quinta-feira, 3 de setembro de 2026

PL briga por 24 vagas no Senado e reabilita bandeira anti-STF após crise de Moraes - FSP

 João Pedro Pitombo

Salvador e Rio de Janeiro

Ao menos 24 candidatos do PL ao Senado despontam na briga pelas 54 vagas ao Senado em disputa nesta eleição, apontam pesquisas Datafolha e Quaest realizadas na segunda quinzena de agosto, período que marcou a largada da campanha eleitoral.

O desempenho abre para o partido a perspectiva de ampliar sua bancada na Casa e buscar uma maioria capaz de levar adiante uma das principais bandeiras da direita bolsonarista: o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O PL também conta com aliados de outras legendas para tentar alavancar a pauta, como Novo e PSD.

A ofensiva contra o STF ganhou novo impulso nos últimos dias, após a divulgação de detalhes de conversas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Carlos Jordy (PL-RJ), Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Gustavo Gayer (PL-GO), candidatos ao Senado

Ao todo, quatro candidatos do PL lideram isolados na disputa pela primeira vaga em seus estados, caso de Michelle Bolsonaro (DF), Reinaldo Azambuja (MS), Eduardo Gomes (TO) e Fernando Máximo (RO).

Outros 20 nomes aparecem competitivos na disputa pela segunda vaga, sendo a maioria em empate técnico com outros candidatos.

O levantamento é baseado em pesquisas Datafolha em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Distrito Federal, Ceará e Piauí e pesquisas Quaest nos demais 20 estados.

As pesquisas retratam o atual momento da disputa. O voto para o Senado, em eleições anteriores, era a última decisão dos eleitores, fazendo com que os levantamentos registrem grandes variações até o resultado final. É também, historicamente, o cargo com maior percentual de votos inválidos (nulo e branco).

O PL atualmente tem 15 senadores, sendo 10 com mandato até fevereiro de 2031, e 5 cujo mandato está em disputa nas eleições deste ano. Assim, a legenda tem potencial de chegar a até 34 senadores, caso tenha sucesso em todos os estados onde está em primeiro ou segundo lugar nas pesquisas.

Nesta terça-feira (1º), candidatos ao Senado pelo PL defenderam o afastamento de Moraes por impeachment ou renúncia após a divulgação de informações de relatório da Polícia Federal sobre a relação do ministro com Vorcaro.

Foi o caso do deputado federal Carlos Jordy (PL), candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, que defendeu a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar os elos do Master com Moraes.

"Não dá mais, nós precisamos instalar a CPMI do Banco Master. Não importa se é eleição, isso é muito mais importante que a eleição", disse o deputado.

O impeachment do ministro também foi defendido por candidatos ao Senado de perfil bolsonarista, mas filiados a outros partidos, caso dos senadores Carlos Viana (PSD-MG) e Esperidião Amin (PP-SC).

O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS), que busca o Senado, usou o caso nesta terça-feira (1º) para alavancar sua candidatura. "Toda essa esculhambação na República depende de uma mudança no Senado. Temos que mudar o Senado."

Até mesmo nomes que não são alinhados ao bolsonarismo sinalizaram apoio ao afastamento de Moraes. Teresa Surita (MDB), candidata ao Senado em Roraima, disse que o STF "ultrapassou limites" e defendeu códigos claros para a Corte.

Para aprovar o impeachment de um ministro do STF é preciso ter uma maioria simples de 41 senadores. A decisão de pautar o tema, contudo, cabe à presidência do Senado, outra meta do PL para a próxima legislatura.

Conquistar uma maioria no Senado, contudo, não será uma tarefa simples. Ao todo, o PL lançou 33 candidatos em 25 unidades da federação. Em estados como Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal, o partido concorre às duas vagas.

A expectativa, porém, é de uma disputa acirrada entre aliados de Flávio Bolsonaro (PL), aliados do presidente Lula (PT) e candidatos que estão neutros em relação à disputa presidencial, mas têm força em seus estados.

Dentre os petistas, três lideram isolados numericamente: Rui Costa (BA), Marília Campos (MG) e Benedita da Silva (RJ). Considerando os cenários de empate técnico, também buscam a primeira vaga Humberto Costa (PE), Paulo Pimenta (RS) e Rogério Carvalho (SE).

Na briga pela segunda vaga, segundo as pesquisas, estão dez petistas, incluindo senadores em reeleição como Randolfe Rodrigues (AP), Fabiano Contarato (ES) e Jaques Wagner (BA). O PT atualmente possui 9 senadores, sendo 6 em fim de mandato.

A estratégia petista de contenção ao avanço do bolsonarismo no Senado também passa pelo apoio a partidos aliados. Além de nomes de legendas de esquerda, o partido também apoia nomes de partidos fora da coligação de Lula, como MDB, PSD e União Brasil.

Aliados de Lula lideram numericamente para a primeira vaga em 11 estados, cenário que inclui nomes como Cid Gomes (PSB-CE), Helder Barbalho (MDB-PA) e Marília Arraes (PDT-PE).

Depois do PL e do PT, legendas como MDB, PSD, PP, União Brasil e Republicanos aparecem entre as legendas com mais candidatos competitivos na disputa.

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