quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Mudar ministros requer etiqueta, Elio Gaspari, FSP

 Lula troca alguns de seus ministros num humilhante processo de fritura pública que desqualifica o próprio governo.

Em setembro de 2023, sem uma só palavra de agradecimento, ele demitiu a atleta Ana Moser do Ministério do Esporte, colocando no seu lugar o deputado André Fufuca (PP-MA). Tratava-se de trocar competência na equipe por votos do centrão na Câmara.

A imagem mostra um homem de cabelo grisalho e barba, vestindo um terno escuro, de costas, e uma mulher com cabelo escuro e liso, usando uma blusa cinza, olhando para a câmera. Ela segura pastas coloridas. Ao fundo, há uma bandeira do Brasil.
Lula e Nísia Trindade deixam cerimônia sobre vacinas no Palácio do Planalto - Gabriela Biló/Folhapress

Numa operação semelhante, em 1996, o presidente Fernando Henrique Cardoso viu-se obrigado a dispensar a ministra Dorothea Werneck, da Indústria e Comércio. Visitou-a, comoveu-se e registrou em seu diário: "Fui ficando com raiva de mim mesmo". O cavalheirismo foi uma das marcas da Presidência de FHC.

Depois da dispensa de Ana Moser, a descortesia mudou de patamar. Em janeiro passado, Lula trocou o ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, submetendo-o a um processo de fritura pública, desqualificando seu trabalho. Como Pimenta é um velho companheiro do PT, seria um tipo especial de jogo jogado.

Num novo lance, fritou a ministra Nísia Trindade. Há mais de uma semana ela dava expediente enquanto circulavam rumores de que seria substituída pelo colega Alexandre Padilha. Há dias, em Itaguaí, Lula disse que "de vez em quando, a gente erra, mas na maioria dos casos a gente escolhe um ministro de qualidade". A gente quem, cara pálida? Quem escolhe os ministros é o presidente da República.

Esse tipo de tratamento para os ministros que serão dispensados ofende também os que permanecem e inibe eventuais postulantes. Chegar ao ministério pode ser uma ambição de pessoas qualificadas, mas o risco de uma dispensa humilhante não vale a pena ser corrido. Para um candidato desqualificado, tanto faz, pois seus interesses são outros.

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Há algo imperial nos maus modos de Lula. Na segunda-feira, ele revelou que, numa conversa com um presidente da Petrobras, soube que a empresa pretendia comprar uma sonda coreana e disse-lhe: "Não vai comprar. Se você comprar, a mesma caneta que te colocou na presidência vai te tirar da presidência. Nós vamos fazer aqui".

Lula não revelou quando ocorreu esse diálogo, mas falava de corda em palácio de enforcado. A construção de sondas para explorar petróleo gerou a Sete Brasil, empresa que faliu em novembro passado, deixando um espeto de R$ 36 bilhões e recordações de uma tenebrosa caixinha revelada na colaboração do ex-ministro Antonio Palocci, designado para administrá-la.

A postura imperial de Lula espelha a conduta de dois presidentes excêntricos: João Figueiredo (1979-1985) e Jair Bolsonaro (2019-2022).

Dispensar ministro é coisa que exige alguma etiqueta dos presidentes e de suas vítimas. Lula tem sido brindado com a elegância dos colaboradores que demitiu. Nenhum deles saiu atirando.

Em 1953, Getúlio Vargas demitiu por telegrama o ministro da Educação, Ernesto Simões Filho, que estava na Europa. O governo começava a ir mal das pernas e Simões recusou-se a reclamar, com uma frase que vale tanto para quem sai como para quem tira: "Perdi a pasta, mas não perdi a educação".

Prefeitura de São Paulo inaugura 'prisômetro' com dados em tempo real de prisões feitas pela GCM, FSP

A gestão Ricardo Nunes (MDB) inaugurou, nesta terça-feira (25), um "Prisômetro" na cidade de São Paulo. O projeto é formado por um painel instalado no centro da capital paulista que informa o número de prisões feitas pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) a partir de imagens captadas pelas câmeras do Smart Sampa.

Ao todo, foram 1.901 detenções em flagrante desde o início da operação no ano passado.

Prometendo apresentar informações atualizadas em tempo real, o painel digital está instalado em frente ao Centro de Comando do Smart Sampa, na rua 15 de Novembro. O sistema de monitoramento conta com cerca de 23 mil câmeras inteligentes instaladas pela cidade.

No visor também constarão, segundo a prefeitura, os números de foragidos da Justiça capturados, presos em flagrante e pessoas desaparecidas que foram encontradas.

Prisômetro, no centro da cidade de São Paulo - Paulo Pinto/Agência Brasil

Ainda segundo a gestão municipal, a ferramenta contará em breve também com informações sobre veículos roubados ou furtados apreendidos pela GCM.

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O "Prisômetro" é um painel de LED, com 3 metros de altura por 1 metro de comprimento. A prefeitura afirma que o projeto foi viabilizado por meio de doação da iniciativa privada. O projeto pretende integrar dados com órgãos como Samu, CET e polícias Militar e Civil.

O projeto ocorre em meio a uma tentativa de transformação da Guarda Civil Metropolitana em Polícia Municipal. A mudança, que deve ser votada nesta quarta-feira (26) pela Câmara Municipal, será possível após a autorização do STF (Supremo Tribunal Federal) para que guardas-civis atuem como polícia.

Em julgamento concluído na última quinta-feira (20), os ministros afirmaram ser constitucional a criação de leis municipais fixando essa competência para essas forças de segurança.

Com a decisão, guardas podem fazer policiamento ostensivo e comunitário e agir diante de condutas lesivas a pessoas, bens e serviços, inclusive realizar buscas pessoais e prender em flagrante. O Ministério Público fará o controle externo das atividades.

"Seguimos trabalhando fortemente, aumentando o efetivo da Guarda Civil Metropolitana, que faz um trabalho integrado com as polícias Militar e Civil, e com o uso da tecnologia para melhorar os índices de segurança na cidade de São Paulo, trazendo mais segurança para a população", disse em nota o prefeito Ricardo Nunes.

De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública do estado, o número de roubos e de homicídios dolosos em São Paulo tiveram queda em 2024 e chegaram ao menor patamar desde o início da série histórica, em 2001.

Além disso, no segundo ano de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no cargo de governador as mortes provocadas pela polícia chegaram ao maior patamar desde 2020.

Os números de latrocínio (roubo seguido de morte) ficaram praticamente estáveis no estado, mas cresceram na capital paulista.

Houve um total de 193.658 registros de roubo em todo o estado, queda de 15% em relação ao ano retrasado e menor número desde o início da série histórica. Na capital, foram 115.172 roubos registrados, uma queda de 13%. É o melhor resultado na cidade de São Paulo desde 2012.

No entanto, as vítimas de latrocínio no estado foram 170 em 2024, ante 167 em 2023. A capital puxou esse aumento, pois teve dez casos a mais: foram 53 mortes contra 43 no ano anterior. Esse crime já havia superado a marca de 2023 na soma de janeiro a novembro de 2024 na cidade de São Paulo.

Na capital, apesar do alívio nas estatísticas gerais de roubos e furtos, algumas regiões da cidade já haviam registrado piora na soma de janeiro a novembro de 2024 em relação a 2023. Os dados de dezembro do ano passado ainda não estão disponíveis.

Áreas como Itaquera, Belém e Alto da Mooca haviam tido alta de roubos, enquanto os furtos já eram maiores na parcial de 2024 em Monções, Vila Santa Maria, Vila Brasilândia e Campo Limpo, entre outros.

A taxa de homicídios por 100 mil habitantes foi de 5,9 no estado. Na capital, o índice ficou em 4,36 homicídios por 100 mil habitantes. Nos dois casos, são as taxas mais baixas desde 2001.