segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Um raio-x da disputa eleitoral pelos estados - The News

 

Falta exatamente uma semana para as eleições. Em 7 dias, os brasileiros estarão aptos a ir às urnas para decidir quem vai comandar o país, quem estará à frente do estado e quem o representará no Congresso e nas Assembleias Estaduais pelos próximos anos.

Somos mais de 158,7 milhões de eleitores aptos a votar, uma alta de 1,46% em relação a 2022, sendo 136,5 milhões obrigatórios e 22,2 milhões facultativos — analfabetos, adolescentes de 16 e 17 anos e idosos com mais de 70 anos.

Embora os holofotes e debates nacionais se voltem para a corrida à Brasília, existe uma decisão importante dentro de cada um dos estados.

🗳️ Curiosidade: O colégio eleitoral do estado de São Paulo, com 34,4 milhões de eleitores, é maior do que a população inteira de países como o Canadá, Peru ou Marrocos e responde por mais de 21% de todos os votos do Brasil.

Um giro pelas federações 🇧🇷

Se no nível federal a polarização chama a atenção, nos estados, ela também aparece em alguns estados, mas fica misturada por um jogo de alianças com partidos de centro que ajudam a ditar o ritmo da corrida.

O PSD, liderado por Gilberto Kassab, é, provavelmente, o melhor exemplo disso. A sigla lançou 13 candidaturas ao governo, sendo que apenas 4 delas apoiam o candidato do próprio partido ao Planalto, Ronaldo Caiado.

  • No geral, os outros 9 usaram da estratégia de independência regional para fazer alianças específicas, dependendo do contexto. É o caso do Rio de Janeiro, em que o partido fez aliança com o PT e disputa a corrida contra o PL.

Falando nos dois partidos… Se olharmos para a comparação PL vs. PT, o partido de Flávio Bolsonaro fica ligeiramente na frente em candidaturas a governador, com 13, contra 12 do partido de Lula.

Ambos adotaram alianças com outros partidos, principalmente com nomes que já apareciam à frente da corrida. É o caso do Rio de Janeiro, com o apoio do PT a Eduardo Paes (PSD), e de São Paulo, com o apoio do PL a Tarcísio de Freitas (Republicanos). Veja o mapa:

Em quesito de lideranças nas pesquisas, os números ficam assim:

  • PSD: Lidera ou aparece empatado em 1º lugar com 7 candidatos. (Amazonas, Maranhão, Pernambuco, RJ, Amapá, Sergipe e Rondônia)

  • PL: Lidera ou aparece empatado em 1º lugar com 5 candidatos. (Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Roraima)

  • PT: Lidera ou aparece empatado em 1º lugar com 2 candidatos. (Piauí e Bahia)

Mas indo além dos números exatos dos partidos, existe um outro fator que aparece claro: as teias de aliança. Aqueles candidatos que não são respectivamente do partido de cada um, mas que devem estar no palanque.

Enquanto Lula consegue espalhar a sua influência através de aliados diretos em quase todos os estados, a rede de Flávio conta com apoios de grande peso, mas enfrenta situações pontuais de "aliados desalinhados".

É o caso de estados como Bahia e Ceará, onde o partido está na coligação, mas o candidato local prefere manter distância do debate nacional.

Para bancar as candidaturas, precisa fazer a máquina girar 💰

O fundo eleitoral liberado pelo TSE foi de R$ 4,96 bilhões. Do total do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, quatro partidos abocanham mais da metade da verba inteira do país:

  • 🟢 PL: R$ 881,6 milhões

  • 🔴 PT: R$ 615,3 milhões

  • 🟡 União Brasil: R$ 526,2 milhões

  • 🔵 PSD: R$ 421,0 milhões

(Imagem: Reprodução | Senado Federal)

Diferente das campanhas municipais concentradas em um só município, a eleição para governador consome fortunas em logística por cobrir grandes territórios.

Vamos falar um pouco de SP?

Se a disputa pelos estados já move bilhões e articulações complexas, São Paulo é a grande capital desse complexo.

O colégio eleitoral tem 34,4 milhões de votantes, o equivalente a mais de 21% do eleitorado nacional. Quem vence no Palácio dos Bandeirantes passa a gerir o segundo maior orçamento do setor público brasileiro, ficando atrás apenas da União.

O governador que sair vencedor em São Paulo importa — e muito — para o resultado que dá a cadeira da Presidência da República. O motivo, decidimos destrinchar em 4 tópicos:

  • Ter o governador paulista significa ativar a maior rede de prefeitos, secretários e cabos eleitorais do Brasil. Na prática, em um 2º turno e durante 4 anos de mandato, faz a campanha presidencial ter pernas e palanque em centenas de municípios ao mesmo tempo.

  • Como coração econômico do país, o alinhamento entre o Planalto e o Palácio dos Bandeirantes dita o ritmo de grandes obras, concessões e investimentos federais.

  • O governador paulista tem influência direta sobre a maior bancada de deputados federais em Brasília, peça-chave para aprovar reformas no Congresso.

  • São Paulo funciona como o maior "laboratório" de políticas públicas do país. Se o governador for de oposição, vira a principal vitrine alternativa ao Governo Federal.

Ou seja, se o cargo de governador continuar com Tarcísio ou for para as mãos de Fernando Haddad, garante a eles o controle do maior centro eleitoral e econômico da América Latina.

🗣️ Nas pesquisas: Na mais recente divulgação do DataFolha, Tarcísio aparece com 50% de intenção de votos, contra 30% de Fernando Haddad.

 
UM GIRO PELOS OUTROS ESTADOS

Acre: Mailza Assis (PP) com 36% e Alan Rick (Republicanos) com 28%;
Amapá: Dr Furlan (PSD) com 53% e Clécio (União Brasil) com 40%;
Amazonas: Omar Aziz (PSD) com 29% e Maria do Carmo (PL) com 19%;
Pará: Hana Ghassan (MDB) com 40% e Daniel Santos (Podemos) com 35%;
Rondônia: Marcos Rogério (PL) com 37% e Adailton Furia (PSD) com 21%;
Roraima: Arthur Henrique (PL) com 57% e Soldado Sampaio (Republicanos) com 32%
Tocantins: Professora Dorinha (União) com 42% e Vicentinho Júnior (PSDB) com 29%

Alagoas: JHC (PSDB) com 43% e Renan Filho (MDB) com 41%;
Bahia: ACM Neto (União Brasil) com 42% e Jerônimo Rodrigues com 29%;
Ceará: Ciro Gomes (PSDB) com 44% e Elmano de Freitas (PT) com 43%;
Maranhão: Eduardo Braide (PSD) com 46% e Orleans Brandão (MDB) com 27%;
Paraíba: Lucas Ribeiro (PP) com 49% e Efraim Filho (PL) com 16%;
Pernambuco: Raquel Lyra (PSD) com 48% e João Campos (PSB) com 44%;
Piauí: Rafael Fonteles (PT) com 55% e Joel Rodrigues (PP) com 25%;
Rio Grande do Norte: Alysson (União) com 39% e Cadu (PT) com 21%;
Sergipe: Fábio (PSD) com 43% e Valmir (Republicanos) com 34%;

Goiás: Daniel Vilela (MDB) com 42% e Marconi Perillo (PSDB) com 19%;
Mato Grosso: Otaviano Pivetta (Republicanos) com 29% e Welligton Fagundes (PL) com 27%;
Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP) com 51% e Fábio Trad (PT) com 12%;
Distrito Federal: Celina Leão (PP) com 42% e Leandro Grass (PT) com 23%;

Espírito Santo: Ricardo Ferraço (MDB) com 33% e Lorenzo Pazolini (Republicanos) com 31%
Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos) com 40% e Patrus Ananias (PT) com 15%;
Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PSD) com 43% e Douglas Ruas (PL) com 30%

Paraná: Sérgio Moro (PL) com 36%, Requião Filho (PDT) com 20% e Sandro Alex (PSD) com 20%;
Santa Catarina: Jorginho Mello (PL) com 54% e João Rodrigues (PSD) com 13%;
Rio Grande do Sul: Luciano Zucco (PL) com 29% e Juliana Brizola (PDT) com 23%;

Deputados que buscam reeleição recebem 8 vezes mais verba eleitoral -Congresso em Foco

 A disputa por uma cadeira na Câmara começa muito antes do horário eleitoral, e nem todos chegam à largada com o mesmo combustível. Os deputados que tentam permanecer no Congresso representam menos de 6% dos candidatos registrados, mas concentram quase um terço de todo o dinheiro já declarado para a eleição. Os dados são de levantamento do Congresso em Foco, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os 434 deputados que disputam a reeleição correspondem a 5,9% das 7.364 candidaturas analisadas e receberam R$ 1,02 bilhão, ou 32,7% dos R$ 3,12 bilhões registrados para o cargo. Os outros 6.930 concorrentes, 94,1% do total, dividem os R$ 2,1 bilhões restantes.

A diferença aumenta quando se compara candidato a candidato. Deputados à reeleição registram média de R$ 2,35 milhões, contra R$ 303 mil dos demais, uma relação de 7,8 para 1. Pela mediana, menos influenciada pelas campanhas excepcionalmente ricas, o contraste é ainda maior: R$ 2,46 milhões entre deputados e R$ 74,5 mil entre os outros concorrentes.

Quem decide para onde vai o dinheiro

Boa parte dos recursos de campanha passa pelas estruturas partidárias. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado fundo eleitoral, soma R$ 4,96 bilhões em 2026. O TSE transfere as cotas aos partidos, mas são as direções nacionais que aprovam os critérios para repartir esse dinheiro entre seus candidatos. A legislação não exige divisão igualitária, embora imponha reservas para mulheres, pessoas negras e indígenas. Também há teto conforme o cargo disputado.

Levantamento mostra disparidade de recursos entre candidatos à reeleição e demais postulantes a uma vaga na Câmara.

Levantamento mostra disparidade de recursos entre candidatos à reeleição e demais postulantes a uma vaga na Câmara.Arte Congresso em Foco

Na prática, as legendas podem concentrar recursos de acordo com suas estratégias eleitorais. Candidaturas vistas como mais competitivas podem receber parcelas maiores. Deputados em exercício chegam a essa decisão com vantagens mensuráveis pelos partidos: votação anterior conhecida, base política organizada, exposição pública e estrutura acumulada, além do poder de direcionar recursos orçamentários por meio de emendas parlamentares.

Os dados não permitem dizer que o mandato, sozinho, determinou cada repasse. Mas mostram que a associação entre já ocupar uma cadeira e receber mais dinheiro é praticamente generalizada.

Dois terços do topo já estão na Câmara

A concentração aparece também entre as campanhas mais abastecidas. Os dez candidatos com mais receitas são deputados em exercício. Entre os 20 primeiros, 16 já ocupam cadeira; entre os 100, são 67.

Na outra ponta, 955 candidaturas não tinham receita registrada na base consultada. Nenhuma era de deputado em exercício identificado pelo cruzamento. O total reúne 717 candidaturas com lançamento de valor zero e 238 sem linha de receita, situações distintas. O contraste dá a dimensão da diferença de condições financeiras entre concorrentes ao mesmo cargo.

Dinheiro e renovação

Dinheiro não garante eleição. Força regional, alianças, exposição pública, desempenho anterior e estrutura partidária também pesam. Mas uma campanha para deputado federal exige comunicação, equipe, deslocamentos e mobilização em todo o Estado. Uma diferença de quase oito vezes na receita média cria capacidades muito distintas de chegar ao eleitor.

O próprio desenho do financiamento público carrega para a eleição atual parte da correlação de forças produzida anteriormente. Do fundo eleitoral, 2% são divididos igualmente entre os partidos; 35% seguem a votação obtida para a Câmara; 48% dependem do tamanho da bancada de deputados; e 15%, da representação no Senado.

Assim, partidos que conquistaram mais votos e cadeiras recebem parcelas maiores do fundo. Depois, suas direções definem como repartir esse caixa internamente.

Ameaça à renovação

O mecanismo não impede a renovação da Câmara, mas ajuda a criar uma disputa em que candidatos já estabelecidos podem começar a campanha com uma vantagem financeira expressiva. Para quem tenta conquistar uma cadeira de fora, essa diferença se transforma em mais uma barreira de entrada.

Para chegar ao resultado do levantamento, o Congresso em Foco cruzou candidaturas e receitas declaradas ao TSE com a relação de deputados em exercício da Câmara. Foram excluídos registros com renúncia, indeferimento ou pedido não conhecido. A base de receitas foi gerada em 23 de setembro, às 4h05; a de candidaturas, às 19h30. Os valores correspondem às receitas declaradas naquele momento, e não às despesas realizadas.

domingo, 27 de setembro de 2026

Quem cacifava o Carnaval de Kassio era o banqueiro Daniel Vorcaro- Elio Gaspari -FSP

 Em 24 de fevereiro de 2024, publicou-se aqui a seguinte nota:

"O ministro Kassio Nunes Marques é um folião aplicado. No último Carnaval esteve em Salvador, de onde voou para o Rio e assistiu ao desfile de segunda-feira no camarote Arpoador. Hospedou-se no Fasano e moveu-se naquilo que chamou de 'nosso aviãozinho'.

Homem de meia-idade com cabelo curto e escuro veste terno azul, camisa branca e gravata azul clara, sentado em cadeira amarela acolchoada, olhando para o lado.
O ministro do STF Kassio Nunes Marques - Adriano Machado/REUTERS

Na segunda-feira desfilou a Mocidade Independente, cujo patrono é o contraventor Rogério Andrade. Em agosto de 2022, Nunes Marques revogou a prisão preventiva de Andrade, em decisão confirmada por seus colegas da segunda turma do STF. O sobrinho do falecido Castor de Andrade não pôde desfilar com sua tornozeleira eletrônica. Contentou-se vendo Fabíola, sua mulher, passar pela Sapucaí como rainha da bateria."

Passou o tempo e soube-se mais. Quem cacifava todo o Carnaval do ministro era o banqueiro Daniel Vorcaro.

No Carnaval seguinte, Nunes voltou a ser mimado pelo banqueiro. Vorcaro se valia dos serviços de uma senhora chamada Rayanna. No dia 28 de fevereiro ela informou a Vorcaro: "As meninas estão prontas" e ele deu-lhe um endereço. Uma semana depois, uma menina cobrava pelos serviços que prestou a "kassio". Coisa de "10 né".

Nunes Marques nega ter recebido esses favores e diz que nunca votou em caso que envolvesse o Banco Master.

Além dos favores noturnos, Daniel Vorcaro tinha também um expediente diurno com cifras do andar de cima. O contrato de serviços advocatícios da mulher de um desembargador pagava até R$ 427 milhões. O apartamento para onde deveriam ir as "meninas" pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o maior doador pessoa física da campanha de Tarcísio de Freitas para o governo de São Paulo em 2022, com R$ 2 milhões, e de Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões. Zettel está preso.