quinta-feira, 30 de abril de 2026

Por que irmãos mais velhos são mais inteligentes, FSP

 Desculpem, irmãos mais novos. Em medidas padrão de sucesso, como escolaridade e renda, os primogênitos se saem melhor. Por quê? Estereótipos retratam os mais velhos como responsáveis e os mais novos como rebeldes —mas estudos em larga escala não encontram ligação significativa entre ordem de nascimento e tipos de personalidade. Novas pesquisas apontam para algo bem diferente: germes.

A diferença de sucesso entre irmãos mais velhos e mais novos vem sendo analisada há décadas. Em 2005, um estudo com a população da Noruega constatou que irmãos mais novos tendem a abandonar os estudos mais cedo do que os primogênitos, independentemente do tamanho da família e do gênero. Eles também ganham menos na vida adulta, com a diferença aumentando a cada filho adicional. Irmãs mais novas têm maior probabilidade de engravidar na adolescência.

Imagem mostra duas crianças brancas, um menino e uma menina, se abraçando no que parece ser um parque. A menina está com os olhos fechados e um sorriso nos lábios, enquanto o braço do menino, aparentemente mais velho, contorna seu pescoço. Eles estão com os rostos colados
Irmãos mais velhos expõem mais novos à vetores que causam mais doenças, atrapalhando desenvolvimento cerebral, sugere estudo - Maksimchuk Vitaly/Photo-maxx/Adobe Stock

Um novo artigo, de pesquisadores dos Estados UnidosChina e Dinamarca, oferece uma explicação. Crianças ficam doentes com frequência, especialmente quando muito pequenas.

Os autores levantaram a hipótese de que filhos mais velhos poderiam atuar como vetores, expondo os pais e os irmãos mais novos —mais vulneráveis— a doenças. Utilizando dados administrativos da Dinamarca, os pesquisadores concluíram que irmãos mais novos têm de duas a três vezes mais chance do que os mais velhos de serem hospitalizados por doenças respiratórias graves no primeiro ano de vida.

Os efeitos de choques de saúde precoces parecem persistir. Doenças podem prejudicar o desenvolvimento cerebral diretamente (ao causar inflamação) e indiretamente (ao desviar energia do cérebro para o combate à doença). Os autores identificaram uma relação causal entre exposição precoce a doenças e salários mais baixos na vida adulta. Outros estudos apontam que febres e doenças respiratórias durante a gravidez também podem afetar o desenvolvimento cerebral do feto.

Os dados dinamarqueses sugerem que as doenças podem explicar cerca de metade da diferença salarial de 1,9% entre irmãos primogênitos e segundos filhos. O comportamento dos pais pode explicar o restante.

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Como irmãos mais novos frequentemente reclamam, os primogênitos acabam recebendo mais atenção. Dados americanos sobre uso do tempo mostram que, ao longo da infância, eles desfrutam de 20 a 30 minutos a mais por dia de tempo de qualidade em comparação com segundos filhos na mesma idade.

Pesquisadores estimam que os pais tentam dividir a atenção de forma equilibrada entre os filhos em cada momento — o que significa que os primogênitos acabam acumulando mais ao longo da infância, já que os filhos seguintes exigem muitos cuidados. Para os mais velhos, isso pode significar mais estímulo ao desenvolvimento cognitivo nos anos cruciais. Ao que parece, os irmãos mais novos não estão apenas reclamando à toa.

Congresso derruba veto de Lula a projeto que reduz pena de condenados pelo 8/1 e beneficia Bolsonaro, OESP

 BRASÍLIA – O Congresso impôs nesta quinta-feira, 30, a segunda derrota seguida ao governo Lula ao derrubar o veto do presidente ao projeto que reduz as penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Na Câmara, o placar foi de 318 a 144, com cinco abstenções. No Senado, de 49 a 24. Para o veto ser derrubado, precisaria de maioria absoluta dos parlamentares – ao menos 257 votos de deputados e 41 de senadores.

Partidos com ministérios no governo Lula, como o PSD, ajudaram a derrubar o veto na Câmara. Além disso, parlamentares do PDT e do PSB, que integram a base governista, também votaram pela rejeição do veto do petista. No Senado, o partido de Gilberto Kassab e o MDB liberaram os parlamentares para votar como quisessem.

Manifestação bolsonarista em defesa da anistia ao ex-presidente
Manifestação bolsonarista em defesa da anistia ao ex-presidente Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O projeto foi vetado totalmente por Lula em 8 de janeiro deste ano, durante solenidade no Palácio do Planalto em memória dos três anos dos atos antidemocráticos. O texto aprovado pelo Congresso pode encurtar o tempo de Bolsonaro na prisão em regime fechado.

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A derrubada do veto, no entanto, poderia revogar dispositivos mais rígidos da Lei Antifacção, aprovada em fevereiro, sobre progressão de regime para todos os crimes, inclusive os hediondos, beneficiando condenados por esses atos.

Para evitar que isso ocorresse, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou prejudicados incisos do artigo 112 da Lei de Execuções Penais (LEP), conforme antecipado pelo Estadão.

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“A fim de não frustrar a deliberação do Congresso Nacional no PL Antifacção e, ao mesmo tempo, não prejudicar os propósitos do PL da Dosimetria, analisamos ponto a ponto as alterações propostas por essa matéria, para verificar eventual conflito com as normas vigentes”, indicou o senador.

“Essas normas, caso tivessem o seu veto derrubado, revogariam as novas regras de progressão de regime trazidas pela Lei Antifacção, inclusive a que trata da progressão de condenados que exercem o comando de facções criminosas”, acrescentou.

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“Dessa forma, cabe a esta Presidência compatibilizar a intenção do legislador em ambas as matérias, reconhecendo a prejudicialidade da parte do veto que foi objeto da Lei Antifacção.”

A base de Lula criticou o que chamou de inovação de Alcolumbre e tentou impedir a manobra, sem sucesso. A decisão do presidente do Congresso esvaziou argumento de governistas de que a revogação teria como efeito colateral redução de pena de condenados por crimes hediondos.

A oposição também aproveitou a sessão para comemorar a rejeição do nome do advogado-geral da UniãoJorge Messias, para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF.

“Mais do que uma derrota do governo Lula, foi uma vitória da sociedade, porque nós ouvimos sempre que o Senado não exercia adequadamente a sua prerrogativa de realizar um controle sobre as indicações feitas pelo Presidente da República”, afirmou o senador Sergio Moro (PL-PR), ex-ministro de Jair Bolsonaro e pré-candidato ao governo do Paraná.

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“E a indicação que foi feita nessa oportunidade, embora até o Ministro Jorge Messias tivesse os seus predicados pessoais, repetia um padrão que a sociedade não quer mais.”

Líderes partidários afirmam, nos bastidores, que as duas derrotas sofridas pelo governo já estavam precificadas. Desde o começo, Messias enfrentou a oposição de Alcolumbre, que preferia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

A derrubada da dosimetria, por outro lado, fez parte de um acordo para que a Comissão Parlamentar de Inquérito do Master não fosse instalada. A rejeição do veto já teria sido “entubada” pelo governo, na avaliação de um líder de partido do centro.

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Apesar disso, lideranças partidárias afirmam ver uma crise de difícil solução entre os Poderes e um baque expressivo na articulação política do governo.

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe, sendo cerca de seis anos em regime fechado. Com a derrubada do veto, Bolsonaro teria a pena reduzida para 20 anos, com diminuição do tempo de regime fechado para dois anos e quatro meses. Atualmente, o ex-presidente está em prisão domiciliar por problemas de saúde.

A proposta foi uma alternativa à anistia ampla que os bolsonaristas defendiam para os condenados pelo 8 de Janeiro, mas que não tinha apoio do Centrão.