A AIE (Agência Internacional de Energia) voltou a reduzir a previsão de demanda mundial de petróleo para 2026, ao destacar o impacto "considerável" da guerra no Oriente Médio, mesmo após o anúncio do acordo temporário entre EUA e Irã para encerrar o conflito.
Segundo o relatório mensal da agência, a demanda mundial cairá em 1,1 milhão de barris diários em 2026, uma redução quase três vezes maior que a prevista no mês passado, quando a AIE ainda contava com o retorno da normalidade a partir de junho.
Os números preliminares mostram que as entregas de petróleo do segundo trimestre de 2026 caíram quase 5% em termos anuais, devido "ao aumento dos preços dos combustíveis e às dificuldades de abastecimento" desde que, no final de fevereiro, a guerra no Oriente Médio provocou o bloqueio do estreito de Hormuz, por onde transita quase 20% do petróleo mundial.
O retrocesso trimestral nas entregas seria o primeiro desde 2020, ressalta a AIE. Ao mesmo tempo, "os estoques continuam diminuindo em ritmo recorde, apesar da queda significativa na demanda por petróleo", afirmou a AIE em seu relatório.
A queda dos estoques é particularmente considerável nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que registraram o menor nível desde 1990 com um retrocesso de 163 milhões de barris.
Além disso, a oferta mundial de petróleo está ainda mais enfraquecida. Em maio, a produção caiu para 94,5 milhões bpd (barris de petróleo por dia), ou seja, 12,5% a menos do que antes do início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Como resultado, as reservas mundiais diminuíram em quase 220 milhões bpd entre abril e maio, segundo a AIE.
"Novas quedas nos próximos meses poderiam voltar a levar as reservas mundiais de petróleo a níveis historicamente baixos, antes que o equilíbrio do mercado se incline para um excedente até o final do ano", destacou a agência.
Para tranquilizar os mercados, os 32 países-membros da AIE anunciaram em março a liberação coordenada de 426 milhões bpd, mais de um terço de suas reservas estratégicas, em uma decisão sem precedentes.
O fato é que o acordo alcançado entre Estados Unidos e Irã para acabar com o conflito e desbloquear Hormuz "abre a porta para uma retomada das exportações do Oriente Médio", reconheceu o organismo.
"ALÍVIO BEM-VINDO" PARA 2027
"[As] limitações operacionais e políticas que ofuscam as perspectivas" persistem, declarou a agência, que não prevê uma recuperação da demanda nem da oferta de petróleo antes de 2027.
O diretor da AIE, Fatih Birol, defendeu na terça-feira (16) uma "reabertura total e incondicional do estreito de Hormuz" para sair da crise energética mundial, que já está levando os países afetados a revisar suas políticas.
"Mesmo que voltemos aos preços que o mundo conheceu anteriormente, esta crise provocou ondas de choque no setor energético mundial", afirmou.
A situação "está levando os países a revisar a política energética, estratégia, opções ou parceiros", comentou Birol.
Para 2027, a AIE prevê um aumento "modesto" da demanda (em torno de 2 milhões bpd), mas uma forte recuperação da oferta (+8 milhões bpd), o que poderia representar um "alívio bem-vindo" ao mercado de petróleo e uma "oportunidade" para reconstruir os estoques.

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