O que fazer com 180 milhões de toneladas de rejeito do minério de bauxita geradas por ano no mundo na fabricação de alumina, que no final desta década poderão superar 210 milhões de toneladas? Esse é um dos grandes problemas ambientais da indústria do alumínio, que busca soluções para dar uma destinação sustentável à chamada lama vermelha.
Na Alunorte, maior refinaria de alumina do mundo, em Barcarena (PA), 40 quilômetros ao sul de Belém, projeto de separação de minerais contidos na lama vermelha poderá se transformar num grande negócio. Um produto de alto valor é o ferro metálico de baixo carbono, cobiçado por siderúrgicas; outro é a escória (silicato de alumina), para uso em fornos de cimenteiras.
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O projeto é conduzido pela New Wave, empresa de tecnologia sustentável em mineração, criada em 2019 e que tem como acionistas o empresário Gustavo Emina e a gestora de ativos Lorinvest (controladora), além de fundos internacionais, como o Orion Resources e o Just Climate. A empresa desenvolveu a tecnologia, patenteada, de micro-ondas.
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Por meio da Wave Aluminium, a empresa está em fase adiantada de instalação de uma unidade de demonstração no site industrial da Alunorte, fabricante do grupo norueguês Hydro, do setor de alumínio, em Barcarena (PA). Nessa fase, o investimento é de R$ 250 milhões para produção de 50 mil toneladas ao ano. A previsão é de entrar em operação em novembro.
A WA é especializada em transformar resíduos, como a lama vermelha do minério de bauxita processada, em matérias-primas de elevado valor comercial, caso do ferro metálico (mais conhecido como ferro-gusa), utilizado na fabricação de aço. O ferro metálico de baixo carbono, com alto teor ferrífero, é elemento relevante na descarbonização da siderurgia, que busca a redução de emissões de CO₂.
O plano da New Wave é, no passo seguinte, montar um complexo industrial capaz de processar 2,2 milhões de toneladas de rejeito por ano em cada módulo. Estão previstos três módulos no site da Alunorte. O investimento para instalar a primeira usina em escala industrial é de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões). Emina informa que a empresa buscará sócios investidores, como fundos internacionais de impacto ambiental, e o apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na produção de alumina — 6,3 milhões de toneladas por ano —, a Alunorte gera cerca de 5 milhões de toneladas de rejeitos. É esse material que será a matéria-prima da WA, de onde vai extrair, por meio da tecnologia de micro-ondas, cerca de 24% do ferro contido no rejeito e cerca de 40% de coprodutos (silicato de alumina) usados na indústria da construção civil, como cimenteiras.
De alguns anos para cá, a lama vermelha da Alunorte sai quase seca (21% de umidade) após passar por filtros-prensa na refinaria. “Essa solução tecnológica da New Wave muda o jogo da indústria do alumínio. Não será necessário construir novos depósitos para colocar o rejeito”, afirma Carlos Neves, Diretor de Operações (COO) da Hydro Bauxita & Alumina.
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Emina, da New Wave, afirma: “É uma solução que se mostra viável e sustentável, que está atraindo a atenção de mineradoras de várias partes do mundo. É a mais inovadora do setor mineral”.
O executivo informa que o custo de produção do ferro-gusa, por esse processo, sai em torno de US$ 220 a US$ 250 a tonelada. No mercado brasileiro, o produto é comercializado entre US$ 375 e US$ 410 a tonelada. Nos EUA, entregue em portos locais, atinge até US$ 470 a tonelada.
O primeiro módulo com produção em escala industrial tem previsão de ser instalado na Alunorte e entrar em operação entre 2030 e 2032. Até lá, a empresa terá de obter o licenciamento ambiental e depois mais 28 meses de obras, informa o executivo.

Ele informa que a planta de demonstração visa gerar produtos para os futuros clientes e, ao mesmo tempo, parâmetros operacionais para a unidade industrial, que terá gestão de um consórcio de investidores a ser constituído após o início da unidade semi-industrial.
Segundo Emina, a empresa está discutindo acordos para seis projetos nos EUA e na Austrália, grande produtora de alumínio. E há outras frentes de negócios sendo desenvolvidas por duas empresas controladas: a New Wave Rare Earths (para processar rejeitos de terras raras) e a Wave Lithium (voltada ao refino de minério de lítio).
Recuperação de terras raras em rejeitos
Usando tecnologia desenvolvida no centro tecnológico da empresa em Duque de Caxias (RJ), a New Wave visa também o mercado de terras raras, a partir da recuperação de óxidos contidos em rejeitos (lama vermelha) gerada do beneficiamento da bauxita para fazer alumina.
Emina cita que o minério explorado em Poços de Caldas (MG) e na Jamaica, grande minerador de bauxita, são fontes ricas em elementos de terras raras.
A New Wave Rare Earths tem plano de montar uma planta-piloto em Duque de Caxias, que está na fase de engenharia, ao lado da New Wave Tech, onde são desenvolvidas as tecnologias que dão origem a novas empresas do grupo, depois de comprovadas.
O plano é trabalhar com fonte secundária (recuperação de rejeitos) e primária (minério de terras raras). A empresa tem uma área própria de minério de terras (argilas iônicas), em Goiás, onde pretende extrair e concentrar óxidos, como cério, escândio, lantânio, praseodímio e neodímio. “No longo prazo, a previsão de preços para Nd (Neodímio) e Pd (Praseodímio) é de US$ 230 o quilo”, afirma o executivo. Atualmente está em torno de US$ 110.

A empresa tem duas áreas com concessões para pesquisa. Segundo Emina, o maior problema na exploração de terras raras é o grau de radioatividade devido à presença de tório e urânio, mas observa que nas argilas iônicas há menor porcentagem desses dois elementos. “Nossa tecnologia vai concentrar e isolar óxidos de terras raras com uso de inteligência artificial e de robótica”.







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