segunda-feira, 27 de setembro de 2021

A sinergia da tecnologia na saúde, Fernando Ganem, FSP

 As revoluções industriais foram transformadoras, pois geraram insumos fundamentais para o desenvolvimento contínuo da sociedade: o conhecimento. Vivemos hoje a quarta revolução industrial, caracterizada pela navegação ultrarrápida, internet das coisas, big data, inteligência artificial, computação em nuvem e robótica. Todos esses avanços mudaram drasticamente a forma como a medicina cuida de seus pacientes, com dados que fomentam uma saúde mais preditiva, assertiva e que gera uma melhor entrega de cuidado às pessoas.

Um exemplo dessa transformação são os prontuários eletrônicos. Faz duas décadas que passamos a nos apoiar neles e essa ferramenta fundamental permite armazenar conjuntamente registros de atendimento, como prescrição e evolução médica, exames laboratoriais e de imagem, e está acessível a todas as equipes de saúde, da enfermagem, time multiprofissional, sempre com segurança e respeitando às leis de acesso à informação. O prontuário eletrônico funciona em tempo real, o que acelera a tomada de decisão e melhora a prestação da prática médica. Em muitas instituições, os próprios pacientes têm acesso ao seu prontuário, o que lhes confere a oportunidade de acompanhar seu quadro clínico a qualquer momento.

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Do ponto de vista da segurança do paciente, os sistemas alertam para resultados críticos de exames, que requerem intervenção imediata e interação medicamentosa, doses e posologia. Por meio de algoritmos e protocolos, os prontuários apoiam os médicos na escolha do melhor tratamento. A inteligência artificial possibilita integrar dados clínicos, laboratoriais e predizer probabilidade de complicação em pacientes internados, como em casos de sepse e até parada cardíaca. Ainda há desafios a serem superados, como a integração de informação entre instituições, sejam elas públicas ou privadas, de tal forma que os atendimentos em locais distintos estivessem todos armazenados no mesmo lugar.

Na área de diagnóstico por imagem, algoritmos conseguem potencializar a capacidade de detecção de patologias e tumores pelo radiologista. Na terapêutica, já estamos trabalhando com diferentes gerações de equipamentos na área de cirurgia robótica, mais comumente usada na urologia (câncer de próstata), ginecologia (endometriose), cirurgia torácica (tumores) e aparelho digestivo. Na reabilitação, o uso dos robôs tem auxiliado na reaprendizagem do movimento de determinados grupos musculares em pacientes que tiveram acidente vascular cerebral (AVC). A genômica e a medicina personalizada, buscam identificar, por meio de testes genéticos, biomarcadores e desenvolvimento de terapias-alvo para cada indivíduo.

A telemedicina vem ganhando espaço e se consolidou durante a pandemia, permitindo não só os atendimentos virtuais, mas a integração de prontuários e receituários --tudo digital. Exames realizados em um centro médico podem hoje ser avaliados a distância, em outra cidade ou país, agilizando resultado e racionalizando custos. Com o advento da tecnologia 5G, cogita-se a realização de procedimentos cirúrgicos a distância.

Na área da gestão hospitalar, a integração de dados permitiu a criação de centros de comando capazes de acompanhar disponibilidade de leitos, previsão de alta hospitalar (baseada em dados clínicos), controle de insumos e necessidade de alocação de recursos humanos. Durante a pandemia, foram fundamentais para garantir a operação fluída com medicina de excelência, mesmo em um momento de pressão como nunca antes vivido.

A tecnologia também trouxe um paciente mais participativo. Ele próprio busca informação e novas técnicas e tratamentos para o seu problema, e participa ativamente do processo de decisão de tratamentos. Dispositivos portáteis e individuais, de uso domiciliar, permitem o melhor controle de diabetes, coagulação, ritmo cardíaco, eletrocardiograma, pressão, oxigenação e sono. E esses dados já podem ser integrados aos sistemas de tecnologia já citados, como prontuários eletrônicos. Tudo a distância.

A tecnologia fomenta uma revolução de conhecimento, mas são as relações humanas, médico-paciente e de equipes multiprofissionais, que vão sempre orientar as pessoas para o melhor cuidado. Isso, sim, será a sinergia da tecnologia na saúde.

5G vai chegar tarde demais ao Brasil, Ronaldo Lemos, FSP

 Na última sexta-feira (24) a Anatel aprovou as regras para o edital do 5G no Brasil e marcou o leilão das frequências necessárias para o dia 4 de novembro. Parabéns! E que pena!

Parabéns porque essa é uma medida urgente para permitir que o país tenha chance de ser competitivo na economia do conhecimento. Que pena porque o 5G chegará ao Brasil tarde demais.

Seu cronograma de implantação começa em 2022, mas só terminará de chegar ao interior do país em 2028.

Detalhe: 2028 é o ano em que o mundo começará a implementar a tecnologia do 6G, que substituirá a atual. Em outras palavras, perdemos de novo o bonde da história.

O 5G começou em outros países em 2019. Quando o Brasil chegar ao clube, em 2022, as principais aplicações para a tecnologia já terão sido desenvolvidas. Com isso, nosso papel será, mais uma vez, de consumidores de inovações produzidas em outros lugares. Perdemos a oportunidade de sermos desenvolvedores de aplicações feitas localmente, que poderiam ser depois vendidas globalmente.

Perder oportunidades é especialidade da casa. O colega Elio Gaspari escreveu há pouco artigo contando como os senadores da época do Império impediram em 1843 que o Brasil construísse estradas de ferro.

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O Barão de Monte Santo, por exemplo, dizia: “Ainda não temos estradas, nem de barro, como queremos fazer uma de ferro? Para passar por ela o quê? Quatro bestas carregadas de carvão!!”.

Quando os historiadores do futuro olharem para o processo que levou ao atraso do 5G no Brasil vão ser capazes de encontrar diversos Barões.

Por exemplo: o país demorou por conta de uma preocupação de que o 5G pudesse interferir no sinal de TV das antenas parabólicas (o Barão de Monte Santo ficaria orgulhoso desse argumento).

Outra razão para o atraso foi a insistência em construir uma rede privativa do governo federal, separada da rede que será usada por pessoas “normais”. ​Dinheiro escasso jogado fora que poderia ser usado para acelerar o cronograma de implementação da tecnologia.

A utilidade dessa rede privativa é praticamente nenhuma. Seu uso será pequeno e vai ser a primeira a ficar obsoleta. O Tribunal de Contas da União tentou barrar essa irracionalidade política, mas foi vencido.

No século 19, os trilhos de ferro eram a infraestrutura do futuro. No presente, a conectividade é essa infraestrutura.

Além dela há outras, como a capacidade de fabricar microchips —habilidade da qual o país também está abrindo mão com a decisão recente de fechar a Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Avançada) em Porto Alegre (RS), única fábrica de semicondutores da América Latina.

Estudos mostram que fábricas de semicondutores são, de longe, a atividade econômica que mais gera impostos por metro quadrado no planeta. Um metro quadrado de uma fábrica de chips pode gerar até US$ 36 mil (R$ 192 mil) de impostos por ano. A mesma área aplicada ao varejo geraria, por exemplo, até US$ 6.000 (R$ 32 mil).

Para avançar, o país precisa vencer o derrotismo do Barão de Monte Santo. Precisa olhar muito além das estradas de barro.

READER

Já era não se preocupar com cibersegurança

Já é demanda por profissionais de cibersegurança

Já vem surgimento da profissão de “negociador de ransomware”​


Airbnb lança página para promover destino turístico em SP , FSP Painel

 O Airbnb vai lançar nesta segunda (27) uma página em sua plataforma com destaque para destinos de São Paulo.

A iniciativa é uma parceria com a Secretaria de Turismo e Viagens do governo do estado para apoiar o turismo regional no pós-pandemia.

Segundo a empresa, a ideia veio na tendência da retomada das viagens de carro, com distância até 500 quilômetros dos centros urbanos para turistas que procuram locais próximos à natureza, para conciliar férias e home office.

Entre os destinos destacados estão Campos do Jordão, e praias, como Ilhabela e Guarujá.

“A capilaridade do Airbnb contribui para o desenvolvimento de novos destinos e a descentralização do turismo, com um impacto na geração de renda nas cidades”, diz Daniela Teixeira, gerente de relações institucionais e governamentais do Airbnb no Brasil.