quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

PSB apresenta exigências para apoiar Alckmin na disputa presidencial, FSP


Partido listou Estados onde reivindica apoio do PSDB aos candidatos ao governo

Catia Seabra
SÃO PAULO
A cúpula do PSB apresentou, na noite desta quarta-feira (21), suas condições para vir a apoiar o governador Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa presidencial. Reunido com o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), dirigentes do partido listaram Estados onde reivindicam o apoio do PSDB aos candidatos do PSB aos governos.
O vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), em entrevista no Palácio dos Bandeirantes - Karime Xavier - 12.jan.2018/Folhapress
Entre os Estados, estão Espírito Santo e Tocantins, além do Distrito Federal. O comando do PSB também deseja o apoio do PSDB à candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda ao governo de Minas Gerais, mas enfrenta resistência do PSDB mineiro, que tem o senador Aécio Neves como principal líder.
Os dirigentes do PSB alegaram, durante a reunião, que nos Estados onde PSDB e PSB estão prestes a compor essa articulação acontecerá independentemente da aliança nacional, e que Alckmin deverá se empenhar mais para garantir apoio do partido à sua própria candidatura. Em outras palavras, enquadrar o tucanato onde o PSDB resiste a uma composição com candidatos do PSB.
Alckmin, segundo o comando do PSB, também deveria se esforçar para melhorar a relação com o partido em Pernambuco, onde o PSDB faz frontal oposição ao governador, Paulo Câmara.
Segundo integrantes do PSB, Márcio França fez um relato de sua situação para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Aos dirigentes do PSB, o vice-governador de São Paulo disse acreditar na candidatura do prefeito de São Paulo, João Doria, ao governo do Estado. França afirmou não se incomodar com a hipótese de Alckmin ter dois palanques em São Paulo: o seu e o de Doria. 
França ficou encarregado de enviar o recado a Alckmin. Outra hipótese em discussão é o apoio à candidatura de Ciro Gomes (PDT). O lançamento do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa ao Palácio do Planalto foi considerada remota pela cúpula do PSB.
Participante da reunião, o ex-governador do Espírito Santo e presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, afirma que essas não são exigências impostas a Alckmin. Casagrande conta que, durante a reunião com França, foi feita uma avaliação do cenário político em cada Estado. Ele diz ter relatado que PSB e PSDB já estão alinhados em alguns.
“Avaliamos que em outros Estados seria importante o PSB estar junto, mas depende mais do PSDB”, afirma o ex-governador, que pretende concorrer ao governo do Espírito Santo.
Nessa radiografia, disse Casagrande, foram apontadas dificuldades de aliança no Nordeste. “Também há dificuldade de alinhamento em Minas Gerais”, ressalta Casagrande, informando que a decisão do partido será tomada em abril ou maio. 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Outra oportunidade perdida no saneamento básico em SP - Por João P. Capobianco e G. Checco


21 de Fevereiro de 2018
Artigo publicado na edição de 21/02/2018 do jornal Valor Econômico - https://goo.gl/JyHDEV
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Na última segunda-feira de janeiro (29) aconteceu na cidade de São Paulo a audiência pública sobre a metodologia de cálculo da nova tarifa da Sabesp para o período 2017 a 2020. O debate, conduzido pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), teve como objetivo cumprir a legislação que determina que a revisão tarifária seja apresentada e debatida previamente com a sociedade. O evento foi concebido como uma oportunidade para as autoridades públicas mostrarem as inovações a serem implementadas e recolher sugestões para aprimoramentos, capazes de promover avanços no atendimento desse atualmente precário serviço básico em muitas cidades paulistas, incluindo a capital. Infelizmente, no entanto, não foi o que ocorreu dadas às inúmeras fragilidades, seja do ponto de vista processual quando de conteúdo.
Os interessados em participar ativamente da audiência pública tiveram apenas oito dias úteis para se debruçar sobre a nota técnica divulgada pela Agência, um documento complexo que demanda aprofundadas análises, consultas e reflexões para se chegar a uma avaliação razoável. Soma-se às dificuldades técnicas o fato de que esta foi a única audiência para a discussão da proposta metodológica, o que limitou a participação dos moradores dos demais 287 municípios atendidos pela Sabesp e regulados pela Arsesp, que sofrerão os impactos da revisão.
Um processo de participação social conduzido dessa forma só poderia levar, como de fato levou, a um baixo nível de efetividade, pois comprometeu a participação ampla e qualificada.
É importante destacar que a participação da sociedade no processo da revisão tarifária não é apenas um direito formal assegurado pela legislação federal (Lei 11.445/07). É um direito de fato, pois frente à dramática redução dos investimentos públicos verificada nos últimos anos, são os próprios cidadãos que sustentam o sistema de saneamento por meio do pagamento da tarifa.
Registre-se, ainda, que além de pagar pelo serviço que não recebe com a qualidade adequada, a sociedade financia o governo federal com valores crescentes do PIS, da Cofins, das contribuições sociais e do imposto de renda recolhidos anualmente das empresas de saneamento e que superam a ordem de bilhões de reais. Além das centenas de milhões de reais que o governo do Estado de São Paulo, na posição de acionista majoritário, retira da Sabesp todos os anos a título de dividendos, sem reinvestir praticamente nada.
Afora os problemas decorrentes do pouco cuidado em fomentar uma participação efetiva dos cidadãos, a metodologia em si é muito limitada e não parece ter sido concebida para tratar de um tema central para a qualidade de vida da população, visto a relação direta entre saneamento básico, saúde pública e bem-estar. Mesmo sendo realizada após a maior crise hídrica que São Paulo já vivenciou, a proposta de revisão tarifária não incorpora mecanismos inovadores para enfrentar o problema. É como se vivêssemos em um cenário de abundância de água e a única questão que merecesse a atenção da Arsesp seria o equilíbrio financeiro da Sabesp.

É evidente que a tarifa precisa garantir a remuneração da empresa que opera o sistema de abastecimento e esgotamento sanitário de milhões de pessoas. Ninguém iria defender um valor que a inviabilizasse. O problema é quando apenas essa questão está colocada sobre a mesa. Foram solenemente ignoradas questões fundamentais como a universalização do saneamento, práticas racionais de redução do consumo, controle de perdas e a despoluição dos rios Tietê, Pinheiros e todos os demais, canalizados ou não.
A chamada revisão tarifária ordinária ocorre em todo o país de quatro em quatro anos. Sabe-se que, em mercados competitivos, as empresas buscam naturalmente a eficiência econômica como uma estratégia de sobrevivência. Como essa busca não ocorre em setores que operam nos chamados monopólios naturais, a regulação governamental é fundamental para estabelecer mecanismos que incentivem tais empresas a adotarem um comportamento semelhante ao de um ambiente competitivo. Ou seja, serem mais eficientes, fidelizarem seus clientes e garantir a perenidade do negócio.

O que se verifica, no entanto, é que a proposta da Arsesp não vai nessa direção. Ao contrário, representa um mero reajuste de preço que será imposto aos cidadãos, sem contrapartidas. Aumento esse que está sustentado em um Plano de Negócios elaborado pela Sabesp que a Agência não divulga, impedindo a sociedade de avaliar o que estará pagando nos próximos quatro anos.
Mesmo questões sobre as quais há consenso da necessidade de ajustes estão sendo desconsideradas. A tarifa mínima fixa de 10 m³/mês, que estimula o desperdício e cobra acima do consumo efetivo de milhares de famílias, permanecerá. Os critérios de abrangência da tarifa social, que hoje restringe o atendimento a cerca de 300 mil famílias, número muito inferior ao socialmente justo, serão mantidos. Ações de conservação e restauração dos mananciais, vitais para a manutenção da qualidade e quantidade de água, principalmente em um cenário de agravamento da crise hídrica decorrente das mudanças climáticas, não são sequer citadas nos documentos da Agência.
Esses fatos levam à conclusão que a Arsesp não assumiu o seu papel de tornar o processo de revisão tarifária uma oportunidade de se criar os incentivos corretos para aprimorar os serviços de saneamento. A Agência segue uma lógica econômica limitada, que tenta equalizar a menor tarifa possível para o cidadão mantendo o equilíbrio econômico-financeiro da empresa. Essa certamente não é a única demanda da sociedade. Universalização, serviço de qualidade e acessibilidade deveriam ocupar o centro dessa discussão.

João Paulo R. Capobianco, biólogo, é presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS). capobianco@idsbrasil.org.

Guilherme B. Checco é pesquisador do IDS e mestrando em Ciência Ambiental pela USP - guilherme@idsbrasil.org

Mercado imobiliário volta a crescer após encolher por três anos seguidos, OESP



Lançamentos de novos projetos totalizaram 28.657 unidades, aumento de 48%, segundo o Secovi






Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo
20 Fevereiro 2018 | 11h43
Após três anos consecutivos em baixa, o mercado imobiliário da cidade de São Paulo voltou a crescer no ano passado. As vendas de imóveis atingiram 23.629 unidades em 2017, expansão de 46,1% em relação a 2016. Os lançamentos de novos projetos totalizaram 28.657 unidades, aumento de 48,0%, e R$ 13,8 bilhões em valor geral de vendas (VGV), avanço de 29%.

Imóveis
 Mercado na capital paulista chegou a uma inflexão após três anos marcados por uma forte retração Foto: Nilton Fukuda/Estadão
A pesquisa foi divulgada pelo Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e considera apenas os imóveis residenciais novos. O avanço dos lançamentos e das vendas ficou bem acima da projeção inicial divulgada pela instituição no início de 2017, que apontava para um crescimento de 5% a 10% no ano.
O mercado na capital paulista chegou a uma inflexão após três anos marcados por uma forte retração. As vendas na cidade caíram de 33,3 mil unidades (2013) para 21,6 mil (2014), 20,1 mil (2015) e 16,0 mil (2016). Por sua vez, os lançamentos recuaram de 34,2 mil (2013) para 34,0 mil (2014), 23,0 mil (2015) e 17,6 mil (2016). Com isso, o setor registrou, em 2016, a menor quantidade de vendas e lançamentos da série histórica, iniciada em 2004.
"Os números do mercado imobiliário em 2017 nos surpreenderam", avaliou o presidente do Secovi-SP, Flávio Amary, durante entrevista à imprensa. O executivo atribuiu o forte crescimento do setor à recuperação da economia brasileira, com redução dos juros e estabilidade no nível de empregos, ajudando a recompor parcialmente a confiança de consumidores. "Houve uma melhora do cenário macroeconômico. Vemos nos plantões de venda a percepção de melhora entre os consumidores e o aumento da confiança em assinar o cheque", comentou.

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Amary também disse que parte significativa dos novos projetos está relacionada ao crescimento do Minha Casa Minha Vida, que tem demanda mais aquecida e boas condições de crédito. O programa habitacional foi responsável por 4.154 lançamentos em São Paulo em 2016, ou 23% do total. Já em 2017, essa participação subiu para 10.343 unidades, 36% do total.
O presidente do Secovi-SP observou ainda que o preço das moradias, em geral, não tem subido no mesmo ritmo do reaquecimento do mercado. "Os preços ainda não estão acompanhando a recuperação, eles seguem estáveis. Algumas regiões têm os mesmos preços de meses ou até anos atrás.  Essa conjunção toda faz com que o momento seja propício para a aquisição de imóveis", disse.