sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Punição coletiva, Demétrio Magnoli, FSP

Punição coletiva é o corolário lógico da noção de responsabilidade coletiva, que imputa a uma sociedade inteira a culpa por atos de um Estado ou governo. Os atentados de 7/10 que deflagraram o atual conflito e a represália militar na Faixa de Gaza inscrevem-se nessa lógica bárbara.

A operação do Hamas não teve nenhum objetivo militar. O massacre deliberado de 1.300 civis israelenses, inclusive crianças, numa orgia macabra de violência, desnuda a alma da organização terrorista. Do ponto de vista dela, inexiste diferença entre civis e militares, pois todos seriam "soldados da ocupação".

Na guerra de independência da Argélia (1954-62), a Frente de Libertação Nacional promoveu ataques a civis, lembram vozes prontas a oferecer uma justificativa anticolonial para o terror do Hamas. O argumento, em si mesmo problemático, delineia um paralelo falso –e, por isso, revelador.

Os colonos de origem francesa na Argélia pertenciam a um empreendimento imperial. Os israelenses massacrados, por outro lado, não perfilam-se sob a bandeira de um poder estrangeiro: Israel nasceu da imigração de judeus perseguidos por pogroms e pela máquina genocida nazista. Só se pode legitimar a barbárie do 7/10 pela adoção do objetivo político do Hamas: a destruição do Estado judeu.

Destroços de prédios após bombardeamentos provenientes da guerra no sul da Faixa de Gaza
Destroços de prédios após bombardeamentos provenientes da guerra no sul da Faixa de Gaza - Ibraheem Abu Mustafa - 17.out.23/Reuters

O antissemitismo vive –e, na hora da guerra, rasga a fantasia esperta de antissionismo. "Morte aos judeus", gritaram manifestantes em Nova York, Paris, Londres e até Berlim. O discurso "decolonial" de raiz identitária ajusta-se como luva ao conceito abominável de punição coletiva. Israel seria parte do sedimento "ocidental", "europeu", "branco", depositado no mundo ao longo dos últimos séculos. Inexistiria, portanto, distinção entre o colono da Argélia e o civil israelense. Em nome da caricatura "decolonial", o Estado judeu deveria desaparecer.

As leis internacionais conferem ao Estado de Israel o direito de autodefesa, o que inclui uma represália suficiente para desmantelar o aparato militar e governamental do Hamas. Contudo, o direito humanitário estabelece condicionalidades, expressas pelas leis de guerra. Israel não tem o direito de enveredar pela punição coletiva.

De fontes insuspeitas, emergem indícios de que a tragédia no hospital de Gaza decorreu de foguetes errantes da Jihad Islâmica, não de bombas israelenses (shorturl.at/aCDE0). Entretanto, a eventual prova de inocência não exime Israel da responsabilidade pela interrupção total de fornecimento de água, eletricidade e alimentos à Faixa de Gaza e por bombardeios indiscriminados que causam milhares de vítimas civis. Tais atos configuram crimes de guerra –como, aliás, apontam familiares de israelenses trucidados ou tomados como reféns no 7/10.

Uma linha invisível divide a sociedade israelense. "Não tenho necessidade de vingança, nada ressuscitará os mortos", escreveu Ziv Stahl, diretora do grupo de direitos humanos Yesh Din, que escondeu-se num porão de seu kibutz durante os atentados. Ela alerta para a necessidade pragmática de uma "solução política". Contudo, do outro lado da linha, a pulsão de vingança nutre-se da ideia exterminista de que a população civil palestina é parte do conflito.

Bem antes do 7/10, Bezalel Smotrich, um dos fanáticos que ocupam pasta ministerial no governo de Israel, dirigiu aos cidadãos árabes-israelenses as seguintes palavras: "Vocês estão aqui por engano, porque Ben-Gurion [primeiro chefe de governo israelense] não concluiu o serviço em 1948 e não os chutou para fora". Os extremistas abrigados sob o guarda-chuva de Netanyahu tentam aproveitar a oportunidade oferecida pelo Hamas para "concluir o serviço".

Tanto o Hamas quanto Israel trilham a estrada da punição coletiva. Paralelo perfeito? Não: Ziv Stahl assina textos no Haaretz, enquanto oponentes palestinos do Hamas são torturados e executados em Gaza.

 

Europa proíbe venda de maquiagens com glitter, The News

 

(Imagem: Pinterest | Reprodução)

Os bloquinhos europeus vão precisar se reinventar. Isso porque a União Europeia aprovou a proibição definitiva da venda de tudo o que envolve glitter.

  • E o banimento não foi apenas do glitter, mas de todos os produtos feitos a partir de microplásticos em todos os países do bloco.

A medida do Pacto Ecológico Europeu vai atingir empresas de cosméticos, materiais de construção, fertilizantes, medicamentos e instalações industriais.

Mas o que são os microplásticos? Como o nome já diz, são pequenas partículas de plástico que medem menos de cinco milímetros de diâmetro.

Motivo: O material não se degrada e isso significa que uma vez que está no ar, água ou solo, ele simplesmente não pode ser extinto do planeta. Só para ter noção, a ONU estima que existam mais microplásticos nos mares do que estrelas na galáxia.

O impacto ambiental que isso causa pode ser enorme. Só na Europa, 42 mil toneladas desses pedacinhos de plásticos são liberados todos os anos.

A restrição serve para produtos europeus e importados, e alguns cosméticos específicos terão de 4 a 12 anos para adaptação — mas o glitter já está proibido. Será que a moda pega?


ESTADÃO / POLÍTICA Romeu Zema diz que ‘carro elétrico é uma ameaça aos nossos empregos’

 O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou, durante seu discurso em evento que formalizou o Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), em São Paulo, que carros elétricos são “uma ameaça aos nossos empregos”. A sustentabilidade é um dos principais temas de debate do Cosud, junto com a reforma tributária e a segurança pública.

“Nós temos que lembrar: o carro elétrico é uma ameaça aos nossos empregos aqui. A transição para o carro elétrico envolve a importação de baterias, que pouquíssimos países produzem”, afirmou Romeu Zema em seu discurso, completando: “Envolve nós destruirmos aqui milhões de empregos de uma cadeia produtiva que não vai ter mais sentido, peças de motor à combustão, escapamentos, uma série de itens não são utilizados no carro elétrico. Vai significar a migração de empregos, sem considerar em posto de gasolina, em concessionárias.”

Romeu Zema, de Minas Gerais, no encontro da Cosud, órgão que reúne os governadores dos sete Estados das regiões Sul e Sudeste
Romeu Zema, de Minas Gerais, no encontro da Cosud, órgão que reúne os governadores dos sete Estados das regiões Sul e Sudeste  Foto: ALEX SILVA/ESTADAO

Em seu discurso, o governador mineiro também enfatizou que Minas Gerais tem recebido fortes investimentos na região do Jequitinhonha para a produção do “lítio verde”. O Estado assinou um protocolo de intenções com a empresa norte-americana Atlas para investimento de R$ 750 milhões em cinco cidades da região. A expectativa é de que o projeto crie 1.200 empregos. Além desta, também estão se instalando por lá a australiana Latin Resources e a canadense Lithin Ionic.

A região tem alta abundância do mineral, chamado de “ouro branco” atualmente. Ao contrário de outros locais, no Jequitinhonha a produção tem sido considerada mais sustentável em relação a fabricantes tradicionais de outros países. Com isso, o Brasil pode abrir espaço rapidamente espaço no mercado de fornecimento para carros elétricos. Estima-se que a venda desses veículos pode chegar a 40 milhões a 50 milhões de unidades ao ano em 2030.