segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O direito ao esquecimento, Gama

 Se você pesquisar o nome de um médico na internet, há chances de topar com uma denúncia ou processo judicial – ainda que a causa tenha sido ganha pelo profissional ou que ele seja inocente. Um resultado que, além de provocar má impressão, pode arruinar carreiras. Foi o que aconteceu com uma médica holandesa.

Mesmo inocentada em uma ação sobre imperícia, seu nome seguiu aparecendo num site de busca que congregava “maus profissionais” – e que, de tão consultado e compartilhado, acabava privilegiado pelo algoritmo do Google. A cada vez que o nome dela era digitado, a busca dava a página em primeiro lugar. A médica perdeu clientes e ficou fora do mercado. Isso até o começo de 2019, quando ela conseguiu, na justiça, que o Google tirasse os dados do ar.

Para evitar o eterno castigo digital, europeus passaram a demandar na justiça que mecanismos de busca e redes sociais apaguem seu passado virtual

O mecanismo de busca estava “julgando” sua cliente, disse o advogado. Pois nem ela nem os possíveis clientes decidiam o que apareceria na busca – o Google pouco revela de seus algoritmos, ainda que responda por 90% de todas as buscas. O juiz concordou: a informação sobre práticas duvidosas era direito público, mas o país tinha um site específico para isso. Já o impacto de páginas como aquela no mecanismo de pesquisa mundial era desmesurado. E, no fim das contas, o que surgia no Google definia como a pessoa seria vista por milhões.

Para evitar esse eterno castigo digital, outros europeus passaram a demandar na justiça que mecanismos de busca e redes sociais apaguem seu passado virtual (geralmente polêmico, indesejável, impreciso). O que tem funcionado desde 2014, após um entendimento do Tribunal de Justiça da União Europeia (instância máxima para questões envolvendo pontos sensíveis do direito europeu) conhecido como “direito ao esquecimento”. Agora, qualquer cidadão do bloco pode solicitar que informações “inadequadas, irrelevantes ou excessivas” na internet sumam do Google. O direito ao esquecimento virou conquista europeia.

Não sou caloteiro

O primeiro caso a alavancar o debate no continente ocorreu na Espanha. Em 1998, o jornal La Vanguardia publicou um anúncio do governo oferecendo para compra o imóvel do advogado Mario Costeja González – por uma dívida contraída que implicou seu nome na lista de devedores da segurança social do país. O anúncio foi parar na versão online e, logo, no Google. A dívida foi paga, o imóvel não foi vendido, mas o resultado seguiu nas buscas.

Costeja solicitou ao jornal, depois ao Google e, por fim, à justiça, a retirada dos dados. O caso se arrastou por mais de uma década e todas as instâncias, até chegar à corte máxima europeia – onde se juntou a tantos outros, como o que envolvia o médico Hugo Russo. Em 1991, um artigo do jornal El País trouxe um caso de cirurgia plástica supostamente mal sucedida, realizada por Russo. Dez anos depois, Russo reclamou na justiça que, mesmo tendo sido inocentado, o Google ainda dava o artigo do El País como primeiro resultado da busca por seu nome. O juiz também remeteu o caso à corte europeia.

Com tantos casos se somando, a corte finalmente analisou os fatos (que envolvia ainda ações de outros países, como Áustria e Grécia), em 2014. Até hoje, cerca de 864 mil solicitações foram feitas, pedindo a retirada de 3.4 milhões de links do ar, segundo o Google, que mantém um site para divulgar os dados sobre esse tipo de demanda. Dessas, 45% foram retiradas do ar. Menos de 5% tem relação com conteúdo realmente pessoal, segundo o jornal francês Le Monde. A maior parte se refere ao Facebook e a sites de busca de profissionais (espécies de listas telefônicas digitais, como o espanhol yasni.es e o francês annuaire.118712.fr). Sem querer, o Google estava arruinando carreiras. Não mais. Hoje, a busca pelo nome de Russo não traz mais, em primeiro lugar, a reportagem do El País.

Restrito à União Europeia

Mas o direito tem limites. O Google seguiu lutando contra novos pedidos, cada vez mais amplos, incluindo uma multa aplicada pela Comissão Nacional de Informática e Liberdade da França, que exigia que a empresa impedisse que usuários fora da União Europeia conseguissem acessar os links retirados do ar envolvendo cidadãos do bloco. Em setembro, a mesma corte deu decisão favorável ao Google: a empresa não é obrigada a retirar links em suas páginas mundo afora, apenas dentro da União Europeia.

O tribunal decidiu ainda que os “dados sensíveis”, como orientação política e antecedentes criminais, não servem para demandar o “esquecimento’, visto serem de “interesse público”. Um dos casos que motivou o pedido envolvia um homem condenado por pedofilia, que exigia que seus antecedentes fossem retirados das pesquisas do Google. Outro era de um ex-adepto da cientologia que queria apagar seu passado na seita das buscas. Foram negados.

Na decisão, o juiz sugeriu ao Google que “levasse em conta” se as decisões judiciais haviam esgotado o trâmite legal, e se a pessoa era ou não pública, antes de retirar um conteúdo por conta própria. O mecanismo, disse o juiz, precisa ser ajustado para reconhecer “a situação judicial atual” do internauta em primeiro lugar na busca, antes das notícias sobre o passado, cada vez que nome e sobrenome são digitados por alguém.

O direito chega ao Facebook

Já o Facebook foi atingido de forma mais dura. Uma decisão da corte europeia de outubro de 2019 diz que a empresa deve remover posts envolvendo um cidadão do bloco de forma global, e não só em suas páginas europeias, se o conteúdo for difamatório ou ilegal. O caso que incitou a decisão envolvia a política austríaca de direita Eva Glawischnig-Piesczek, que pedia a exclusão de uma série de posts que a retratavam como membro de partido fascista.

Com a decisão, a Europa tem estabelecido “os padrões globais de regulação” dos direitos individuais na Internet, afirmou Ben Wagner, diretor de um laboratório sobre privacidade virtual da Universidade de Viena. O que tem minado a intenção de empresas como Google e Facebook de definir sozinhos seus mecanismos de autorregulação. Desde então, questões do passado podem ser deixadas de lado – na Europa, o direito de sair de cena é garantido.

E a vontade de sumir das redes no Brasil?

No Brasil, não há lei específica, apenas alguma jurisprudência – o debate existe desde 2013 e versa sobre duas frentes principais: os mecanismos de busca, como o Google, e a imprensa.

Um exemplo é o caso de um acusado de ter participado da Chacina da Candelária que fora absolvido, mas acabou lembrado em reportagem da TV Globo. O STJ condenou a emissora a pagar indenização por danos morais, afirmando que ele teve o direito ao esquecimento reconhecido.

Outro caso, mais clamoroso, envolveu a Globo e a família de Aída Curi, uma jovem brutalmente assassinada em 1958, cuja vida foi dramatizada na televisão meio século depois. Sua família entrou com recurso no STJ alegando o direito ao esquecimento. O relator concordou que o direito pode ser aplicado no Brasil, mas negou o recurso mencionando “interesse público”. O caso parou no STF, foi pautado, passou por audiência pública, mas ainda aguarda um desfecho, que pode servir como regra geral para outros casos no país.

Houve uma retomada no debate sobre censura, já que o esquecimento na internet envolve também o tema da liberdade de imprensa

Tal caso, porém, reavivou o debate sobre censura, já que envolve também o tema da liberdade de imprensa, pois estamos falando sobre produção jornalística e não apenas menções na internet. Na segunda frente do debate, envolvendo mecanismos de busca, os casos mais conhecidos envolvem a apresentadora Xuxa, que pediu, na justiça, que o Google retirasse conteúdos ligando seu nome a nudez e pedofilia. O pedido foi negado.

Outra decisão importante para o debate ocorreu no mês de maio desse ano, quando o STJ entendeu que o direito ao esquecimento não pode justificar censura prévia. A decisão vem após julgamento sobre uma reportagem produzida pela revista IstoÉ em 2012, que abordava a vida fora da cadeia de criminosos notórios. Paula Thomaz, condenada pelo assassinato da atriz Daniella Perez — filha da escritora Glória Perez –, entrou na justiça para proibir que seu nome seja veiculado em matérias futuras da revista que falem sobre o crime.

Apesar do julgamento ter concedido indenização por danos morais a Thomaz e ter retirado a reportagem da internet, o STJ decidiu que a aplicação do direito ao esquecimento não pode impedir futuras publicações de reportagens sobre crimes ou sobre pessoas que foram condenadas por eles.

No começo de Julho, a 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo garantiu o direito ao esquecimento de um universitário que havia sido preso por tráfico de drogas. Em 2018, o STJ acatou um pedido de “direito ao esquecimento” de uma promotora de Justiça do Rio, cujo nome vinha sendo associado ao tema “fraude em concurso para juiz” no Google.

Apesar das decisões favoráveis, ainda não há legislação própria para a questão no país. As audiências públicas que discutiram o Marco Civil da Internet foram adiadas pelo STF em decorrência do coronavírus. Dentre os assuntos que seriam debatidos estava o direito ao esquecimento.

Tempos pandêmicos Juliana Sayuri, de Toyohashi (Japão) 23 de Agosto de 2020, Revista Gama

 O despertador toca às 4h45 da madrugada. Na agenda, os compromissos da manhã: Zoom em São Paulo, Rio e Delaware, Skype em Tóquio, mensagens instantâneas para Porto Alegre e Florianópolis, e-mails para Lisboa, Londres e Belo Horizonte. O relógio já marca 11h27. Não vi a hora passar, mas sinto que o dia mal começou. Instalada no Japão, a 12 fusos de diferença do Brasil, preciso adaptar horários para conseguir conversar com fontes e editores espalhados pelo mundo, graças à tecnologia. A um clique de distância digital, experimentamos novas noções temporais: atravessamos fusos e nos conectamos em tempo real, em diálogos que duram minutos (mas podem parecer intermináveis) ou horas (dissipadas num piscar de olhos). Em tempos de pandemia embalados pela dopamina digital dos apps do momento, os dias estão passando mais rápido do que o dito normal? Ou mais devagar?

Depende. Na verdade, o tempo está fragmentado. Segundo um estudo liderado pelo acadêmico americano Philip Gable, professor do Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade de Delaware, a pandemia de covid-19 vem provocando impactos diversos nas nossas percepções sobre o tempo. Com apoio financeiro da National Science Foundation, dos Estados Unidos, Gable desenvolveu um aplicativo para documentar impressões e comportamentos dos americanos ao longo da pandemia. A primeira amostra conta com mil participantes de todos os estados americanos, que mês a mês respondem a uma série de questões para o estudo. Confira o resultado no gráfico abaixo.

Emoções positivas nos motivam a ir para frente e tudo parece se acelerar; emoções negativas nos imobilizam e tudo parece se arrastar

Percepção do tempo durante a pandemia da covid-19

O gráfico mostra a percepção de tempo de mil participantes americanos desde o início da pandemia da covid-19 de março a maio de 2020. Atualmente, o autor está processando os dados de junho e julho. A ideia é dar continuidade à pesquisa ao menos até o fim de 2020 e, se possível, expandi-la a outros países.

48%

25%

27%

34%

37%

29%

24%

43%

33%

março

abril

maio

devagar

rápido

normal


Fonte: Philip Gable, professor do Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade de Delaware

“A chave para entender essas impressões diferentes sobre o tempo é o estado emocional”, diz Gable, em entrevista por Zoom, de Delaware. “O tempo voa quando estamos nos divertindo, não diz o ditado? Há um fundo de verdade no aforismo: emoções positivas, como alegria e amor, nos motivam a ir para frente e tudo parece se acelerar; emoções negativas, como dor e medo, nos imobilizam e tudo parece se arrastar”, explica o acadêmico, que pesquisa o assunto cientificamente há uma década.

No experimento, entretanto, as interações sociais nas plataformas digitais não foram fatores determinantes nas percepções. Isso porque a variável depende da natureza das interações e se o saldo delas é positivo ou negativo, destaca Gable. Passar horas a fio entre home office, lives e webinars pode ser um fardo para uns, mas pode ser uma sexta-feira ideal para outros.

Bettina Pousttchi*, Worldtimeclock, Mexico City

Pré-pandemia, cientistas como Bylon Reeves, Nilam Ram e Thomas Robinson, da Universidade Stanford, já destacavam que, a fim de avaliar o impacto da tecnologia no nosso comportamento e bem-estar psicológico, importa mais o tipo de atividade e conteúdo consumido na internet – e menos o número de horas totais que passamos diante das telas.

“Em apenas uma tela, você pode alternar instantaneamente suas atividades, entre mandar mensagem para um vizinho, assistir às notícias, cuidar de uma criança, pedir a entrega do jantar […]. Acrescente isso a usos mais problemáticos – fazer bullying, promover discurso de ódio, ou ler notícias falsas. Saber o tempo de tela de alguém – sua dose total de mídia – não vai diagnosticar problemas com qualquer um desses conteúdos”, escreveram Reeves, Ram e Robinson no site acadêmico australiano The Conversation.

Uma live pode durar uma eternidade ou um segundo. Depende do tipo de emoções que nos despertam

Não é mera impressão que as mídias sociais cresceram na pandemia: Zoom, TikTok, WhatsApp, Instagram e Facebook estão entre os aplicativos mais baixados no mundo todo e, segundo levantamento da consultoria americana Sensor Tower, o fluxo de dados movimentados no download dos 250 maiores apps aumentou 52% na pandemiaSe a internet é aliada na hora de amenizar a solidão do isolamento social, como indicam instituições internacionais de saúde, é fonte torrencial também de informações, podendo nos despertar angústia e ansiedade. Equilíbrio é a palavra. Mas como encontrar equilíbrio em épocas tão incertas?

Devagar com o andor

Sentir que o tempo passa mais rápido quando estamos felizes não é sinônimo de sentir as pressões da história acelerada. “Tempo é uma questão existencial, mas é atravessado historicamente”, pondera o psicanalista Tales Ab’Sáber, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Isto é, muda segundo as condições psicológicas do sujeito, mas também com as condições concretas da realidade. Na Idade Média, o ensaísta exemplifica, uma época em que as pessoas viviam no mesmo lugar a vida inteira, o ritmo era muito mais lento e longo – e era impactado por ares de novidade quando um viajante passava pelas vilas.

Desde a Revolução Industrial (1760-1860), na Inglaterra, e a Revolução Francesa (1789), a história se acelerou bruscamente: as transformações tecnológicas da época (as fábricas, o telégrafo, o trem, por exemplo) “encurtaram” as noções de tempo. O fenômeno é conhecido como aceleração social do tempo.

Por um lado, a sensação de que estamos estagnados; por outro, ainda mais acelerados, sob pressões de produtividade 24 horas por dia, 7 dias por semana

“É a cena clássica de Chaplin no filme “Tempos Modernos” (1936), correndo para acompanhar o ritmo das máquinas. Essa é a imagem perfeita do ritmo regulado pela produção do mundo. Desde a industrialização, esse ritmo aumentou paulatinamente. Hoje, vivemos sob um tipo de taxímetro de tempo global na internet, que mede produção e produtividade e, quem não consegue acompanhar, é empurrado para fora do bonde da história”, critica o psicanalista, em entrevista por Zoom, de São Paulo.

Nesse contexto podem coexistir dentro de nós duas impressões contraditórias sobre o tempo diante das tecnologias na pandemia: por um lado, a sensação de que estamos estagnados, acordando sempre no mesmo dia e nada acontece, mesmo com mil afazeres; por outro, a de que estamos ainda mais acelerados, sob pressões de produtividade 24 horas por dia, 7 dias por semana – nesta lógica, Zoom fatigue é para os fracos.

“Online por horas e dentro de casa por dias, não sabemos mais se é sábado ou segunda, maio ou setembro. Às vezes, corremos contra o relógio; outras, contra o tédio. São tendências ambíguas”, diz a filósofa Alyne Costa, autora de “Guerra e Paz no Antropoceno” (Autografia, 2017) e atualmente pós-doutoranda do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Bettina Pousttchi*, Worldtimeclock, Moscow

Segundo Costa, essa ambiguidade é subjetiva (nossas impressões individuais) e objetiva, pois reflete o tempo agilizado pelo impacto da ação humana na Terra – é a ideia de antropoceno. “Um vírus novo paralisou o mundo. Foi o primeiro megafreio nessa locomotiva acelerada, o efeito global de um elemento ecológico. Mas não demorou para que se alastrassem negacionismos científicos sobre a pandemia. O mundo virtual pode ter se expandido, mas o mundo político se apequenou”, analisa.

A questão também é política: ao pensarmos quando “tudo isso vai passar?” faz diferença, por exemplo, o país e a cidade onde se está na pandemia, a possibilidade de quarentena ou não, as condições de moradia, renda, raça, idade, gênero. “A sensação da passagem dos dias muda constantemente. Os sobressaltos da política do Brasil de 2020 agilizaram os dias, mas, estranhamente, parece faltar algo se não há esses sustos, como estivéssemos diante de uma tormenta que está por vir, um tempo sempre de fôlego suspenso”, define a historiadora Helena Miranda Mollo, professora da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e uma das coordenadoras do Boletim do Tempo no projeto HuManas.

Precisamos parar e criar uma nova temporalidade, que não seja refém da tecnologia nem algoz da natureza

E, no futuro, como vamos nos lembrar dos “tempos de pandemia”? “Isolamento será a marca desse tempo, em muitos níveis: na substituição da corporalidade pela virtualidade, nas quarentenas, no isolamento do Brasil em relação ao mundo. A sensação é de uma intensa distopia. Onde estamos, afinal? Pergunto-me todos os dias”, conta a historiadora, em entrevista por e-mail, de Belo Horizonte.

Na psicanálise, diz Tales Ab’Sáber, distorções sobre o tempo na pandemia refletem como não estamos conseguindo processar o que está acontecendo: isolados, mas imersos na internet, sem parar para o luto de um mundo pré-pandemia que se foi e sem perspectiva para um futuro incerto, podemos ficar confusos, deprimidos, perdidos nas nossas próprias casas. “Dói. É um tipo de intoxicação psíquica, e é preciso processá-la.”

Para Ab’Sáber, a crise do coronavírus é um convite para repensar o ritmo do mundo. “Precisamos parar e criar uma nova temporalidade, que não seja refém da tecnologia nem algoz da natureza. Como dizia o geógrafo Milton Santos [1926-2001], tempos mais humanos que a gente queira viver e que a natureza permita. Caso contrário, esta será só a primeira grande crise dos tempos pandêmicos.”

*A artista alemã Bettina Pousttchi é autora das imagens que ilustram esta matéria. Em 2008, a artista viajou o mundo para registrar um relógio público por cada cidade que passava. O resultado foi a série de 24 fotografias “World Time Clock”, que mostra o fuso horário de diferentes cidades no mundo (no topo está “Seoul Time”, 2011).