quarta-feira, 24 de junho de 2026

Lula precisa de um momento Messi, Elio Gaspari,FSP

 Depois de ter perdido um pênalti, Messi fez dois gols contra a Áustria e decidiu a partida. Terminada a Copa, começará a campanha eleitoral. Até outubro, Lula precisará destravar uma dissonância das pesquisas. Segundo o Ipec, 50% dos entrevistados desaprovam seu governo. Segundo o Datafolha, 38% acham que Lula 3.0 é ruim, contra 32% satisfeitos. Tudo bem, perdendo um pênalti, Messi não é mais o mesmo.

Fulanizando a disputa, o Datafolha indicou que Lula teria 41% contra 31% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. A terceira via patina com Ronaldo Caiado e Renan Santos (3%), mais Romeu Zema e Aécio Neves (2%).

Um presidente reprovado por metade dos entrevistados é o preferido com dez pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado. Marcando um gol poucos minutos depois, Messi é o grande artilheiro das Copas.

Homem idoso com barba branca e chapéu preto fala gesticulando com as mãos diante de dois microfones. Ele veste terno escuro, camisa branca e gravata azul, com fundo desfocado colorido.
O presidente Lula, durante evento em Brasília - Evaristo Sá - 12.jun.26/AFP

Salta aos olhos que os candidatos da terceira via ainda não decolaram e, pelo andar da carruagem, dificilmente decolarão. Serão muitas as explicações, mas até agora nenhum deles firmou uma identidade. Nem Flávio Bolsonaro, salvo pela conexão dinástica.

Depois dos quatro tumultuados anos de Jair Bolsonaro, o eleitor parece querer paz com Lula, mesmo não gostando do seu governo. Essa situação pode ser explicada imaginando-se um eleitor que viu no Bolsonaro pai um presidente que não gostava de vacinas durante uma epidemia nem de urnas eletrônicas numa eleição. Flávio seria algo novo, mas até agora seu único aliado de peso chama-se Donald Trump e mora nos Estados Unidos.

Trump está no meio de seu segundo mandato. Não se conhece uma só medida saída da Casa Branca que tenha sido simpática ao Brasil. Outras, como o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, foram claramente arbitrárias e antipáticas, produto da cavalgada bolsonarista pela Casa Branca.

Até outubro, a usina de encrencas de Washington produzirá novidades, mas Lula e o PT parecem ter metabolizado Donald Trump, associando-o a tarifaços e ameaças à soberania nacional. Os adversários do PT que engataram sua charanga na locomotiva do presidente americano foram com sede ao pote. O vinho desse copo é vinagre.

Faz tempo, quando o general Emílio Médici governava o Brasil, foi recebido em Washington pelo presidente Richard Nixon. Para lambuzá-lo, o americano disse que "para onde for o Brasil, irá toda a América Latina". A torcida governista exultou, mas o chanceler Mário Gibson Barboza sentiu o travo do vinagre: "É o beijo da morte". Não deu outra, afinal, Gibson era um diplomata experimentado.

Depois do primeiro tarifaço de Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram ao menor nível em 30 anos. Para Trump essa notícia é boa. Para os Bolsonaro, que festejaram a medida, a conta virá em outubro. Eles montaram um cenário inédito: os eleitores não gostam do governo, mas, por enquanto, preferem manter Lula no Planalto. As dissonâncias das pesquisas de junho mostram o que se sabe.

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