quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O sonho da casa própria parece mais distante do que nunca, The News

 

(Imagem: Fast Company)

O que antes era um passo natural da vida adulta agora virou um grande desafio financeiro. Por aqui, os preços dos imóveis registraram a maior alta em 11 anos no último ano. Mas o fenômeno também aparece em economias desenvolvidas, como a dos EUA.

Atualmente, os americanos estão ficando o dobro do tempo (8,6 anos) no mesmo imóvel do que no início dos anos 2000.

O motivo principal é o chamado “efeito de bloqueio”: quem financiou a casa durante a pandemia não quer trocar uma hipoteca barata por outra muito mais cara. Nos últimos 5 anos, o preço médio das hipotecas dobrou por lá.

  • Ao mesmo tempo, os salários cresceram pouco em comparação com os imóveis: a renda média subiu 27% desde 2005, enquanto o preço médio das casas aumentou mais de 90%, chegando perto de US$ 420 mil.

Por que isso importa: Além de indicar que a economia não está girando como deveria, desacelerando setores imobiliários e de construção civil, a dificuldade de comprar imóveis também pode ter um impacto social.

Pense que, quanto mais difícil para uma pessoa comprar uma casa quando jovem, menores são as chances dela formar uma família e ter filhos. Em 1960, mais de 50% dos americanos de até 30 anos eram casados e donos de casa própria. Hoje, esse número caiu para apenas 12%.

STF precisa fechar a delegacia, Elio Gaspari - FSP

 Uma série de circunstâncias jogou o Supremo Tribunal Federal no olho de um furacão político que só amainou depois que os responsáveis pela trama golpista de 2022/2023 foram encarcerados. Nessa crise, escreveu uma de suas melhores páginas. Destacou-se nessa sucessão de episódios a figura do ministro Alexandre de Moraes.

Passado o furacão, o tribunal embananou-se ao lidar com o caso do Banco Master e suas conexões políticas e financeiras. A reunião da semana passada, que tirou o ministro José Antonio Dias Toffoli da relatoria do caso, teve uma coreografia primorosa, mas não enganou ninguém. O propósito era afastar Toffoli, mas para enfeitar a cena avançaram em cima da Polícia Federal.

Dois homens vestidos formalmente em ambiente com pouca iluminação. Homem à direita tem cabelo grisalho, barba e usa terno preto com gravata vermelha de bolinhas brancas. Homem à esquerda é careca, veste terno cinza e gravata azul, está desfocado ao fundo.
Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli durante sessão do Supremo - Pedro Ladeira - 12.fev.2026/Folhapress

Tudo o que o Brasil não precisa é de um conflito entre a PF e o Supremo. Desde as primeiras agressões do então presidente Jair Bolsonaro ao tribunal, dele partiram condutas exemplares e inquéritos intimidadores. Passado o julgamento dos generais palacianos, o Supremo deve considerar a hipótese de fechar a delegacia ou, pelo menos, baixar-lhe a bola. Até porque a Corte tem mais o que fazer, noves fora a discussão de um código de conduta para seus pares.

O Supremo Tribunal Federal passa por um período de extremo desprestígio por culpa da atividade de uma bancada afeita a farofas e parentelas. Esse é o lado ruim da moeda, irrelevante quando comparado ao lado bom. Por maior que tenha sido o desgaste trazido pela novela Master/Toffoli, não se pode esquecer que em menos de três meses, o relator do processo foi afastado. Quase um rito sumário.

Tendo feito o certo, o STF sinaliza (ou finge sinalizar) uma saia justa com a Polícia Federal. Tomara que a reunião de duas horas do diretor da PF com o ministro André Mendonça, novo relator do caso Master, acalme os ânimos. A saia justa com a PF, como se viu, servia aos interessados em embaralhar o processo. É certo que a Federal investigou indevidamente o ministro Dias Toffoli, mas é certo também que, até agora, não se apontou um só fiapo de falsidade nas 200 páginas entregues ao ministro Edson Fachin.

Quando o ministro Alexandre de Moraes manda que a Receita rastreie nomes de ministros do STF e de cerca de 100 familiares a delegacia reabre seus expedientes, levando constrangimentos para um nicho de notáveis que passam por uma fase tétrica, mas não são a causa dos males nacionais. O tribunal sabe avaliar convites impróprios, e sabe até aceitá-los, mas as coisas melhoram: os ministros André Mendonça e Luiz Fux desistiram de ir a um congresso jurídico na Espanha que previa a possível participação de um dos integrantes de uma banca de advocacia que defende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O congresso seria na cidade de Salamanca, farofa de primeira. Há alguns meses, Toffoli ia a uma partida de futebol no Peru, no jatinho de um empresário e na companhia do advogado de um diretor do Master.

Funcionando como delegacia, o Supremo, que fez um louvável trabalho, indo além na fúria investigativa acaba ajudando seus piores inimigos: os golpistas e os larápios.


TST cria cotas para mulheres trans em vagas de empresas prestadoras de serviços, FSP

 Felipe Gutierrez

São Paulo

O TST (Tribunal Superior do Trabalho) adotou uma política de cotas para as empresas prestadoras de serviços pela qual 5% das pessoas admitidas serão mulheres transexuais, com prioridade para pretas e pardas, trabalhadoras do sexo e egressas do sistema prisional.

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tem uma normativa que prevê a reserva de 5% das vagas desse tipo para mulheres vulneráveis, mas nesse percentual estão incluídas as trans.

A regra que o TST adotou é mais progressiva: serão 5% para mulheres em situação vulnerável e outros 5% exclusivos para as trans. A nova reserva de vagas é não é destinada às contratações do próprio tribunal ou para os magistrados da Justiça do Trabalho.

Homem de cerca de 60 anos sentado em um ambiente de tribunal, ele usa uma toga e, ao fundo, há uma bandeira brasileira
O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho - Bárbara Cabral/Secom TST/Divulgação

O programa foi assinado no dia 29 de janeiro pelo presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.

Otávio Ferreira, juiz auxiliar da Presidência do TST, afirma que essas pessoas enfrentam barreiras para entrar no mercado de trabalho e que tanto a Constituição como acordos internacionais de direitos humanos que o Brasil endossa dão orientações para a adoção de políticas afirmativas e para "a superação da igualdade meramente formal, buscando igualdade material e substantiva".

Ele diz que haverá monitoramento do cumprimento da cláusula.

Por ora, não há previsão de contratação de homens trans. Ferreira afirma que as políticas afirmativas "devem ser calibradas de acordo com o grau de vulnerabilização e os efeitos concretos da discriminação sobre determinados grupos".

Ele diz, no entanto, que pode haver mudanças: "Começar por mulheres trans e travestis é uma opção de política pública orientada por equidade, pela centralidade da dignidade no trabalho e pelo diagnóstico de exclusão estrutural apontado nos documentos".

COTAS EM CONCURSOS

Ferreira diz que ainda não há uma definição sobre adoção de cotas para carreiras do próprio órgão ou para a magistratura, mas que o tema está sendo estudado (ele citou um documento da Antrajus, Articulação Nacional de Juristas e Trabalhadores Trans do Sistema de Justiça, sobre o tema).