segunda-feira, 30 de março de 2026

Florianópolis é a única cidade brasileira eleita pela ONU entre as que mais avançaram no combate ao desperdício de lixo , g1

 Por Roberto Peixoto, g1

 

Além da capital catarinense, aparecem na lista cidades como São Francisco (Estados Unidos), Bolonha (Itália) e Kuala Lumpur (Malásia) — Foto: Sofia Leal/PMF

Além da capital catarinense, aparecem na lista cidades como São Francisco (Estados Unidos), Bolonha (Itália) e Kuala Lumpur (Malásia) — Foto: Sofia Leal/PMF

Florianópolis é a única cidade brasileira em uma lista inédita da ONU que reúne 20 municípios do mundo reconhecidos por ações concretas para reduzir a geração de lixo e melhorar a gestão de resíduos.

A seleção faz parte de uma iniciativa global que busca destacar cidades que já colocam em prática medidas para enfrentar o problema do lixo urbano.

Além da capital catarinense, aparecem na lista cidades como São Francisco (Estados Unidos), Bolonha (Itália) e Kuala Lumpur (Malásia), que adotam diferentes estratégias para reduzir o volume de resíduos e ampliar a reutilização de materiais.

Veja a lista completa:

  • Accra (Gana)
  • Bolonha (Itália)
  • Chefchaouen (Marrocos)
  • Dar es Salaam (Tanzânia)
  • Dehiwala (Sri Lanka)
  • Florianópolis (Brasil)
  • Gaziantep (Turquia)
  • George Town (Malásia)
  • Hangzhou (China)
  • Iloilo City (Filipinas)
  • Kisumu (Quênia)
  • Kuala Lumpur (Malásia)
  • Lilongwe (Malaui)
  • San Fernando (Filipinas)
  • São Francisco (Estados Unidos)
  • Sanya (China)
  • Suzhou (China)
  • Varkala (Índia)
  • Yokohama (Japão)
  • Zapopan (México)

Veja os vídeos que estão em alta no g1

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A capital catarinense vem, há anos, estruturando políticas públicas voltadas à redução do lixo, com metas formais e mudanças na forma como os resíduos são coletados e reaproveitados na cidade.

Em 2018, o município adotou oficialmente o conceito de “lixo zero”, que parte da ideia de que a maior parte do que hoje é descartado poderia ser reaproveitada ou reciclada.

Na prática, isso se traduziu em metas estabelecidas por decreto para diminuir o envio de resíduos aos aterros sanitários, com foco principalmente na chamda fração orgânica, que pode ser transformada em adubo, e nos materiais recicláveis.

A estratégia envolve desde programas de compostagem até a ampliação de pontos de coleta e iniciativas que incentivam a separação do lixo dentro das casas e condomínios.

A iniciativa acompanha uma preocupação crescente no cenário internacional. Segundo a ONU, o mundo gera mais de 2,1 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, um volume que cresce com a urbanização e o aumento do consumo.

Esse montante pressiona o clima, ameaça a biodiversidade, compromete a saúde pública e afeta diretamente populações que vivem próximas a lixões ou dependem da coleta informal de materiais recicláveis para sobreviver.

Entre as iniciativas destacadas estão ações como compostagem de resíduos orgânicos, programas de reciclagem com participação de catadores, sistemas de reutilização e recarga de embalagens e políticas para reduzir produtos descartáveis.

No Brasil, porém, a realidade ainda é marcada por desigualdades. Embora haja avanços em algumas cidades, muitos municípios enfrentam dificuldades para ampliar a coleta seletiva, reduzir o descarte irregular e dar destino adequado ao lixo.

Para José Manuel Moller, vice-presidente do conselho consultivo da ONU sobre lixo zero, o que diferencia as cidades selecionadas é a capacidade de transformar planos em prática.

“Essas 20 cidades importam não porque têm os melhores planos no papel, mas porque estão transformando ambição em ação”, afirmou.

Aterro Sanitário em Uberlândia (MG) usado para o descarte de lixo. — Foto: Prefeitura de Uberlândia/Divulgação

Aterro Sanitário em Uberlândia (MG) usado para o descarte de lixo. — Foto: Prefeitura de Uberlândia/Divulgação

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Ele diz que o conceito de lixo zero já está sendo aplicado na prática. “Elas mostram que lixo zero não é uma visão distante ou apenas uma estratégia de comunicação. É algo prático, local e possível quando as cidades lideram pelo exemplo”, disse.

Justamente por isso, a diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen, afirma que enfrentar o problema também pode trazer ganhos econômicos.

“As soluções para poluição e resíduos são oportunidades para repensar nossas economias com inovação, circularidade e equidade”, alerta.

Já a diretora-executiva do ONU-Habitat, Anacláudia Rosbach, destaca que as cidades têm papel direto na implementação dessas mudanças.

Segundo ela, políticas públicas e parcerias são essenciais para avançar. “Essa iniciativa mostra como a ação local, quando apoiada por boa governança e parcerias, pode acelerar a transição para sistemas urbanos mais resilientes e sustentáveis”.

Segundo a ONU, a lista completa será apresentada oficialmente no Dia Internacional do Lixo Zero, em 30 de março, e deve servir como referência para outras cidades.

Prédio icônico do Hard Rock Hotel na avenida Paulista vira estacionamento e é multado por pichações, FSP

 Priscila Mengue

São Paulo

O icônico prédio curvo e afunilado da avenida Paulista voltou recentemente a abrir os portões. Anunciado cerca de oito anos atrás como o primeiro Hard Rock Hotel de São Paulo, virou endereço de um quase xará: o Hard Park Estacionamentos —razão social da empresa que transformou as garagens do edifício em estacionamento rotativo.

Enquanto a frente da torre expõe uma faixa de promoção para vagas de mensalistas, uma placa de "aluga-se" indica que o restante do edifício segue esvaziado. Os ares de abandono do imóvel renderam uma multa neste mês, após notificações em janeiro, pela Subprefeitura Pinheiros.

A penalidade se deve à situação da fachada, repleta de pichações, vidros quebrados e janelas abertas há anos. Em nota, a prefeitura indicou que o local é monitorado e pode sofrer nova autuação se o descumprimento persistir.

Proprietário, o Grupo Savoy retomou o prédio após o despejo da antiga locatária em agosto de 2025, pelo estado de abandono e dívidas de mais de R$ 17,2 milhões. O contrato firmado em 2018 previa a implantação de um hotel cinco estrelas, mas a obra não avançou mesmo após a emissão do alvará, em 2021.

Placa de estacionamento com informações de preço em primeiro plano, indicando R$ 10,00 para até meia hora. Ao fundo, edifício alto com fachada de janelas e prédios ao redor sob céu parcialmente nublado.
Estacionamento rotativo foi aberto nos acessos do icônico Edifício Torre Paulista, com entradas pela alameda Santos e avenida Paulista - Zanone Fraissat/Folhapress

O imóvel é anunciado na internet com aluguel de R$ 1,8 milhão para o prédio inteiro, além do IPTU. Está esvaziado desde 2018, quando a Savoy e inquilinos deixaram o local após o contrato do futuro Hard Rock Hotel.

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Em nota, a empresa respondeu que analisa propostas de interessados, tanto para hotelaria quanto para uso corporativo. "Serão necessárias obras internas de adequação em ambos os usos, o que permitirá atualizar o imóvel e restabelecer o seu padrão AAA", completou.

O fracasso se deve em parte à crise financeira e a imbróglios diversos envolvendo empresas do empreendimento. A venda de cotas de unidades do Hard Rock Hotel Fortaleza está suspensa desde 2025, por exemplo, enquanto a empreitada no Paraná teve a troca de bandeira hoteleira anunciada em janeiro.

Já a Residence Club, responsável pelo empreendimento, diz que as "questões relacionadas ao imóvel seguem sendo tratadas entre as partes envolvidas e nas instâncias competentes". Também salientou o distrato em 2025. Não informou o cronograma de entrega das três obras previstas e atrasadas em outros estados.

Prédio de concreto com várias janelas horizontais, algumas abertas, e grafites visíveis em uma das faixas de janelas. Fachada apresenta desgaste e manchas, com árvores parcialmente cobrindo o lado direito da imagem.
Fachada do Edifício Torre Paulista tem pichações e janelas quebradas; proprietária do prédio foi multada pela Prefeitura - Zanone Fraissat/Folhapress

Chamado Edifício Torre Paulista, o prédio é conhecido pela forma de "escorregador" e o passado como sede do banco Sumitomo. O projeto arquitetônico é coassinado pelo arquiteto Jorge Zalszupin (o mesmo da fachada original do Shopping Ibirapuera e conhecido especialmente por trabalhos de mobiliário).

Despejo na Paulista

O despejo ocorreu em agosto de 2025, com aval da Justiça para arrombamento e reforço policial. A Savoy havia ingressado com o pedido por meio da alegação de abandono, descumprimentos contratuais, dívidas e risco de invasão.

Imagens feitas por oficial de justiça mostram acúmulo de entulho, demolições parciais e danos variados em diversos andares. Cartazes dispostos nas escadas de emergência indicavam os usos previstos após a reforma, como de "rooftop bar".

Entrada de estacionamento com placa vermelha indicando promoção mensalista. Dois policiais estão ao lado do portão preto de grades, com prédios altos ao fundo e uma pequena árvore à direita.
Garagem do Edifício Torre Paulista foi aberta como estacionamento rotativo, mas restante do prédio icônico da avenida Paulista segue esvaziado - Zanone Fraissat/Folhapress

O contrato de locação havia sido firmado em 2018, com aditivos em 2021 e em 2023, e validade até 2052. Parte das alterações deu isenção do aluguel de R$ 1,7 milhão (valor de 2018) por grande parte do contrato, o que explica o valor da dívida de R$ 13 milhões em locação. Os demais débitos são de encargos, impostos, multas e juros.

A VCI (atual Residence Club) havia se responsabilizado por investimento de R$ 58 milhões (valores de 2018). O montante incluía o pagamento pela marca internacional e 18 meses de obras de adaptação.

A reportagem procurou a Hard Rock International por e-mail, mas não obteve retorno. A marca opera geralmente no sistema de franquias e não tem histórico de se manifestar sobre esse caso.

Duas imagens mostram danos extensos em um edifício. À esquerda, destroços metálicos verdes e pedaços de madeira estão empilhados em área externa próxima a uma parede branca com janela e ar-condicionado. À direita, interior com teto parcialmente desabado, pedaços de forro caídos e entulho espalhado pelo chão, com janelas ao fundo.
Oficial de justiça apresentou diversas fotografias do interior do Edifício Torre Paulista após despejo, em agosto de 2025 - Reprodução TJ-SP

Imbróglio em mais estados

O endereço da Paulista era parte de um plano brasileiro de hotéis Hard Rock, reduzido ao longo de uma década. A principal empresa à frente dos negócios mudou de nome, de VCI (Venture Capital Participações e Investimentos) para Residence Club.

Hoje, a holding tem três empreendimentos, todos de multipropriedade (quando há venda de uma fração de uma mesma unidade). As obras estão atrasadas há anos e são alvos de centenas de ações judiciais e reclamações na internet.

O Hard Rock Fortaleza (em Paraipaba, no Ceará) teve as vendas congeladas em agosto de 2025, por ação do MP-CE (Ministério Público do Ceará), por exemplo. Também recebeu multas milionárias por atrasos e repasse de encargos a clientes.

Já o Hard Rock Hotel Ilha do Sol (em Sertaneja, no Paraná) teve a bandeira trocada para Wyndham em janeiro. A decisão foi criticada por uma parte dos clientes. A nova data de entrega não foi atualizada.

O terceiro é o de Jijoca de Jericoacoara, no litoral do Ceará. A obra também não foi entregue.

Nenhum dos três aparece na lista de futuros hotéis ligados à rede estrangeira. No site oficial da marca, os únicos brasileiros são cafés já em funcionamento ou desenvolvimento, além do futuro hotel de Gramado, empreendimentos ligados a outras empresas.

Gráfico mostra a área de cada andar do Edifício Sumitomo Paulista, do térreo ao 21º andar, incluindo subsolos e estacionamento. O gráfico destaca variações de área por andar, com texto explicativo sobre o prédio e fotos em preto e branco da fachada e detalhes do edifício.
Anúncio do Edifício Torre Paulista em edição da Folha de S.Paulo de 1973 - Acervo Folha

Na nota, a Residence Club alegou priorizar os interesses dos clientes, com foco na continuidade e entrega dos projetos. Atribuiu parte dos problemas a decisões estruturais e operacionais da gestão anterior e, ainda, apontou que a Hard Rock International teria imposto "restrições operacionais que impactaram diretamente a comercialização, a geração de receita e, consequentemente, o avanço das obras".

Sobre o Ilha do Sol, respondeu que a troca de bandeira "reforça o compromisso da companhia em fortalecer os projetos e preservar a qualidade dos produtos adquiridos pelos clientes".

A venda das ações do antigo CEO da VCI é alvo de disputa judicial. A inclusão dele na ação de despejo do Torre Paulista foi negada pela Justiça.

Em nota, Samuel Schiarolli salientou não ter ingerência na gestão da companhia e dos empreendimentos desde dezembro de 2023. Também disse que "cumpriu rigorosamente com todas as obrigações que lhe eram cabíveis", assim como ressaltou a auditoria das contas e absolvição em processo na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Em rede social, recentemente afirmou que os empreendimentos alcançaram R$ 2,5 bilhões em vendas e 20 mil clientes em quatro anos.