terça-feira, 1 de maio de 2018

Moradores de prédio que desabou dizem que pagavam 'aluguel' a movimento de moradia, OESP


Segundo relatos de moradores ligados ao Movimento por Moradia Digna, o custo de viver no local era entre R$ 250 e 500 reais

Felipe Resk, Paula Felix e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo
01 Maio 2018 | 11h09
Prédio antes do incêndio
Edifício de 24 andares e 11 mil metros quadrados no Centro de São Paulo abrigou durante cerca de 25 anos a Polícia Federal Foto: Reprodução/Google StreetView
Moradores relataram ao Estado que pagavam "aluguel" para o Movimento Luta por Moradia Digna (LMD) para morar no prédio que desabou na madrugada desta terça-feira, 1, no centro de São Paulo. Segundo o coordenador do LMD, Ricardo Luciano, o pagamento era de R$ 80, para custear a manutenção do local. No entanto, integrantes do Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM), que faz parte do LMD, afirmam que os valores seriam mais altos, em torno  de R$ 250 a R$ 500. Ao menos 120 famílias viviam irregularmente no imóvel, segundo informações do Corpo de Bombeiros. 
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O imóvel era uma antiga instalação da Polícia Federal e depois foi ocupado por imigrantes e brasileiros. A Secretaria Municipal de Habitação atuava na ocupação do edifício por meio do grupo de Mediação de Conflitos, uma vez que no local estava previsto haver a reintegração de posse, movida pela Secretaria de Patrimônio da União. Uma vez desocupado, o imóvel seria cedido à Prefeitura.
A Secretaria de Habitação realizou seis reuniões com as lideranças da ocupação, entre fevereiro e abril, para esclarecer a necessidade de desocupação do prédio, por causa do risco e da ação judicial.
No dia 10 de março, a secretaria cadastrou cerca de 150 famílias, com 400 pessoas, ocupantes do prédio. Desse total, 25% são famílias estrangeiras. Esse cadastro foi realizado para identificar a quantidade de famílias, o grau de vulnerabilidade social e a necessidade de encaminhamento à rede socioassistencial.
Destroços de prédio em São Paulo
Prédio desaba após incêndio de prédio na madrugada desta terça-feira (1), no Largo do Paissandu, próximo a Avenida Rio Branco, na República, no Centro de São Paulo (SP)
A Prefeitura de São Paulo estima em cerca de 70 prédios ocupados na região central com aproximadamente 4 mil famílias. Trata-se de uma estimativa uma vez que em sua maioria são prédios particulares. Nestes casos, cabe ao proprietário ações junto à Justiça e às lideranças da ocupação.
A Secretaria Municipal de Habitação criou em 2017 um Núcleo de Mediação de Conflitos que monitora 206 ocupações em toda a cidade com  cerca de 46 mil famílias. Desse total, 25% da atuação do grupo ocorre em ocupações na região central,  com 3.500 famílias. Para essas ocupações, o grupo atua no sentido de buscar uma solução conciliada com a desocupação voluntária e sem confronto.

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