quinta-feira, 24 de setembro de 2026

CNJ faz operação em gabinete de desembargador ligado a Kassio Nunes Marques - FSP

 Mônica Bergamo

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) realiza nesta quinta (24) uma operção no gabinete do desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

A PF (Polícia Federal) participa, em apoio à Corregedoria Nacional de Justiça, que é vinculada ao CNJ.

Dois homens vestidos com terno azul e capa preta conversam em ambiente interno. Um deles sorri enquanto olha para o outro, que está de costas para a câmera. Cadeiras amarelas ao fundo indicam ambiente formal, possivelmente jurídico ou acadêmico.
O ministro Kassio Nunes Marques em sessão de reabertura dos trabalhos do judiciário no STF - Pedro Ladeira/Folhapress

Nas operações são recolhidos materiais de computadores e outros documentos para embasar os procedimentos de investigação contra magistrados.

Ramos é alvo de um procedimento que apura a conduta dele em casos de interesse do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Ramos é citado em diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como integrante da "Turma do KN", uma referência ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques.

PUBLICIDADE

A mulher do magistrado, Camila Ramos, firmou um contrato de R$ 470 milhões com o Banco Master para defender os interesses da instituição relacionados a precatórios bilionários do setor sucroalcooleiro.

Segundo o jornal o Estado de S. Paulo, o desembargador proferiu ao menos dois votos favoráveis aos interesses do Master em um processo envolvendo a Usina Cansanção de Sinimbu, em Jequiá da Praia, Alagoas.

Em recuperação judicial, a empresa busca definir o valor da indenização devida pela União por supostos prejuízos causados pela política de preços do setor sucroalcooleiro.


Flávio e a sombra dos milicianos- editorial Estadão

 Por Notas & Informações

Este jornal informou na primeira página de sua edição de ontem que, em 2023, uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou pessoalmente com o miliciano Robson Calixto, vulgo “Peixe”, o repasse de quase R$ 200 mil provenientes de emenda parlamentar em troca de vantagens indevidas. A negociata já seria escandalosa se Flávio não fosse candidato à Presidência da República e se o tal “Peixe” fosse um sicário qualquer, desses com os quais a população do Rio de Janeiro, lamentavelmente, acostumou-se a conviver. Ocorre que Flávio não só é candidato, como tem boas chances de ser eleito. E “Peixe”, definitivamente, não é um ilustre desconhecido do sistema de Justiça.

Em fevereiro deste ano, por unanimidade, “Peixe” foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão em regime fechado por ter participado do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. O indigitado era uma espécie de “faz-tudo” para os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, mandantes do crime, e elo da dupla com a milícia da zona oeste da capital fluminense de onde saiu o facínora Ronnie Lessa, autor dos disparos. Todos cumprem pena presos.

É extremamente preocupante, para dizer o mínimo, que um candidato à Presidência da República tenha mantido vínculo tão próximo com um criminoso de sangue até pouco tempo atrás. Para piorar, confrontado com um fato dessa gravidade, Flávio se limitou a dar uma resposta protocolar, afirmando, por meio de nota, que “a emenda foi destinada dentro da legislação vigente” e que a responsabilidade pela prestação de contas é de quem recebe os recursos, não do parlamentar. Sobre o fato mais escabroso – a proximidade entre o senador e um miliciano condenado –, Flávio não deu uma satisfação sequer aos eleitores.

Talvez seja mesmo difícil para o candidato tratar do tema com mais objetividade. Afinal, faz mais de duas décadas que, por onde quer que ande, Flávio Bolsonaro está sempre acompanhado pela sombra dos milicianos do Rio de Janeiro com os quais se relaciona, abertamente, desde o seu primeiro mandato como deputado estadual, iniciado em 2003. A ligação entre Flávio e “Peixe”, por mais problemática que seja, não é um desvio pontual.

Recorde-se que, em 2007, Flávio subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para legitimar as milícias como um “novo tipo de policiamento”. Na ocasião, o então deputado estadual reduziu os crimes praticados por milicianos – não raro policiais e bombeiros corruptos – a “casos isolados”. Em outro discurso, Flávio chegou a dizer que “não se importaria” em pagar mensalidades de “R$ 30 ou R$ 40” às milícias para “ter mais segurança”. Ele sabia do que falava. Além de condecorar dezenas de milicianos, pouco tempo depois, Flávio empregara em seu gabinete na Alerj familiares de um dos mais temidos matadores do País, Adriano da Nóbrega, capo da milícia Escritório do Crime, baseada em Rio das Pedras.

Adriano seria morto durante troca de tiros com a polícia em 2020, escondido sob nome falso no interior da Bahia. Mas o grupo criminoso que ergueu em Rio das Pedras, envolvido no assassinato de Marielle Franco, sobreviveu a ele – e agora volta às páginas do jornal pela negociação do tal “Peixe” e a assessora de Flávio Bolsonaro.

Estamos a poucos dias da eleição que definirá o futuro presidente do Brasil. Por óbvio, não é questão menor ter entre os postulantes à chefia de Estado e de governo um candidato cuja biografia política está indelevelmente marcada por vínculos estreitos e reiterados – e jamais devidamente explicados – com membros de organizações criminosas responsáveis por execuções sumárias, extorsões, exploração ilegal do comércio e controle social, na base do terror, sobre larguíssimas porções do território do Rio de Janeiro.

Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República.

Meta censura vídeo de Fábio Porchat, volta atrás e deixa lição amarga, Rosana Hermann- FSP

 A Meta, que controla o Facebook, Instagram e WhatsApp, ocupa o 16º lugar entre as maiores empresas do planeta, segundo a revista Forbes. O dono da Meta, Mark Zuckerberg, segundo a mesma publicação, está entre as dez pessoas mais ricas do mundo.

Em outras palavras, estamos falando de quem tem muito poder e que usa esse poder de acordo com suas próprias regras. O problema é que todos nós, que usamos essas plataformas, não sabemos que regras são essas.

Foi a partir dessa realidade que, na manhã desta quarta-feira, 23 de setembro, o Instagram desativou o perfil do canal de reportagens especiais Revelando depois que o vídeo "Grandes Igrejas, Master Negócios", apresentado por Fábio Porchat, viralizou.

O vídeo abordava relações entre o Banco Master, Daniel Vorcaro, a Igreja Batista da Lagoinha e políticos ligados a ela, suspeitas que seguem sob apuração.

A alegação da Meta era totalmente genérica, a de que a conta "não segue os padrões" da plataforma. Saíram do ar também as publicações feitas com os parceiros do projeto e o conteúdo do primeiro episódio, apresentado por Samara Felippo.

Assim que a jornalista Mônica Bergamo noticiou a derrubada do canal, uma onda de reações se levantou no mar das redes, caracterizando o ato como perseguição política. Porchat gravou um vídeo comentando o absurdo de censurar um trabalho jornalístico feito a partir de fatos já publicados. Procurada, a Meta disse que não comentaria o caso.

O episódio, que já estava em primeiro lugar no ranking Hype do YouTube, que pertence ao Google, desde a véspera, se manteve no topo com a repercussão.

Horas depois da repercussão negativa, a Meta emitiu uma nota dizendo: "Após uma revisão interna, restauramos a conta mencionada pela reportagem. Pedimos desculpas pelo inconveniente." A empresa não informou o que motivou a suspensão. Na linguagem dos memes, poderíamos traduzir o texto para "foi mal, tava doidão".

Mesmo depois de o canal ter sido restaurado e o vídeo se tornar disponível, ficam as dúvidas: por que derrubaram o perfil inteiro? Qual padrão exigido pela empresa o vídeo não seguiu? De quem partiu a decisão de desativar o canal e por que voltaram atrás?

Não temos as respostas. Talvez nunca as tenhamos. Porque além das perguntas, fica também uma lição: as redes não são públicas, não são nossas, são privadas, pertencem às plataformas.

Criar um perfil, um canal e fazer sucesso, com milhões de views, assinantes e seguidores é como construir em terreno que não é seu. Tanto faz se é uma choupana, uma casa, uma mansão, um palácio. Se você não é dono da área, o dono do terreno tem o direito de derrubar sua construção na hora que ele quiser.

A lição amarga é essa, a de que as redes não são praças públicas, mas propriedades privadas. E que, para usarmos as plataformas, assinamos contratos que nem lemos, seguimos regras que nem conhecemos, somos bombardeados com publicidade com a qual nem concordamos e expostos a conteúdos que não pedimos por algoritmos que não compreendemos.

Dá vontade de largar o celular e sair correndo.

Talvez seja mesmo uma boa solução.