que haviam sido feitas à oposição. Entre elas, o relator manteve os instrumentos de cooperação com empresas privadas. Esta era uma das principais críticas da oposição, que entende que os convênios podem desviar recursos da Saúde e da Educação, aumentar o risco de corrupção e prejudicar a qualidade de serviços públicos.

De acordo com a proposta, a cooperação com órgãos e entidades públicos e privados pode compartilhar a estrutura física e utilizar recursos humanos de particulares, com ou sem contrapartida financeira. "O que se quer é lucro com dinheiro da Educação. As pessoas pobres não vão poder pagar pelo serviço público", teme o deputado Rogério Correia (PT-MG).

Já o deputado Darci de Matos (PSD-SC) rebateu que ninguém vai cobrar mensalidade de creche ou escola. "O setor privado quer dar sua contribuição. A cooperação do setor privado com o serviço público é o que há de mais moderno no mundo. Não tem nada de errado nisso", ponderou.

Temporários
Outro ponto polêmico foram as regras para contratações temporárias, com limite de até dez anos. O relator destacou que os contratos temporários terão processo seletivo impessoal, ainda que simplificado, e os contratados terão direitos trabalhistas. O processo seletivo simplificado só é dispensado em caso de urgência extrema.

A oposição teme que os contratos temporários levem à redução do número de servidores concursados. "O contrato temporário tem que ser exceção, não pode estar na Constituição", ponderou o deputado José Guimarães (PT-CE).

Redução de jornada
O relator fez uma concessão no dispositivo que permite reduzir em até 25% a jornada e o salário de servidores. No novo texto, os cortes serão limitados apenas a períodos de crise fiscal.

Ainda assim, isso não agradou a oposição. "O servidor atual fica facultativo se vai permitir ou não o corte, mas com certeza vai sofrer um assédio enorme para cortar seu salário", rebateu Rogério Correia. "Com o corte, vai ter que passar o serviço para a iniciativa privada."

Arthur Oliveira Maia argumentou que a redução é uma alternativa para que não haja demissão de servidores. "É muito melhor reduzir a jornada do que demitir", argumentou.

Para o deputado Alencar Santana Braga (PT-SP), o dispositivo joga a responsabilidade da má gestão de governadores e prefeitos nas costas dos servidores. "O servidor não vai poder pedir para reduzir sua dívida no açougue porque o governo reduziu o salário", comentou.

Juízes e promotores
O texto aprovado mantém benefícios de juízes e promotores, como as férias de 60 dias. Os deputados ainda devem votar no Plenário destaque sobre a inclusão de membros do Judiciário e do Ministério Público na reforma administrativa.

Arthur Maia justificou que um parecer da Mesa Diretora da Câmara havia entendido que a inclusão só seria possível se a proposta fosse de iniciativa do próprio Judiciário. "O importante é que cada um se manifeste no destaque. Aí vamos nos responsabilizar individualmente. Eu votarei a favor", afirmou.

A reforma administrativa acaba com os seguintes benefícios para administração pública direta e indireta, nos níveis federal, estadual e municipal:

  • férias superiores a 30 dias;
  • adicionais por tempo de serviço;
  • aumento de remuneração ou parcelas indenizatórias com efeitos retroativos;
  • licença-prêmio, licença-assiduidade ou outra licença por tempo de serviço;
  • aposentadoria compulsória como punição;
  • adicional ou indenização por substituição;
  • parcelas indenizatórias sem previsão de requisitos e critérios de cálculo definidos em lei;
  • progressão ou promoção baseadas exclusivamente em tempo de serviço.

Desempenho
O relator procurou colocar dispositivos para evitar arbitrariedades na avaliação de servidores. "A avaliação de desempenho terá participação do usuário do serviço público e será feita em plataformas digitais", comentou.

O substitutivo de Arthur Oliveira Maia facilita a abertura de processos administrativos para perda de cargo de servidores com avaliação de desempenho insatisfatório. O servidor será processado depois de duas avaliações insatisfatórias consecutivas ou três intercaladas, no período de cinco anos.

O relator argumenta que o servidor ainda tem direito a defesa. "À luz do fato de que há direito a uma segunda opinião e o desligamento não é automático, não se pode considerar que os parâmetros agora adotados o prejudiquem ou facilitem abusos ou iniquidades."

No entanto, deputados da oposição afirmaram que o texto prejudica o direito ao contraditório e à ampla defesa nos processos administrativos.

O substitutivo ainda estabelece regras para gestão de desempenho, com avaliação periódica e contínua. "Tem que identificar se o serviço público falhou e onde está a falha", analisa o relator.

Cargos obsoletos
O relatório acrescentou novos parâmetros para definir quem perderá a vaga caso haja uma extinção parcial de cargos obsoletos. "Não haverá espaço para o arbítrio e para atitudes indevidas", apontou Maia.

Como primeiro critério, serão afastados servidores de acordo com a média do resultado das três últimas avaliações de desempenho. Se houver empate e não for possível discriminar os alcançados por este caminho, apura-se primeiro o tempo de exercício no cargo e, em seguida, a idade dos servidores.

O substitutivo preserva os cargos ocupados por servidores estáveis admitidos até a data de publicação da emenda constitucional.

Cargos exclusivos
A reforma administrativa define o rol de cargos exclusivos de Estado, que não podem ter convênios com a iniciativa privada e serão protegidos do corte de despesas de pessoal.

São cargos exclusivos de Estado os que exerçam atividades finalísticas da segurança pública, manutenção da ordem tributária e financeira, regulação, fiscalização, gestão governamental, elaboração orçamentária, controle, inteligência de Estado, serviço exterior brasileiro, advocacia pública, defensoria pública e atuação institucional do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, incluídas as exercidas pelos oficiais de Justiça, e do Ministério Público.

No entanto, ficaram de fora dos cargos exclusivos as atividades complementares. "Ao excluir atividades complementares, todos poderão ter contratações temporárias", protestou o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).

Segurança
A lista de cargos exclusivos especifica quais profissionais de segurança estarão incluídos nesta categoria. Foram contemplados guardas municipais, peritos criminais, policiais legislativos, agentes de trânsito, agentes socioeducativos, além de policiais federais, policiais rodoviários federais, policiais ferroviários federais, policiais civis e policiais penais. Ficaram de fora das carreiras exclusivas os policiais militares e bombeiros militares.

Os guardas municipais também foram beneficiados no único destaque aprovado pela comissão, entre 20 analisados. O destaque do bloco Pros-PSC-PTB dá status de polícia às guardas municipais.

O deputado Jones Moura (PSD-RJ) observou que o destaque não cria despesa. "É o clamor de um trabalhador que quer trabalhar melhor. O guarda municipal vive 30 anos em uma insegurança jurídica, por não ter sua atividade de segurança pública clara e transparente no lugar de prender bandidos e estabelecer a paz social. É uma polícia que não é militarizada, uma polícia cidadã e comunitária", declarou.

O relator alertou para o impacto da medida na previdência dos municípios. "Os municípios têm previdências próprias. A consequência imediata é que a aposentadoria dos guardas municipais vai ser igual à dos demais policiais. Isso trará um impacto importante para as previdências próprias dos municípios."

Trocas e interrupções
Deputados da oposição se queixaram da troca de oito deputados titulares da comissão antes da votação da proposta. O presidente da comissão, deputado Fernando Monteiro (PP-PE), explicou que os líderes partidários têm a prerrogativa de substituir ou indicar membros a qualquer momento. "Esta comissão era para ser composta por 34 membros. Entendendo que precisava de mais debate, conseguimos que fossem 47 membros, para que todos os partidos ficassem atendidos. Esta presidência mostra o que é democracia", defendeu.

A oposição também se irritou com as seis mudanças feitas pelo relator, Arthur Oliveira Maia, no seu parecer na última semana. Fernando Monteiro insistiu que, de acordo com o Regimento Interno, o relator pode mudar o parecer até o momento da votação.

Já os deputados favoráveis à reforma administrativa reclamaram das interrupções da oposição em sua estratégia de obstrução. "Mesmo depois de os senhores terem dito que fecharam questão contra a PEC, procurei dialogar com muito respeito e cordialidade. É uma regra da convivência humana retribuir gentileza com gentileza. Não abri minha boca para interromper ninguém", indignou-se Arthur Oliveira Maia.

O deputado Darci de Matos apontou para a necessidade de ouvir o contraditório. "Não há razão de permitir que fiquem gritando, interferindo, interrompendo. Isto é baixaria, denigre a imagem da comissão", comentou. "Em alguns momentos, vergonhosamente, aí eu falo da oposição e da situação, o nível da reunião da PEC 32 está abaixo da Câmara do menor município do Brasil, de Serra da Saudade (MG)."

Rogério Correia reclamou da menção a Serra da Saudade. "É um município mineiro e merece respeito", pediu.

Saiba mais sobre a tramitação de propostas de emenda à Constituição

Fonte: Agência Câmara de Notícias